Neto: surgimento tardio no futebol não atrapalha zagueiro de brilhar com sua experiência

Carioca, de 31 anos, apareceu no futebol aos 27 no Guarani, mas foi na Chapecoense que se sobressaiu, usando de sua experiência para motivar companheiros

Neto: surgimento tardio no futebol não atrapalha zagueiro de brilhar com sua experiência
Neto: surgimento tardio no futebol não atrapalha zagueiro de brilhar com sua experiência

O mundo se chocou nesta terça-feira (29), quando o avião que transportava a delegação da Chapecoense, jornalistas e convidados caiu próximo de Medellín, onde seria disputada a primeira final internacional do clube nesta quarta (30). Dos 77 a bordo, apenas seis sobreviveram, e um destes sobreviventes foi o zagueiro Hélio Hermito Zampier Neto, ou simplesmente, Neto. O atleta, de 31 anos, foi resgatado com vida e inicialmente seu quadro era crítico, porém, 24 horas depois do acidente, o médico responsável pelo jogador afirmou que ele mostrou evolução.

Início quieto e persistência no sonho marcaram primeiros anos da carreira

Neto é carioca, nascido e desenvolvido futebolisticamente no Rio de Janeiro, de onde saiu das categorias de base do Vasco, em 2005 e foi para o Paraná. No clube paranaense conquistou o campeonato estadual daquele ano, apesar de não ter entrado em campo. Também teve passagens pelo Cianorte e Francisco Beltrão, também do estado do Paraná, até que foi parar no Guarani em 2009. Chegou a disputar três partes com o time de Campinas, mas logo foi emprestado para o Metropolitano de Santa Catarina. No clube do Sul, entrou em seis oportunidades e marcou um gol.

No ano de 2011, voltou ao Guarani, porém continuou com uma carreira quieta, entrando em apenas seis jogos naquele ano, sendo quatro na Série B e dois pela Copa do Brasil. O destino do zagueiro carioca, porém, estava para mudar no ano seguinte, onde seria descoberto no futebol brasileiro, apesar de tarde visto a idade (27 anos).

Remanescente do elenco do ano anterior, Neto participou ativamente do Campeonato Paulista de 2012, onde ajudou o Guarani ao vice-campeonato, perdendo para o Santos de Neymar na grande final. O time de Campinas, porém, eliminara o Palmeiras e seu rival, Ponte Preta, para conquistar o lugar na disputa pelo título estadual. Fez 18 jogos, marcando um gol na edição de 2012 do Paulistão. Também fez três jogos pela Copa do Brasil, anotando mais um tento. Completou a lista com 11 aparições na Série B, terminando o ano com 32 jogos, o máximo em sua carreira em uma temporada.

A consistente atuação no Paulista de 2012 chamou atenção do próprio Santos. O clube alvinegro passou a contar com os esforços do zagueiro já em 2013. Uma lesão atrapalhou que o ano fosse mais movimentado, tendo apenas 11 jogos em sua primeira temporada com a equipe santista. Em 2014, porém, a sólida campanha nos gramados voltou e atuou num total de 29 jogos, sendo 16 no Paulista, dois na Copa do Brasil e 11 no Brasileirão marcando um gol.

O Santos decidiu não renovar o contrato de Neto, mas ele não ficou sem clube por muito tempo. Um certo clube do Sul do país, oeste de Santa Catarina para ser mais preciso, se interessou pela experiência do zagueiro, além da já acostumada estadia em estados dessa região brasileira.

Foto: Edu Andrade/ STR / Getty Images
Foto: Edu Andrade/ STR / Getty Images

Sem contrato, assinou com a Chapecoense em 2015 para entrar pra história

Com a Chape, em 2015, fez 31 partidas, sendo sua grande maioria, dessa vez, na Série A do Campeonato Brasileiro, com 23 jogos participados. Ajudou na campanha que assegurou mais um ano no Brasileirão. As outras aparições foram três no Catarinense, quatro na Sul-Americana e um na Copa do Brasil. A solidez foi se estabelecendo ao longo dos anos e esse marca o segundo seguido e terceiro em quatro temporadas que o carioca conseguiu fazer mais de 25 jogos no ano.

Na Sul-Americana tirou uma bola em cima da linha contra o Libertad na partida de ida das oitavas de final, evitando o empate do time paraguaio na ocasião. Se aquela bola entra, a Chape não teria se classificado na outra semana. Possivelmente o momento heroico daquele ano do zagueiro.

O ano de 2016 tinha tudo para ser talvez o mais sólido da carreira do atleta, o que tivesse mais jogos, uma vez que sua experiência na Chape já era indispensável. Disputou o Catarinense e foi fundamental no título deste ano, o que mostrava a grandeza que seria o ano do clube – e do atleta. Porém, uma lesão o tirou do começo do Brasileirão. Passou por cirurgia e ficou fora por três meses aproximadamente, quando retornou na 26ª rodada, mas ainda como reserva. Duas rodadas depois estreou entrando no intervalo. Com ritmo estabelecido, a titularidade era questão de tempo.

Neto jogou os todos os 180 minutos dos jogos contra o Junior Barranquilla pelas quartas de final da Sul-Americana e contra o San Lorenzo. Nos momentos decisivos da campanha da Chape, ele esteve presente. Dentro e fora de campo. Fora porque usava de sua experiência nas preleções, onde motivava os jogadores antes dos jogos, recurso fundamental para qualquer equipe. Por sorte, o Verdão do Oeste contava com dois nesse quesito – Cléber Santana encerrava as falas de Neto. Viajou para enfrentar o Palmeiras no último domingo, mas não entrou em campo, poupado para a primeira partida da final do certame internacional.

A força, persistência e experiência adquirida no futebol ajudaram Neto a se tornar zagueiro de confiança na Chapecoense. Força e persistência são o que todos nós pedimos para você neste momento de recuperação, Neto. Afasta mais essa bola em cima da linha, guerreiro. Estamos com você!

Foto: Nelson Almeida / Getty Images
Foto: Nelson Almeida / Getty Images