Repórter se pronuncia após polêmica com Oswaldo, que afirma "maior insulto da carreira"

Jornalista Léo Gomide, da Rádio Inconfidência, afirmou que em nenhum momento dirigiu insultos ao comandante alvinegro

Repórter se pronuncia após polêmica com Oswaldo, que afirma "maior insulto da carreira"
Oswaldo de Oliveira está no comando do Galo desde meados de 2017 (Foto: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Com acesso negado à Cidade do Galo por tempo indeterminado, o repórter Léo Gomide, da Rádio Inconfidência, pronunciou-se nesta quinta (8) após polêmica com o técnico Oswaldo de Oliveira, do Atlético-MG. O jornalista usou sua conta no Twitter para se posicionar acerca da situação que ocorreu após a classificação do Galo na Copa do Brasil, partida da noite dessa quarta (7).

"Em momento algum sequer alterei o tom de voz ou dirigi quaisquer palavras indelicadas ao treinador, o que eu jamais faria, tanto que todos os meios de comunicação mostram apenas as agressões verbais e a tentativa de agressão física de que fui vítima. De todo modo, cabe a quem acusa a obrigação de se certificar que não confundiu as palavras no calor dos acontecimentos, devendo provas o que alega", colocou.

Entenda o casoAtlético-MG veta entrada de repórter na Cidade do Galo e é criticado por jornalistas no Twitter

Mais cedo, a assessoria do comandante do Galo publicou, por meio de suas redes sociais, um posicionamento do treinador do Atlético. O treinador afirmou, veementemente, que ouviu insultos do repórter da Rádio Inconfidência, que por sua vez nega. Confira abaixo parte do que disse Oswaldo de Oliveira.

"Ontem, após nossa classificação na Copa do Brasil, ouvi o maior desaforo de toda a minha carreira do jornalista Léo Gomide (impronunciável aqui publicamente). Ouso afirmar que, PROPORCIONALMENTE, nem da arquibancada havia recebido tamanho insulto, mesmo levando em conta toda a passionalidade do torcedor pelo seu clube do coração. Tenho testemunhas de tudo o que saiu da boca desse rapaz, não à toa o próprio Atlético proibiu sua entrada no CT, e podem ter certeza, não foi a meu pedido", disse.

O Atlético, por meio de seu diretor de futebol, Alexandre Gallo, anunciou que o repórter está impedido de entrar na Cidade do Galo devido à confusão. A Rádio Inconfidência, veículo onde o jornalista trabalha, e a AMCE (Associação Mineira de Cronistas Esportivos), posicionaram-se sobre o episódio. Ambas as instituições saíram em defesa do profissional.

Em declaração ao programa "Primeiras Esportivas", da própria Rádio Inconfidência, o Coordenador de Esportes do veículo, José Augusto Toscano, falou em nome da empresa. 

"Em nome da Rádio Inconfidência, repudiamos e não concordamos com nenhuma atitude de silenciamento a nenhum profissional, seja ele da Rádio Inconfidência ou de qualquer outro veículo de comunicação. Uma má conversa é sempre melhor que uma boa briga. Todos os seres humanos estão sujeitos a um momento de explosão. Mas a atitude da instituição Clube Atlético Mineiro é repudiada pela Rádio Inconfidência. A Rádio Inconfidência não está proibida de entrar na Cidade do Galo, mas repudiamos a decisão do Galo. Foi precipitada e, por isso, repudiamos", alegou.

Posicionamento da AMCE

Logo após a declaração de José Augusto Toscano, a AMCE (Associação Mineira de Cronistas Esportivos) emitiu um comunicado, em seu site oficial, para defender Léo Gomide. Segundo a instituição, o repórter foi "agredido verbalmente" pelo técnico Oswaldo de Oliveira, e avaliou como "lamentável" o veto do Atlético ao jornalista.

"Tais atitudes, além de demonstrar falta de controle emocional por parte de dirigentes de  um dos maiores clubes do Brasil, demonstra também clara tentativa de cercear o trabalho jornalístico", dizia uma parte da nota.

Confira, na íntegra, o comunicado da AMCE:

"A AMCE- ASSOCIAÇÃO MINEIRA DE CRONISTAS ESPORTIVOS vem a público conceder seu apoio incondicional ao seu associado Leonardo Gomides Freitas (Léo Gomide)  repórter da Rádio Inconfidência vitima de agressão verbal proferida pelo técnico Osvaldo Oliveira durante entrevista coletiva realizada  após a partida do Clube Atlético Mineiro e o Atlético do Acre.

O repórter Léo Gomide dentro da liberdade de imprensa fez o seu trabalho profissional com perguntas ao referido treinador que não gostou do questionamento. .

