86 anos de Mário Zagallo: a sua história e a revolução no futebol

O aniversariante Velho Lobo é um dos maiores ícones do vitorioso futebol brasileiro e do Botafogo

86 anos de Mário Zagallo: a sua história e a revolução no futebol
(Foto: Getty Images Sport/Clive Mason)

Mário Jorge Lobo, Velho Lobo, Zagallo, pouco importa. Esse nome traz boas e únicas lembranças para qualquer amante do futebol. No dia de hoje, um dos maiores ícones do futebol brasileiro completa 86 anos. Mais do que as memórias positivas dentre todos os seus títulos conquistados, existe a idolatria por parte de todo – sem exceção – torcedor do Botafogo, clube o qual, provavelmente, foi o mais importante de sua carreira.

Não encantou apenas dentro das quatro linhas, como fora também. Tem uma carreira invejável tanto como jogador quanto como treinador. Foi o primeiro a conquistar duas Copas do Mundo por essas diferentes funções. Foi um revolucionário, do flanco esquerdo do campo a área técnica. Alguém que deveria ser visto como um exemplo do cume entre a junção entre sucesso, sabedoria e talento. 

 

Carreira como jogador: inovador e vitorioso

Natural de Maceió, foi morar ainda bebê no Rio de Janeiro, onde teve a sua primeira experiência como jogador de futebol, no América, clube o qual permaneceu por dois anos até se transferir pro Flamengo, em 1950. No Rubro-Negro, faria muito sucesso e conquistaria o tricampeonato carioca, em 1953, 1954 e 1955.

Brilhou tanto que chamou a atenção de Vicente Feola, treinador da Seleção Brasileira na Copa de 1958. O Velho Lobo, mesmo não sendo tão espetacular quanto, desbancou Canhoteiro, que jogava no São Paulo – e não fora nem convocado – e Pepe, um dos maiores ídolos da história do Santos, que amargou a reserva daquela equipe, que traria o primeiro título mundial às terras tupiniquins. Zagallo contribuiu com um gol na grande final, contra a Suécia.

Mas, por qual motivo seria escolhido se não foi tão espetacular quanto alguns atletas daquela época? Mário foi um inovador do futebol. Jogando na ponta esquerda, ele não se preocupava apenas em atacar e foi um dos precursores da, atualmente famosa, disciplina tática. Ele foi marcado como um jogador que era um dos principais ajudantes do sistema defensivo, aquele que cobria o lateral, que era um refugo para os rápidos contra-ataques. Na época, não havia nada igual: Zagallo conseguia sobressair a habilidade e a qualidade técnica com a sua genialidade.

Após o sucesso em Solna, Zagallo voltaria ao Brasil com um novo desafio: meses após ser campeão mundial, fecharia com o Botafogo, clube em que se aposentou e defendera entre 1958 e 1965, onde faria parte do maior esquadrão da história do clube de General Severiano e, consequentemente, colocaria o seu nome na prateleira dos grandes jogadores que já defenderam a camisa alvinegra.

Nilton Santos, Garrincha, Didi e Zagallo: um dos maiores times da história do Glorioso (Foto: Divulgação/Botafogo)
Nilton Santos, Garrincha, Didi e Zagallo: um dos maiores times da história do Glorioso (Foto: Divulgação/Botafogo)

Ao lado de craques como Manga, Amarildo, Nilton Santos e Didi, o Botafogo de Zagallo encantaria a todos e se sagraria bicampeão carioca, conquistando os títulos nos anos de 1961 e 1962. Além disso, chegaria longe na Taça Libertadores de 1963, quando foi eliminado pelo Santos de Pelé nas semifinais.

Mesmo com uma idade mais avançada, seria convocado para a Copa do Mundo no Chile, em 62. Assim como quatro anos anteriormente, Zagallo foi uma importante peça da Seleção Brasileira, que conquistaria o seu segundo título mundial. Ao lado de todas as estrelas daquele espetacular Botafogo, o Velho Lobo foi escolhido para a seleção do torneio, que o consagrou definitivamente na história do futebol brasileiro.

 

Carreira como treinador: o espetáculo continua

Meses após se aposentar das quatro linhas, Zagallo não largaria o futebol por completo e assumiria o comando das categorias de base do Botafogo. Após um tempo, Admildo Chirol, treinador da época, deixaria o Glorioso para fazer integrar a comissão técnica da seleção brasileira e o Velho Lobo assumiria o posto de técnico do Alvinegro de General Severiano.

Dessa vez participando do jogo na área técnica, Zagallo provaria que seria tão bom quantos nos tempos de jogador e se consagraria como um dos maiores treinadores da história do Botafogo. Mesmo com apenas dois anos no cargo, ele levou o Alvinegro ao título carioca de 1967 e seria um dos principais fatores para o glorioso ano de 1968, quando o clube conquistaria o bicampeonato estadual e o Campeonato Brasileiro. Ao lado dele, estiveram Gérson, Jairzinho, Roberto Miranda, Paulo Cézar Caju, entre outros.

Zagallo no comando da seleção em 1974 (Foto: Reprodução/CBF)
Zagallo no comando da seleção em 1974 (Foto: Reprodução/CBF)

Tanto sucesso fez com que Zagallo fosse o escolhido para substituir João Saldanha no comando do Brasil na Copa do Mundo de 1970. Apesar de ter assumido dois meses antes da competição começar, o Velho Lobo colocou todo o seu conhecimento em prática e trouxe o terceiro título mundial do país, batendo a Itália na final por 4 a 1.

Além disso, esteve no comando da seleção pentacampeã nas Copas de 1974 (quarto lugar) e 1998 (vice-campeão) e como auxiliar técnico em 1994, quando a seleção canarinho conquistou o seu quarto título. Ou seja, as quatro primeiras conquistas mundiais da maior seleção do mundo tiveram participação direta de Mário Zagallo.

Não apenas em Copas do Mundo, o Velho Lobo deixou a sua marca em todos os campeonatos possíveis. Conquistou,como treinador, a Copa das Confederações e a Copa América, ambas em 1997; E, na função de assistente de Carlos Alberto Parreira, a Copa América de 2004 e a Copa das Confederações de 2005. Não havia outra opção: seríamos obrigados a engoli-lo.

 

O seu legado

Zagallo, por conta de toda a sua história, é uma referência quando o assunto é Botafogo. Mesmo com toda a sua identificação com todos os brasileiros por conta de suas conquistas à frente da seleção, o Velho Lobo foi o pioneiro no coração dos botafoguenses, fazendo parte dos dois maiores times da história do clube.

Um gênio tático, um estrategista nato. Revolucionou o futebol como um ponta esquerdo jamais visto antes. Revolucionou o futebol mostrando que era possível ser bem sucedido nas funções de jogador e de treinador dentro do esporte. Zagallo é, sem dúvidas, um dos maiores ícones de toda a história do futebol. 

Zagallo com sua estátua no Estádio Nilton Santos: um dos maiores ídolos da história do Botafogo (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)
Zagallo com sua estátua no Estádio Nilton Santos: um dos maiores ídolos da história do Botafogo (Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)

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