Carreira, opiniões e características: o que esperar de Kieza no Botafogo?

VAVEL Brasil faz uma análise explicando a carreira do atacante e indicando seus principais atributos, inclusive com opiniões de outras pessoas

Carreira, opiniões e características: o que esperar de Kieza no Botafogo?
Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo

O Botafogo ficou, praticamente, todos os dias de 2018 buscando um atacante, visto que, excluindo oriundos das categorias de base, o único jogador do setor era Brenner e, com o apertado calendário em Copa do Mundo, era muito necessária a adição de outro nome para esse setor. Após muitas conversas e nomes especulados, a equipe de General Severiano anunciou a contratação de Kieza junto ao Vitória.

Mas o que pode oferecer Kieza? Como foi seu desempenho com a camisa do Vitória? Como os torcedores do rubro-negro baiano classificam a passagem do atacante pelo clube? A VAVEL Brasil preparou um especial falando sobre todo o panorama que pode cercar o atleta: como ele pode ajudar o Botafogo e suas principais características.  

Trajetória

Começou sua carreira no futebol do Espírito Santo e, após ser artilheiro da Copa ES de Futebol, assinou com o Americano, de Campos, um dos tradicionais clubes do Rio de Janeiro. Por lá, se destacou na Copa do Brasil de 2009 quando ajudou sua equipe a eliminar Santa Cruz, marcando três gols, e, ironicamente, o Botafogo, quando balançou a rede em uma oportunidade e viu seu time se classificar nos pênaltis.

Sua primeira oportunidade em uma equipe grande no cenário do futebol brasileiro foi no Fluminense, em 2009, quando jogou relativamente bem, conseguindo substituir Fred, que havia se machucado, à altura, mas acabou perdendo espaço com o retorno do atacante. No ano seguinte, assinou com o Cruzeiro, onde, apesar de um bom início, não conseguiu convencer – sendo emprestado, após alguns meses, para a Ponte Preta.

(Foto: Vanderlei Almeida/AFP)
(Foto: Vanderlei Almeida/AFP)

2011 seria o principal ano de sua carreira: pelo Náutico, foi campeão do Campeonato Pernambucano e vice da Série B, marcando 27 gols na temporada. Sem dinheiro após o fim do empréstimo, o atacante deixaria PE e rumaria ao Al-Shabab, clube da Árabia Saudita. Após um ano longe do país, retornou ao Timbu, quando, mais uma vez, foi um dos principais jogadores da equipe, que classificou para a Copa Sul-Americana naquele ano.

Após isso, iria ao Shangai Shenxin em 2013. Mas, assim como da outra vez, retornaria ao Brasil após um ano longe das terras tupiniquins. Em 2014, assinou com o Bahia, onde foi, por algum tempo, o principal atacante do Tricolor do Aço. Com certo sucesso, marcando 29 gols em 50 partidas em 2015, se transferiu ao São Paulo em 2016, clube em que ficou apenas três meses, já que não conseguiu apresentar boas atuações.

Vitória

Pelo rubro-negro, teve um ano bom em 2016. Foram 13 gols em 46 partidas, mas um desempenho dentro de campo, buscando ajudar na pressão e recompondo na defesa, bom. Foi importante quando precisou e guardou importantes tentos durante a campanha do Vitória contra o rebaixamento. No fim, a equipe baiana conseguiu escapar da segunda divisão, ficando apenas dois pontos na frente do Internacional.

Em 2017, teve um começo de ano bom, marcando nove gols no primeiro semestre, contando partidas de Campeonato Baiano, onde balançou a rede cinco vezes, e Copa do Nordeste, contribuindo com quatro tentos. Pelo Brasileirão, teve com um começo animador, marcando três gols nas sete primeiras rodadas – sendo que ficou de fora das duas rodadas iniciais, por conta de problema muscular.

(Foto: Heuler Andrey/AFP)
(Foto: Heuler Andrey/AFP)

Após isso, porém, o jogador ficou mais marcado pelas lesões do que por gols, já que não balançaria as redes em mais nenhuma outra oportunidade no campeonato. Dessa maneira, surgiu o colombiano Santiago Tréllez, que assumiu a vaga de titular na equipe de Vágner Mancini. Kieza, por sua vez, ficaria como terceira opção do elenco, já que André Lima era, em tese, a reposição direta do atacante que assinou com o São Paulo recentemente.  

