Análise: faltou um pouco de tudo na eliminação do Botafogo, menos desorganização

Ideias mal elaboradas de Felipe Conceição resultam na maior presença de pontos negativos do que positivos

Análise: faltou um pouco de tudo na eliminação do Botafogo, menos desorganização
Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo

A entrada de um novo treinador é um clube é sempre complicada. Novas ideias, pouco tempo para tentar concretizá-las por conta do apertado calendário, o pode resultar em um clube com pouco entrosamento no começo da temporada. A solução para isso é, teoricamente, colocar a equipe para jogar dentro de campo e reforçar ideias de posicionamento e plano de jogo diariamente nas sessões de treino.  

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Teoricamente, já que, nesta terça-feira (6), o Botafogo foi eliminado para a Aparecidense, apesar da grande diferença técnica e financeira, pela primeira fase da Copa do Brasil. Além do prejuízo financeiro, por conta de premiações, fica o prejuízo técnico e um capítulo ruim na história do clube de General Severiano. Mas, há um fator que pode tentar “explicar” todo esse panorama ruim: a ideia de escalação do treinador Felipe Conceição.

A equipe do Botafogo, como mencionado na análise anterior, mostrava a falta de prática, apesar das boas ideias praticadas, no 4-1-4-1 montado pelo treinador. Contra a equipe de Goiás, porém, Felipe Conceição entrou com uma equipe composta por três zagueiros, algo que tinha sido visto em um tempo praticamente mínimo durante as partidas. O resultado foi lógico: uma equipe desorganizada, sem gana e que sucumbiu diante de um time com menor investimento, sim, mas que soube aproveitar as circunstâncias da partida e, com boas substituições de seu treinador, conseguiu a classificação.

Teoricamente, o esquema oferecia boas opções, já que prezava por uma maior participação dos laterais – ou alas – da equipe, no caso Gilson e Arnaldo, que são laterais marcados pela sua força ofensiva e, consequentemente, teriam mais oportunidades para participar dos ataques do Botafogo. O outro seria o reforço da parte defensiva, que iria enfrentar o atacante Nonato, que tem a bola aérea como uma de suas principais qualidades.

Na prática, porém, foi um total fracasso: em um esquema que favorecia os alas, Arnaldo e Gilson foram praticamente nulos tanto no ataque quanto na defesa, já que os dois gols saíram de cruzamentos de atletas com liberdades, que deveriam, em tese, ser marcados pelos dois. Não apenas nessa partida, mas numa ‘era Felipe Conceição’ como um todo: os dois não conseguem participar da partida com qualidade e não aparecem nas fases ofensivas como faziam antigamente, sendo praticamente nulos.

A equipe, mais uma vez, passou pelo problema da falta de criação. João Paulo, mais uma vez, foi o único jogador com uma atuação regular na partida, tendo contribuído diretamente com o único gol do Botafogo. Dudu Cearense e Luiz Fernando, por sua vez, indo pelo caminho contrário e não conseguindo ser criativos o suficiente para criar alguma chance. Rodrigo Pimpão, no primeiro tempo, também teve um bom desempenho – que foi estragado posteriormente, quando recebeu um bobo cartão vermelho.

O terceiro ponto negativo foi justamente outro motivo pela escolha da formação: o jogo aéreo. A equipe de General Severiano levou dois gols a partir de cruzamentos, em que os jogadores conseguiram se adiantar aos zagueiros e cabecear sem chances para qualquer defesa de Jefferson. Se a intenção de perder um jogador ofensivo era reforçar esse setor, a ideia passou longe daquilo que fora planejado.

O último – mas não menos importante – ponto negativo da partida foi a falta de opções que Felipe Conceição tentou procurar em uma situação adversa. O Botafogo trouxe reforços para aumentar o elenco e evitar o maior problema de 2017. O treinador, porém, parece não confiar muito nas peças que estão no banco de reservas: Renatinho, mais uma vez, teve pouco tempo para jogar e é impossível que o jogador tente criar algo nos poucos minutos que esteve em campo. O jovem Ezequiel, por sua vez, que possui características boas para esse estilo de partida, não teve sua entrada nem cogitada. No fim, foram peças interessantes que não foram aproveitadas e poderiam ter mudado o rumo da partida.