Análise: apesar de boas ideias, Botafogo deixa a desejar no primeiro jogo sob Felipe Conceição

Primeiro teste dá a sensação de esperança que equipe possa desenvolver tudo aquilo que é pedido e treinado pelo novo treinador

Análise: apesar de boas ideias, Botafogo deixa a desejar no primeiro jogo sob Felipe Conceição
Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo

Existe uma máxima no futebol que afirma que “a estreia é sempre a partida mais complicada de um campeonato”, por conta da pressão, expectativa vinda da torcida e a falta de ritmo, ainda mais em um país onde a pré-temporada tem um período ridiculamente curto. O último fator citado atrelado a presença de um novo treinador pode resultar em uma equipe que ainda está se conhecendo, tentando construir seus traços e uma identidade de jogo.

Esse foi justamente o caso do Botafogo de Felipe Conceição no primeiro jogo do ano, contra a Portuguesa, na Taça Guanabara, o primeiro turno do Campeonato Carioca. No Estádio Nilton Santos, a equipe de General Severiano até tentou imprimir tudo aquilo que vem sendo praticado pelo treinador nas últimas semanas, possibilidade de aproximação, triangulações, passes rápidos e jogadas bem trabalhadas, mas, claramente, faltava um experimento “de verdade”.

No primeiro tempo, o Botafogo errou muitos passes em jogadas que, se bem trabalhadas, poderiam gerar chances reais de gol. O que foi notado fora uma equipe um pouco nervosa, que muitas vezes não conseguia desenvolver essas oportunidades por conta de uma pequena dose de preciosismo ou nervosismo. O cenário, porém, é animador, já que foi possível enxergar, pelo menos, tentativas de um futebol que tem como a intenção propor – fator que não era notado com Jair Ventura –, principalmente no segundo tempo.

Os dois gols da Portuguesa-RJ saíram em falhas de defesa que podem ser facilmente acertadas: no primeiro tento, João Paulo era o responsável por marcar Alexsandro, referência da equipe adversária, que, obviamente, conseguiu levar vantagem no jogo aéreo, que acabou resultando em todo aquele gol. No segundo gol, Arnaldo e Luiz Fernando se confundiram no lado direito, o que acabou gerando espaço para Sassá marcar. Fatores que são absolutamente normais e que podem ser corrigidos com o tempo.

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Na etapa complementar, a equipe, com dois gols de desvantagem, tentou ir mais ao ataque, deixando menos espaços à Portuguesa e tendo mais posse de bola na parte ofensiva do campo. Mesmo assim, e apesar do gol de Brenner no início do segundo tempo, faltou criatividade em muitas ocasiões, já que a maioria das jogadas acabavam em cruzamentos precipitados vindos dos laterais Gilson, que foi uma boa válvula de escape, e Arnaldo, que deixou a desejar.

(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)
(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)

Essa situação mudaria aos 25 minutos, quando Felipe Conceição colocaria Marcos Vinícius e Ezequiel em campo. Abdicando um pouco do contexto das criações bem-trabalhadas, o treinador buscou uma equipe que fosse boa o suficiente para atacar, sem necessariamente impressionar. Esse ponto é importante, já que é totalmente necessário um treinador saber mudar a personalidade da sua equipe no decorrer dos jogos.

O jovem garoto da base passou a incomodar os laterais Cássio e Diego Maia do jeito que podia, apesar de desperdiçar algumas bolas às vezes – o que é totalmente normal. Marcos Vinicius, por sua vez, foi mais incisivo do que Valencia, apesar de apresentar uma qualidade técnica inferior. Com essa combinação, o Botafogo passou a incomodar a Portuguesa, que cedia muitos escanteios por conta do aumento do poderio ofensivo. Em um desses, no último suspiro da partida, o Glorioso conquistou o empate, que, no fim, foi justo.

A conta

As primeiras ideias de Felipe Conceição sob o comando do Botafogo são muito interessantes, apesar do resultado ruim e da pífia criação nessa terça-feira (16). Com o tempo, será possível enxergar, cada vez mais, o perfil que o treinador deseja para a equipe, que tem tudo para retornar a ser um time que consegue criar jogadas e se impor diante dos adversários. Nesse contexto, o Campeonato Carioca será de extrema importância, já que será um “grande teste” para o Brasileirão – e, por isso, é importante que os torcedores tenham ciência disso e evitem vaias, que puderam ser ouvidas durante o fim do primeiro tempo.