O que dizem as outras pessoas?

Pontos positivos

Rudielle Mendes, coordenador do Vitória na VAVEL Brasil: “Kieza sempre foi muito bom finalizador e oportunista. Em 2016, fez uma reta final de bom nível atuando com Marinho e Zé Love, esquema de três atacantes utilizado por Argel Fucks. Apesar do destaque de Marinho, o atleta contribuiu com gols e assistências.”

Renata Guerra, coordenadora do futebol pernambucano na VAVEL Brasil: “Apesar da fama de mercenario, ele honrou bem a camisa do Náutico. Ajudou o clube em uma das melhores campanhas na Série A e a vaga na Sul-americana. É um atacante rápido, mas pode jogar como um nove clássico. Tem essas duas opções.”

Leonardo Sanfilippo, torcedor do Fluminense: “Era um jogador rápido, esforçado e jogou muito bem, sendo o principal goleador da equipe na ausência de Fred.”

(Foto: Divulgação/Náutico)
(Foto: Divulgação/Náutico)

Pontos negativos

Rudielle Mendes: “Kieza na maioria das vezes foi apático. Em diversos jogos no Barradão, a torcida demonstrava insatisfação por pouco contribuir na marcação da saída de bola do adversário. Outro fator foram as lesões: em quase dois anos no clube, atuou em 80 partidas. 2017 foi o pior ano nesse aspecto. Kieza fez duas cirurgias, uma delas tirou o atacante dos gramados por quase 120 dias.”

Renata Guerra: “A impressão ruim ficou mais na parte financeira. Sempre com negociações conturbadas e polêmicas.”

Leonardo Sanfilippo: “Oscilava muito nas partidas. Alternava bons e maus momentos no mesmo jogo.”

(Foto: Friedemann Vogel/Getty Images)
(Foto: Friedemann Vogel/Getty Images)

Qual impressão deixou?

Rudielle Mendes: “Passagem abaixo do esperado e alívio na folha salarial do Vitória, que pagava mais de R$ 200 mil no atacante, que não correspondeu nos gramados.”

Renata Guerra: “Pelo Náutico, ele deixou uma impressão boa e a torcida aceitaria de volta sem à menor dúvida. Criou uma identidade com os torcedores e tem até música produzida pela maior organizada do Náutico. Foi artilheiro nas duas passagens e deixou o clube em uma situação boa quando saiu.”

Leonardo Sanfilippo: “Como era jovem, era uma boa opção para a disputa da temporada, sendo um bom jogador de elenco.”

O que esperar no Botafogo?

Apesar de vir de uma temporada abaixo do esperado e com relações conturbadas com os torcedores do Vitória, Kieza dá a impressão de que vai conseguir se adaptar ao ambiente do Botafogo com certa facilidade. Nesse contexto, a presença de seu pai, Carlos Almeida, pode ser importante: botafoguense de carteirinha, ele se diz muito orgulho de ver seu filho representando a camisa da equipe que torce. O atacante, por sua vez, afirma que está feliz e fará de tudo para realizar o sonho de seu progenitor, que é fazer sucesso na equipe de General Severiano.

Kieza pode ser uma importante adição ao elenco, que não possui nenhum jogador no ataque com a característica de velocidade e mobilidade. Diferentemente de Brenner, que é um jogador que atua melhor fazendo pivôs e jogando entre defensores, o novo contratado pode dar uma opção de um ataque leve, podendo ser muito bem aproveitado em situações de contra-ataque.  

Quem ganha com isso é Felipe Conceição. A partir de agora, o treinador pode escalar o Botafogo de acordo com as circunstâncias das partidas, dependendo de como as equipes adversárias se comportem. Se optar por uma equipe que precise mais, por exemplo, da bola aérea, Brenner é a melhor opção. Se quiser um time leve, prezando as transições, Kieza é o nome certo. O leque de opções aumenta.