Dryworld, estádio e finanças: Daniel Nepomuceno conta detalhes sobre diretoria alvinegra

Presidente do Atlético MG deu entrevista e falou sobre os principais assuntos que tem tratado à frente do clube nos últimos meses.

Dryworld, estádio e finanças: Daniel Nepomuceno conta detalhes sobre diretoria alvinegra
Presidente do Galo está no cargo desde o fim de 2014 (Foto: Bruno Cantini/Atlético MG)

Em entrevista à Rádio Itatiaia, o presidente do Atlético-MG, Daniel Nepomuceno, falou sobre diversos assuntos que rondam a administração do clube. Assuntos como dívidas e cobranças de clubes e jogadores, problemas com a fornecedora de material esportivo Dryworld, o estádio próprio do clube e ainda a estadia da Seleção Argentina na Cidade do Galo durante a passagem do time por Belo Horizonte em novembro foram levantados e comentados pelo diretor.

Dívidas

Nepomuceno preferiu não detalhar a parte financeira, nem os que devem, nem os que cobram do clube, mas citou o exemplo do jogador Cicinho.

“Nós temos ali praticamente 90% de ações que são normais no futebol. Não cabe a mim agora ficar usando do microfone para apontar todos aqueles que nos devem. E não são poucos. O futebol tem isso. Talvez o mais grave do Atlético de 30 anos é a dívida fiscal que foi equacionada. As ações que realmente mexem no caixa estão todas negociadas. Chegou uma ação de 16 milhões do Cicinho. Tem ações que estão dez, cinco anos aí, que vão atrapalhando o fluxo de caixa. Cicinho é contra. Uma ação que não se esperava, mas que terá uma resolução agora. Eu sou muito um cara voltado para a gestão e a gestão do Atlético está exemplar neste sentido. Temos ativos a receber e a pagar. Graças a Deus, tem seis anos que o Atlético está arcando com seus deveres e atraindo novos jogadores, empresários, pessoas que acreditam no trabalho que estamos fazendo e que querem ser parceiros do Atlético”.

Dryworld

O presidente do Galo deu o panorama e a visão da diretoria sobre o contrato em vigência com a empresa canadense e falou sobre a dificuldade de relacionamento entre as partes.

“Existe ainda um contrato vigente. Nós não estamos satisfeitos, principalmente, com a entrega do material nas lojas. Houve um problema na administração interna da Dryworld. Os canadenses não mandam mais nada na Dryworld. Quem manda é o presidente da Rocamp, que conseguiu uma liminar na justiça. Ele que administra a empresa. O nosso contrato foi feito com os canadenses. Com essa liminar, não temos mais diálogo com o novo presidente”

Daniel também tocou no ponto que fez o Atlético fechar contrato com a empresa no início da temporada, a questão financeira. De acordo com o presidente, os pagamentos não estão sendo efetuados, mas as medidas de garantia ao trabalho dos atletas estão sendo tomadas.

“Não foram pagas as parcelas. Está sendo discutido dentro do contrato. O contrato é de duração de cinco anos. Não é uma rescisão simples. O importante é que não vai ter prejuízo para os atletas, já conversei com eles. Não vai ter prejuízo com o material que está sendo entregue. O que mais importa é isso, primeiro os atletas e depois a torcida. No futebol, infelizmente acontece isso. Fazemos um planejamento de longo prazo e por terceiros, que não sabem administrar, acaba prejudicando. Não quero entrar neste assunto porque o foco é o Brasileirão e a Copa do Brasil. Até o fim do ano temos o enxoval garantido. Estamos fazendo de tudo para que nossas franquias tenham nosso material para suprir a torcida. Quando acabar o contrato vamos avaliar quem será a nova fornecedora ou até mesmo, dentro do prazo, recuperar o prejuízo que vem sendo feito”

Hermanos em Vespasiano

Brasil e Argentina se enfrentarão no Mineirão pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018. O jogo do dia 11 de novembro marcará o reencontro da Seleção Canarinho com o palco de seu maior vexame, mas também o da Argentina com a Cidade do Galo, onde a equipe se hospedou durante a fase de grupos da Copa de 2014.

“Vai ficar o Messi na Cidade do Galo. Eles pediram, entraram em contato com nosso departamento. Ter a Seleção da Argentina, com o Pratto titular ali dentro, claro que aceitamos”

Casa Própria

Daniel reforçou o desejo de construir um estádio para o Galo, lembrou exemplos de arrecadação de outros clubes que possuem seu próprio estádio, mas reforçou a cautela e estudo da direção para tomar decisões.

“É um sonho. E isso continua sendo trabalhado. Vou perseguir isso enquanto for presidente do Atlético. Acredito que time grande tem que ter estádio. Não gosto de depender de ninguém para definir jogos, horários, preço de ingressos. Temos que ter uma casa. Basta ver os números de Corinthians e Palmeiras, que passaram a administrar seu estádio. Você vê o quanto isso ganha campeonato. Tivemos uma boa experiência com o Independência e sabemos a relação diferente da torcida com um estádio próprio. O Atlético não recebeu doação. O Atlético tem um acordo com a MRV. Caso, todo o investimento seja concluído para a construção, aí sim acontecerá a doação. Nós já conseguimos quatro bons parceiros para a construção desse estádio. Vou deixar bem claro. Em nenhum momento será retirado um centavo do Atlético, do dinheiro do futebol. Não abro mão também de ter a gestão e de que 90% das cadeiras sejam do Atlético. Aprendemos muito com os erros dos que anteciparam o estádio antes da Copa do Mundo. A gente não quer cometer os mesmos erros e tirar dinheiro do futebol para construir o estádio”