VAVEL Entrevista: diretor de esportes do Botafogo comenta ascensão do basquete alvinegro

Glaucio Cruz responde sobre o futuro do basquete alvinegro e as suas perspectivas para a próxima temporada no NBB

VAVEL Entrevista: diretor de esportes do Botafogo comenta ascensão do basquete alvinegro
Vitor Silva/SS Press/Botafogo

Potência no basquete há décadas atrás, a estrela do Botafogo voltou a brilhar no esporte. Após um aproveitamento de quase 70% na fase classificatória da Liga Ouro, o Glorioso se sagrou campeão e garantiu espaço no NBB, a divisão de elite do esporte no Brasil.

O basquete voltou a ficar em evidência esse ano, mas a ascensão do Alvinegro começou quando voltou a investir com mais seriedade na modalidade, que ficou "abandonada" por muito tempo. 

A equipe da VAVEL Brasil entrevistou Glaucio Cruz, diretor dos esportes olímpicos do Botafogo, mas com perguntas específicas e voltadas apenas para o basquete do clube com a conquista da Liga Ouro e a vaga para o próximo NBB. O dirigente falou sobre presentes objetivos de contratações, perspectivas para a próxima temporada e projetos a longo prazo por parte da diretoria do clube de General Severiano. Confira na íntegra abaixo.

VAVEL Brasil: A volta do basquete começou quando?

Glaucio: “Foi em 2015. Em 2016, jogamos Carioca de novo e fomos bicampeões. Participamos dos dois Estaduais também, mesmo não tendo uma boa participação. A liga chegou a sondar a gente perguntando se queríamos participar da Liga Ouro do ano passado, mas o nosso projeto era pra participar dessa Liga Ouro, porque achávamos que estaríamos melhor preparados. Quando a gente chegou (nos cargos da equipe após as eleições), o Botafogo tinha feito uma Liga Nacional de Basqeute (LDB) péssima. Não fizeram um time pra disputar a LDB. Eles pegavam garotos que eram da base do clube e cada jogo era uma etapa diferente. O time não treinava. Pro Botafogo entrar numa competição pra disputar de uma forma dessa é melhor não entrar. A Liga Nacional de Basquete não ia renovar o convite pro Botafogo continuar a participar do torneio. Eu falei pra eles que o projeto era diferente e que queríamos montar uma equipe competitiva. Mandamos o projeto pra eles, que aceitaram.”

VAVEL Brasil: Há o interesse, mesmo com eleições próximas, de manter esse projeto por mais anos?

Glaucio: “Eu acredito que depois do trabalho que a gente fez e pela repercussão que teve no basquete do Rio e na torcida do Botafogo, acho difícil - caso a gente venha a perder a eleição - que quem entre não dê continuidade a esse trabalho. Mas, da nossa parte a ideia é continuar. A gente entende o seguinte: se você tem o futebol forte, é ótimo. Mas se você tem o futebol, o basquete, remo, vôlei, pólo e a natação fortes você expande a marca do clube. A marca do clube ocupa mais espaço se você tem vários esportes em várias frentes.Óbvio, o futebol é o carro-chefe, a gente vai ter sempre tudo voltado antes pro futebol do que pra qualquer outra coisa. Mas os outros esportes também têm que estar vivos no clube.”

VAVEL Brasil: Qual a diferença financeiramente falando, tanto dos investimentos e do que o clube possa vir a lucrar, entre Liga Ouro e o NBB?

Glaucio: “Pro clube em si não tem muito retorno financeiro. Não teve na Liga Ouro, conseguimos colocar algum dinheiro porque tínhamos alguns patrocinadores e a gente procura alguns patrocínios pra poder continuar nisso. A negociação está boa e eu acredito que vamos conseguir isso e algumas coisas o clube coloca, tendo um pouco de retorno. Mas é assim, o retorno financeiro é a visibilidade que a NBB vai te dar. Vamos estar duas ou três vezes na semana na televisão fechada e uma vez na TV aberta.”

VAVEL Brasil: Há alguma obrigação financeira para participar do NBB?

Glaucio: “Você tem que comprovar um investimento. É um valor de 1 milhão e 200 mil reais por temporada, que você que tem gastar, mais ou menos, 120 mil por mês pra montar um time competitivo, mas básico do básico. A gente espera montar um time com até mais qualidade, com certeza. Ainda não foi apresentado (aos diretores do NBB), estamos negociando com os patrocinadores e estamos no caminho certo.”

VAVEL Brasil: Como vocês vêem o uso das categorias de base?

Glaucio: “Quando entramos, também mudamos a estrutura. Hoje, temos um coordenador técnico, o João Batista, justamente para que ele auxilie esse processo pra gente o tempo estar fazendo jogadores e estar utilizando esses jogadores no (nível) adulto. A ideia é sempre essa. Se você puder fazer um, dois ou três jogadores porque é muito difícil fazer um time inteiro. Isso, na verdade, não existe. Ninguém consegue aproveitar um time completo. Mas se a gente tiver o tempo todo um ou dois ou três jogadores que, chegando ao final de um ciclo de 8 anos de disputa na base ele consiga estar no adulto em bom nível, a gente vai estar realmente com uma estrutura boa.”

