Cléber Santana: meia se encontrou na Chapecoense e virou simbolo de liderança

Após passagens por Santos, São Paulo, Flamengo, Atlético de Madrid e Mallorca, meio-campo, de 35 anos, conseguiu afirmação no clube catarinense, onde foi capitão e ídolo

Cléber Santana: meia se encontrou na Chapecoense e virou simbolo de liderança
Cléber Santana: Andarilho, meia se encontrou na Chape e virou simbolo de liderança

 

A trágica queda do avião que levava o elenco da Chapecoense, jornalistas e convidados, nesta terça-feira (29), chocou o mundo. Embalados pela busca de um sonho, os heróis de condá se tornaram eternos ao conduzir a equipe ao capítulo mais bonito e mais triste de sua história.

Entre as 71 vítimas estava o atleta Cléber Santana Loureiro, de 35 anos. Após passagens por diversos clubes do Brasil e exterior, o meia se firmou na Chapecoense, se tornando capitão, ídolo e grande referência dos jovens do elenco.

O começo

Em 2000 Cléber Santana iniciava sua carreira no futebol profissional, na equipe do Sport. Natural de Recife, o meia debutou com o título estadual e da Copa do Nordeste.  Sua passagem no leão durou até 2003, ano em que conquistou sua segunda taça do pernambucano. Rumou então para o Vitória, onde teve atuação destacada na conquista do título baiano de 2004.

Após breve passagem pelo Kashiwa Reysol, do Japão, Cléber voltou ao Brasil para atuar no Santos, a pedido de Vanderlei Luxemburgo. O jogador que era uma incógnita para os santistas, logo fez sucesso, sendo protagonista na conquista do Paulistão 2006. Destaque para o gol de falta, que abriu a virada contra o Juventus no Pacaembu, e na última rodada do torneio, na vitória por 2 a 0 sobre a Lusa, quando o peixe finalmente se sagrou campeão.

O grande momento

No ano seguinte Cléber Santana seguiu sendo destaque no peixe, o ajudando a conquistar o bi-campeonato paulista. O bom desempenho atraiu os olhares dos europeus e o meia deixou o Santos rumo ao Atlético de Madrid no segundo semestre de 2007. 

Nos colchoneros, o jogador chegou em uma leva de contratações que envolvia: Diego Costa, Diego Forlán e Raúl Garcia. A passagem pelo atleti não foi das mais destacadas e logo foi emprestado ao Mallorca, onde fez mais sucesso na Espanha, marcando gols, inclusive, em Real Madrid e Barcelona.

A boa passagem pelo Mallorca, com 6 gols em 40 partidas, animou os dirigentes do Atlético de Madrid. Que pretendiam o utilizar na temporada 2009/10. Porém, uma lesão e a dificuldade de adaptação da família do jogador à cidade, fizeram com que Cléber Santana aceitasse uma proposta do São Paulo. O negócio custou 2 milhões de euros ao cofre tricolor, além de dar preferência de compra do zagueiro Miranda.

“Era um cara muito familiar e respeitoso com os técnicos e muito tranquilo. Talvez tenha lhe faltado ambição para ser mais competitivo, porque condições ele tinha”, descreveu Jesús García Pitarch, diretor esportivo do Atlético de Madrid que indicou a contratação do meia na época.

Retorno ao futebol brasileiro

No São Paulo Cléber Santana atuou por duas temporadas (2010 e 2011), sem grande sucesso. Talvez influenciado pelo mal momento em que a equipe vivia, o meio-campista fez 48 partidas e anotou apenas três gols em sua trajetória.

Ainda em 2011 foi emprestado ao Atlético-PR, onde mais uma vez foi irregular. Sua grande atuação foi em uma vitória épica por 3 a 2 contra o Santos de Neymar, Elano, Ganso e Borges. O meia anotou um golaço para abrir o placar, ao fintar quatro marcadores antes de bater no angulo de Rafael

No ano seguinte começou sua trajetória em Santa Catarina, atuando no primeiro semestre pelo Avaí, sendo destaque no título catarinense. Os 8 gols em 24 partidas atraíram as atenções do Flamengo, que o contratou para o segundo turno do campeonato brasileiro. Na temporada seguinte a equipe brigou contra o descenso, ficando a apenas um ponto do Z4 ao termino do torneio.

Afirmação na Chape

Entre 2013 e 2014 Cléber Santana atuou por Avaí e Criciúma, até chegar a Chapeconese em 2015.  Cleber Santana logo criou identificação com o clube e torcida. Estava para completar sua segunda temporada pela equipe de Chapecó, tendo jogando 65 partidas ao longo do ano e balançado as redes em três oportunidades. 

Era um dos jogadores mais experientes da equipe, que o credenciou a carregar a faixa de capitão da Chapecoense no braço. Não fosse a tragédia, poderia erguer o troféu de campeão da Sul-Americana. Descrito por todos que o conheceram de perto como religioso, bem de grupo e um bom líder, Cléber deixa esposa, dois filhos e uma torcida que o olha hoje, como um grande herói.