Jair Ventura classifica virada para o Fluminense como a pior do ano: "Noite para ser esquecida"

Gol no primeiro minuto não foi suficiente para segurar o resultado e o Botafogo cede a vitória para o Fluminense

Jair Ventura classifica virada para o Fluminense como a pior do ano: "Noite para ser esquecida"
(Foto: Vítor Silva/SSPress/Botafogo)

A equipe de Jair Ventura recebeu o Fluminense, no Estádio Nilton Santos, pelo último clássico carioca do ano. O Botafogo começou a partida com o pé direito, com um gol logo no primeiro minuto, mas viu o rendimento da equipe cair, o Fluminense crescer e conseguir a virada. O jovem técnico, que vinha em hamornia com a torcida, não escondeu a frustração em entrevista coletiva e admitiu os erros de sua equipe. 

“Seria muito fácil falar que o Botafogo fez seu pior jogo do ano. Fez. Foram 67 jogos no ano. Hoje foi o pior. Mas aí tiramos o mérito do Fluminense, que fez um grande jogo. Não tenho o que explicar. Hoje foi uma noite para ser esquecida. Nada deu certo. Começamos muito bem os primeiros 5 minutos e depois não conseguimos jogar. Analisamos a performance, o resultado foi justo. Fizemos um jogo péssimo, o pior do ano e o Flu venceu. Simples assim”, disse. 

No fim da partida, parte da torcida gritou "Burro!" em direção a Jair Ventura pelas substiuições, principalmente ao colocar Gilson no lugar de Marcos Vinícius. O técnico não vê a crítica da torcida como algo negativo ou preocupante. "Eu virei treinador hoje. Fui batizado. Ser chamado de burro pela primeira vez depois de um ano e três meses é até bom. Normal. Gosto de assumir a responsabilidade, por isso virei treinador. Fiz um péssimo jogo ao lado da minha equipe. O torcedor tem toda a razão", concordou. O técnico preferiu assumir os erros ao falar das atuações individuais dos seus jogadores. "Eu gesticulei quase todo o jogo. Jogamos muito aquém. Não sou de culpar os jogadores. A responsabilidade é minha. Já tenho mais de 80 jogos e vocês nunca vão me ver transferir a culpa para os atletas", respondeu. 

O Botafogo passou pela sua terceira virada em casa nesse Campeonato Brasileiro - contra o São Paulo, Vitória e Fluminense. Para um time que visa o G4 da competição, esses pontos perdidos em casa podem se tornar uma pedra no caminho. Jair Ventura prefere manter a confiança e garante luta e entrega dos seus atletas, marcas desse Botafogo de 2017. “Se juntarmos os jogos que perdemos de virada, já estaríamos passando o Corinthians. Mas o futebol é assim. No ano passado só conseguimos a vaga na última rodada contra o Grêmio. Nada é decisivo. Enquanto houver oportunidade, vamos lutar”. 

A fim de explicar a opção por Gilson, Jair defendeu que o lateral esquerdo é um jogador mais tático e era essa característica que ele precisava naquele momento contra o Fluminense. "Quando tiro o Marcos e coloco o Gilson, faço a mesma coisa que fiz contra o Atlético-MG. Eu não posso colocar o Valencia para fazer a lateral. O Fluminense estava tomando conta do jogo e eu tinha que mexer. Eu precisava de um jogador tático, e o Leo Valencia ainda não tem isso no Botafogo. Precisa melhorar bastante.", esclareceu. 

A questão Leo Valencia

Outra crítica muito feita a Jair Ventura é sobre o chileno Leo Valencia, que chegou ao Botafogo em agosto após ser disputado pelo Vasco e foi muito comemorado pelos torcedores. O jogador soma apenas 10 partidas pela equipe e virou um questionamento dos botafoguenses ao técnico. Segundo Jair, seu critério é a meritocracia e, por enquanto, Valencia ainda não apresentou bons resultados. “Todo jogador chega cercado de expectava. Foi assim com Canales, Lizio, Yaca, Bazzalo. Eles não conseguiram a render. Pode ser que ele possa vir a render. Torço por isso. Se o grupo é enxuto e você não usa é porque realmente tem algo errado. Em 10 jogos, o Valencia não tem nenhuma assistência e nenhum gol. Ele tem que se ajudar e eu vou ajudar ele no time. Vai jogar quem tiver uma condição melhor. Vai ter que trabalhar forte. Meritocracia", explicou.

Mesmo sabendo dos pedidos dos alvinegros pelo chileno, Jair prefere confiar em si e se manter firme em suas convicções. "A torcida pode pedir, mas eu tenho as minhas convicções. Se eu estiver atrapalhando, eu posso sair. Mas vou fazer o que eu acho. Eu tenho um amigo (Zé Ricardo) que foi fazer o que a torcida pediu pela primeira vez e foi demitido. Não sou teimoso, mas tenho as minhas convicções. Sempre em prol do grupo e não de uma pessoa”. 

Outro jogador que vem sendo muito criticado e chegou a ser vaiado em campo nesse sábado (04) é o atacante Rodrigo Pimpão, que viveu lua de mel com a torcida no começo do ano após os gols decisivos na Libertadores. Para o técnico, apesar das partidas abaixo do esperado, o jogador deve continuar na titularidade. "O Pimpão é muito criticado. Atacante quando não vai bem é muito criticado. Mas hoje ele deu a 12ª assistência do ano. Isso mostra porque ele joga. Eu confio nos meus atletas", defendeu o treinador. 

O próximo adversário do Botafogo é o Sport, que também não vive um grande momento na competição, no dia 8 de novembro, na lha do Retiro, pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. Após a derrota contra o Fluminense, o Glorioso dorme em 6º lugar com 48 pontos, mesmo número de pontos que o Cruzeiro e a 3 pontos do Grêmio, que fecha o G4. O time de General Severiano ainda pode ser ultrapassado pelo rival Flamengo, em 7º, com 47 pontos, que ainda joga contra o Grêmio nesse domingo (05).