VAVEL Brasil: O Botafogo consegue se destacar nos torneios das divisões inferiores?

Glaucio: “A gente está sempre nas primeiras colocações, mas acho que ainda falta aprimorar algumas coisas, porque, por exemplo, nesses dois anos estivemos muito perto de um título na base que não conquistamos há muito tempo e ainda não conseguimos. É uma coisa que incomoda a gente demais. Era uma das nossas metas, mas como estava tudo muito bagunçado e largado quando a gente chegou, era muito difícil. Mas a gente está com bons times, principalmente no Sub-11 e no Sub-13, as categorias bem inferiores mesmo, de garotos mais novos. A gente espera que, pra frente, essas gerações dêem resultados.”

VAVEL Brasil: O que vocês esperam pra próxima temporada?

Glaucio: “O objetivo da gente é chegar entre os oito primeiros colocados. Ir pros playoffs. A gente espera montar um time que dê liga e espera conseguir chegar até a final. Botafogo sempre vai entrar pra ser campeão, isso é fato. Como o Paulistano, que surpreendeu. Os quatro primeiros colocados no último NBB foram superados pelo quinto, sexto, sétimo e oitavo colocados. Clubes que a gente não esperava que chegariam longe na verdade fizeram a final. Isso aconteceu porque fizeram o investimento certo, contrataram em posições corretas e o time rendeu. É mais ou menos o que a gente espera. A gente sabe que, como em qualquer projeto, é muito difícil ser campeão no primeiro ano, até porque a gente espera errar e trabalhar em cima desses erros para melhorar.”

Renovação de Jamaal é a grande prioridade. | Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo
Renovação de Jamaal é a grande prioridade. | Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo

VAVEL Brasil: Como está a situação das contratações?

Glaucio: “A gente já tem alguns jogadores que vão ficar dessa temporada. Avaliamos alguns e acreditamos que a maioria vai ficar. Estamos olhando o mercado, estamos avaliando tudo. Eu prefiro não falar sobre nomes. Eu torço muito para que o Jamaal continue, e ele ta muito bem encaminhado, a gente achou que ele se adaptou ao clube. E os caras que estão comigo desde o início, o Arnaldinho, Roberto, o Bahia, também estão bem encaminhados. O Jamaal é referência para qualquer clube no país. Acredito que ele jogaria em qualquer equipe da NBB. A gente já tem um armador, com certeza. E vamos pensar e tentar equacionar isso.”

VAVEL Brasil: Qual a sua expectativa sobre os jogos dentro de casa para a próxima temporada?

Glaucio: “Eu acho que inicialmente a gente tem que formar um público basqueteiro do Botafogo. Coisa que a gente não tinha já que o clube ficou muito tempo sem disputar uma competição de basquete. É assim, a gente conseguiu isso um pouco agora na final da Liga Ouro. O Ginásio Oscar Zelaya ficou muito cheio. Mas a gente precisa sentir no NBB como vai ser essa resposta. Eu acredito que ficará cheio, mas a gente precisa acostumar o botafoguense a ir ver o jogo de basquete, ter o hábito de ver. Eu acho que essa não vai ser a fonte de receita do clube no basquete ainda. Eu não penso em cobrar (ingresso). A gente cobrou na Liga Ouro, quem chegasse com a camisa do Botafogo entrava de graça, era cobrado apenas para quem estivesse sem a camisa do clube. Primeiro a gente tem que criar um sentimento de identificação do torcedor com o clube. O basquete tem o negócio do torcedor ficar mais perto do atleta, a interação é muito maior, isso é muito legal.”

Ginásio com lotação máxima na final da Liga Ouro | (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)
Ginásio com lotação máxima na final da Liga Ouro | (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)

VAVEL Brasil: Como você espera o Botafogo daqui a três anos?

Glaucio: “Eu espero estar disputando e sendo campeão do NBB. O Botafogo é um clube gigante, inclusive a torcida botafoguense deve estar muito feliz que a gente fez a aquisição de um CT gigantesco, em Vargem Pequena. E não posso pensar diferente, a gente tem que ganhar, não importa qual o esporte. Difícil eu te dizer que a gente vai ganhar no primeiro ou segundo ano, mas eu acredito que nesses três anos a gente consiga montar um elenco para ser campeão. E mais pra frente Liga das Américas ou até a Sul-Americana, nesse início, se conseguirmos nos classificar.”

VAVEL Brasil: Você tem pretensão de usar o CT para o basquete também?

Glaucio: “Não. O basquete fica em General Severiano. Nós temos um ginásio e uma boa estrutura, que será melhorada. A gente está com alguns incentivados e encaminhados para melhorar a estrutura do ginásio. Vamos receber o piso da liga, que deve chegar pra gente. O negócio é melhorar General Severiano, até porque também com a ida do futebol para o CT de Vargem Pequena, libera muitas estruturas do futebol que tem lá que não vão ser utilizadas e que podem ser aproveitadas pelos esportes olímpicos.”  


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