Matheus Biteco: da escola de volantes do Grêmio e de jogadores da família

Companheiro do irmão Guilherme desde a infância nas categorias de base, jogador da Chapecoense foi uma das vítimas do acidente na Colômbia

Matheus Biteco: da escola de volantes do Grêmio e de jogadores da família
Matheus Biteco: da escola de volantes do Grêmio e de jogadores da família

A família Bitencourt ficou conhecida em Porto Alegre. Os jovens irmãos Matheus e Guilherme, com o sobrenome abreviado em apelido para Biteco, trabalhavam juntos na base do Grêmio. Seguiram a carreira de jogador por caminhos diferentes, mas a tragédia com o acidente de avião da Chapecoense interrompeu a história de de Matheus. O volante da equipe esmeraldina foi uma das 71 vítimas na Colômbia. O abalo é grande na sociedade brasileira, no futebol brasileiro e mundial. O reconhecimento ao jovem que realizava o sonho de jogar profissionalmente é aqui contado.

Matheus Biteco, nascido no ano de 1995, era um pouco mais novo do que o irmão. Porto-alegrenses de berço, Matheus e Guilherme se destacaram desde crianças para fazer parte do Grêmio. Quando jogavam futsal, foram notados por um olheiro gremista, que abordou o pai dos garotos, seu Jorceli, e os convidou para as escolinhas de base do clube. Tornaram-se conhecidos pela eficiência de ambos em compor as equipes ao longo dos anos. A família Biteco é da Zona Norte de Porto Alegre, bastante humilde e possuíam dificuldades de mantê-los. Mas o próprio Grêmio, e inclusive Assis, ex-jogador do clube e irmão de Ronaldinho Gaúcho, auxiliaram na parte financeira do início de carreira.

Assim, subiram juntos ao profissional ainda em 2013, quando o time B do Grêmio, formado em ampla maioria por jovens do sub-20, participou de rodadas do Campeonato Gaúcho, sob o comando do técnico Mabília. Ainda com a temporada com Enderson Moreira e Renato Gaúcho de técnicos, Matheus Biteco ganhou mais oportunidades e lutava por posição com outros volantes de destaque, tais como Ramiro e o paraguaio Cristian Rivero. Era considerado o primeiro suplente e ingressou em vários jogos nas etapas finais. Com a Seleção Brasileira, participou do conhecido Torneio Internacional de Toulon e foi campeão com a braçadeira de capitão da equipe sub-20. Mais um nome promissor na escola de grandes volantes gremistas.

Em 2015, negociou seus direitos com o grupo Rogon Sportmanagement, ligado ao empresário do atleta, Jorge Machado. Na Alemanha, tratou uma lesão no púbis, uma pubalgia, em viagem que também serviu para ganhar experiência. Assinou contrato com o Hoffenheim. Na temporada 2016, foi anunciado como reforço da Chapecoense em junho, juntamente com o companheiro Rafael Bastos. Biteco era jogador de boa articulação no meio de campo, combatente e de bom passe.

Na vida pessoal, Matheus Biteco havia sido pai há quatro meses. Segundo o irmão Guilherme, Matheus estava feliz na Chapecoense pela organização e suporte dados no clube. Havia ainda a possibilidade dos dois voltarem a jogar juntos, como foi durante a década na base gremista. Guilherme, que cresceu sempre junto a Matheus, pretende seguir a carreira pelos dois: "Quando o filho dele crescer, vou explicar que o pai dele foi um grande homem. Ele foi embora, mas eu vou dar a volta por cima. Vou jogar por mim e por ele", comentou.

Mais novo integrante dos Bitecos como jogador de futebol, o irmão Gabriel tem 17 anos e faz parte da base do Grêmio, como foi trilhado o caminho dos mais velhos. Um olhar para os próximos passos de uma família humilde, que viu novas esperanças com os meninos, com os guris que domam a pelota em campo. Uma parceria que reserva um futuro em homenagem a Matheus.