O fato aconteceu na presença de vários outros jornalistas que estavam cobrindo o evento e está sendo divulgado por toda mídia.

Para piorar ainda mais a lamentável situação, recebemos a informação que no desembarque da delegação do Clube Atlético Mineiro, o diretor de futebol do clube, Senhor Alexandre Gallo declarou que o repórter Léo Gomide está proibido de entrar nas dependências do clube para realizar seu trabalho profissional.

Tais atitudes, além de demonstrar falta de controle emocional por parte de dirigentes de  um dos maiores clubes do Brasil, demonstra também clara tentativa de cercear o trabalho jornalístico. 

Mais uma vez expressamos nosso veemente repúdio e indignação pelos fatos ocorridos e nos colocamos a inteira disposição do companheiro Léo Gomide por intermédio do nosso departamento jurídico para que os fatos sejam devidamente esclarecidos e resolvidos.

Esperamos que o triste episódio não venha manchar o bom relacionamento e o respeito que a impressa esportiva de Minas Gerais sempre manteve com o Clube Atlético Mineiro.

Reiteramos nossa solidariedade ao companheiro Léo Gomide e defendemos sempre a total liberdade de expressão e a independência de opinião dos profissionais da imprensa esportiva de Minas Gerais credenciados oficialmente por esta entidade.

Cordialmente,

Luiz Carlos Gomes

Presidente da AMCE

Belo Horizonte, 08 de fevereiro de 2018".

Confira na íntegra o posicionamento de Léo Gomide

"Para levar informações com a maior clareza possível aos ouvintes e a todos os que acompanham o meu trabalho, sempre pautei a minha atuação no respeito e na ética. Assim sendo, em relação ao ocorrido ontem [quarta], muito embora as imagens falem por si, sinto-me na obrigação de esclarecer que eu estava no exercício da minha profissão, fazendo uma legítima pergunta ao treinador, que responder conforme os vídeos não deixam dúvidas.

Sobre as declarações dadas pelo diretor de futebol do Atlético, elas não guardam verdade com os fatos. Todos viram que o meu trabalho e a minha credibilidade foram diretamente atacados, sem que eu pudesse formular a pergunta.

Mesmo assim, em momento algum sequer alterei o tom de voz ou dirigi quaisquer palavras indelicadas ao treinador, o que eu jamais faria, tanto que todos os meios de comunicação mostram apenas as agressões verbais e a tentativa de agressão física de que fui vítima. De todo modo, cabe a quem acusa a obrigação de se certificar que não confundiu as palavras no calor dos acontecimentos, devendo provas o que alega.

Acrescento que, ainda que houvesse uma conduta imprópria de minha parte, a reação esperada especialmente de pessoas experientes no futebol jamais seria a tentativa de agressão física ou de agressões verbais. Finalizo dizendo que lamento profundamente o ocorrido e que seguirei o meu trabalho correto e sério, baseado na ética e na independência, primordiais ao exercício do bom jornalismo. E que a partir desta não abordarei mais o assunto".

Veja o pronunciamento de Oswaldo por completo

"Venho a público hoje para reconhecer meu erro e me desculpar pelo episódio infeliz acontecido na noite dessa quarta-feira. Estou no futebol há mais de quatro décadas e agradeço ainda correr em minha veia o sangue competitivo de um profissional, com muita gana de fazer com que as coisas deem certo sempre. É isso que me motiva a seguir no futebol, me empenhando ao máximo diariamente em busca das vitórias e, claro, títulos.

Ontem, após nossa classificação na Copa do Brasil, ouvi o maior desaforo de toda a minha carreira do jornalista Léo Gomide (impronunciável aqui publicamente). Ouso afirmar que, PROPORCIONALMENTE, nem da arquibancada havia recebido tamanho insulto, mesmo levando em conta toda a passionalidade do torcedor pelo seu clube do coração. Tenho testemunhas de tudo o que saiu da boca desse rapaz, não à toa o próprio Atlético proibiu sua entrada na Cidade do Galo, e podem ter certeza, não foi a meu pedido.

Como ser humano, especialmente sob estresse de um jogo complicado, reagi imediatamente para me defender. As palavras que ouvi me tiraram do sério, acabei me exaltando e, por conseguinte, tive uma reação irracional - a exemplo do repórter em questão - não condizente com a do profissional que sou e sempre fui.

Peço desculpas pelo incidente de ontem ao Atlético, clube que represento, à nossa imensa e fiel Massa Atleticana, e a todos os demais profissionais da imprensa, os quais tanto respeito, tenho carinho e admiração".