Análise: Atlético-MG mescla experiência com juventude e muda estilo de jogo para 2018

Com chegadas de jogadores de velocidade, Galo deve adotar postura vertical; mudança influencia setor ofensivo

Análise: Atlético-MG mescla experiência com juventude e muda estilo de jogo para 2018
Ricardo Oliveira, de 37 anos, dá nova cara ao ataque do Atlético (Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Embora o grupo do Atlético-MG esteja praticamente fechado para 2018, a torcida alvinegra ainda sonha com um camisa 10. O técnico Oswaldo de Oliveira dispõe do equatoriano Cazares para fazer a função, e o gringo não tem um concorrente direto. No momento, o torcedor faz inúmeras projeções de como o Galo deve atuar neste ano, com ou sem um meia articulador. Mas, fazendo uma análise mais profunda, o time atleticano mudará seu estilo de jogo, e o sonhado camisa 10 não interferirá nesse novo modo de atuar.

Ao que indica Oswaldo de Oliveira nos primeiros treinos de 2018, o esquema tático a ser utilizado será o mesmo da última temporada, o 4-2-3-1 (com variação para o 4-4-2 em linha). Mas haverá alteração em como a equipe mineira se comportar dentro das quatro linhas. Pensando nisso, a VAVEL Brasil preparou uma análise para identificar o que deve mudar no padrão de jogo do Atlético em 2018.

Mais velocidade no último terço do campo

Foto: Reprodução/LineupBuider.com
Foto: LineupBuider

No ano passado, o Galo tinha no elenco dois centroavantes que faziam o papel de pivô, Fred e Rafael Moura. O atacante pivô tem por característica jogar de costas para a marcação, receber passes, proteger a bola do adversário, esperar a aproximação dos companheiros e usar sua estatura (geralmente são altos) para marcar gols de cabeça.

Fred, agora no rival Cruzeiro, se beneficiou dessa proposta de jogo: terminou 2017 com 55 jogos, 30 gols (média de 0,30 por partida) e 11 assistências. Foi a temporada mais eficiente do atacante considerando bola na rede e passes para gol. Rafael Moura, por sua vez, não teve muitas oportunidades e, quando solicitado, não correspondeu às expectativas. Hoje, o 'He-Man' está no América-MG.

Para assumir a referência do ataque atleticano chegou o ex-santista Ricardo Oliveira, que tem um estilo de jogo diferente do de Fred. O jogador, de 37 anos, é um atacante de profundidade, ou seja, recebe bolas na frente, dispara na corrida e sabe jogar no mano a mano em velocidade. A proposta de jogo do Santos nos últimos anos – um time muito veloz e propenso a contra-ataques –, também casava com as características do veterano. O gol de Ricardo Oliveira contra o próprio Atlético (veja no vídeo abaixo), em 2015, no Independência, exemplifica esses argumentos: agilidade no 1x1 e explosão.

Além de Ricardo Oliveira, a nova cúpula do Atlético buscou no mercado jogadores de velocidade para compor os flancos do setor ofensivo. Os meias Roger Guedes e Erik, ambos ex-Palmeiras, são atletas que atuam pelas beiradas do campo e podem ajudar bastante o treinador Oswaldo de Oliveira.

Em um time ideal, Roger Guedes aparece entre os titulares para fazer a função de meia aberto pela esquerda, ainda que no Palmeiras tenha caído mais pelo lado oposto. Otero, fundamental na reta final do ano passado, deve ser mantido como meia pela direita, com o xodó da torcida Luan correndo por fora. O meia central é Cazares, jogador que tem total confiança de Oswaldo de Oliveira para exercer a função do sonhado camisa 10.

A minha ideia, com a saída do Robinho, é utilizá-lo nessa função, mais centralizado, mas com flexibilidade de se movimentar pelos lados, trocando com Valdívia, Roger Guedes, Otero, Erik, Luan”, disse o comandante, sobre o equatoriano, em sua primeira entrevista coletiva do ano, na Cidade do Galo.

Arouca e Cazares têm a confiança do técnico (Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)
Arouca e Cazares têm a confiança do técnico (Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Do meio para trás

Da “volância” à defesa a situação é mais complicada. Comecemos pelos dois volantes. O jovem Yago terminou a temporada passada como titular da equipe ao lado de Elias, que, aliás, sofreu muitas críticas da torcida no segundo semestre. Com a chegada de Arouca, entretanto, Yago deve ir para o banco.

"Vamos organizar para que seja um time mais forte coletivamente e, assim, mais competitivo" - Oswaldo de Oliveira

Embora Arouca tenha sofrido com lesões e, por isso, atuado em apenas um jogo pelo Palmeiras em 2017, o experiente atleta recebeu muitos elogios de Oswaldo de Oliveira. Ele também participou de alguns treinos, na Cidade do Galo, em campo reduzido com a equipe que, em tese, será a titular no decorrer de 2018.

Na defesa, a maior indefinição é na lateral direita, cujo titular da última temporada e ídolo do Galo, Marcos Rocha, acabou sendo emprestado ao Palmeiras. Patric voltou de empréstimo do Vitória, Samuel Xavier foi contratado junto ao Sport, e Carlos César segue na equipe.

Já a lateral direita tem nome e sobrenome: Fábio Santos. Ele foi um dos destaques do Atlético no ano passado e terminou a temporada como cobrador oficial de pênaltis do Galo. À sua sombra vem Danilo, que voltou de empréstimo junto à Ponte Preta, e Mansur.

Maidana deve formar dupla com Gabriel (Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)
Maidana reforça a zagal (Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Na zaga, o jovem Iago Maidana, ex-São Paulo, desponta como possível titular ao lado do incontestável Gabriel. O capitão e ídolo da torcida alvinegra, Leonardo Silva, teve um 2017 irregular e, com seus 38 anos, pode ficar na reserva. Matheus Mancini, Bremer e Felipe Santana são outras opções para a zaga. Debaixo das traves a presença de Victor é garantida.

Time alternativo do Atlético-MG:

Foto: LineupBuider