Não é só um jogo, é muito mais

Mais do que 90 minutos e uma bola rolando

Não é só um jogo, é muito mais
(Foto: Reprodução)

Em um momento como esse, é difícil falar de futebol. As tragédias são momentos que fazem o ser humano refletir sobre suas vidas e seus propósitos. Isso me fez lembrar de uma pergunta, talvez ridícula para a maioria, mas que me fez refletir por um momento. "Por que você se importa tanto com esse time e com esse jogo? Isso não vai mudar nada em sua vida”.

Ao observar o lado prático da pergunta, seu autor pode até ter sua razão. Mas a nossa vida não é tão simples, prática e material como se espera. Foi por isso que me levei a procurar essa resposta.

O esporte é uma das únicas armas capazes de penetrar profundamente no emocional das pessoas. O futebol, em especial, sendo o mais popular e talvez um dos mais democráticos. Um homem comum com diversos problemas em sua vida vê no futebol um refúgio que precisa para encontrar um pouco de felicidade e divertimento, para levantar a cabeça e continuar encarando seu dia a dia. Os preconceitos praticamente somem quando você entra em um estádio de futebol, não importa tamanho, jeito, classe, cor, gênero ou ideologias políticas. O que importa é o ideal do seu clube naquele momento.

Qualquer interação que ocorra dentro do estádio, excetuando-se poucos tristes casos, será uma interação que promove o melhor do ser humano. O sentimento será de compartilhar alegria a cada gol, solidariedade a cada derrota, um abraço e um choro a cada título. Não existe egoísmo no ato de torcer. Você participa de uma torcida porque você faz parte daquele clube, você acredita nele e sabe que o máximo que ele pode te dar em troca é uma alegria quase incontrolável. E existe algo melhor que se possa esperar?

Não existe a felicidade sem a dor. O que não deixa de ser realidade. Quando levamos esse pensamento para o futebol, também faz sentido. Já imaginou o quanto seria sem graça se os mesmos times ganhassem sempre? A dor da derrota amplifica o gosto da vitória. O futebol também nos propicia a tranquilidade de saber os reais riscos que você tem de sofrer pelo seu clube.

Por essa razão, além da comoção natural de uma catástrofe dessa proporção, que jamais deve ser esquecida ou menosprezada, existe agregado o fato de ser um sofrimento incalculável para qualquer clube do mundo. Quando isso ocorre, morrem também sonhos das pessoas envolvidas no acidente e seus familiares. Morre a esperança de toda uma geração de torcedores que jamais poderiam esperar um sofrimento desse tamanho. Morre um pouco do futebol em todo o mundo.

Descobri que a resposta para a primeira pergunta desse texto é mais fácil que parece. Um clube não é apenas um clube, é um ideal. Um torcedor não é apenas um torcedor, ele é parte desse ideal. Os jogadores não são apenas jogadores, são pessoas com sonhos como qualquer outra que promovem o sentimento mais puro em milhões de outras pessoas. O jogo não é apenas um jogo, é um evento que pode ter impacto indireto na vida de todo um povo.

O esporte é uma das formas mais simples e espontâneas de gerar a união entre as pessoas.

A grandeza de um clube não se mede por títulos, por tempo de existência, por torcida, por estádio e muito menos pelo nível técnico de seus jogadores. A grandeza de um clube se mede pela quantidade de pessoas que afeta emocionalmente, seja um sentimento de raiva por ser seu rival, seja a alegria por ser seu time, seja pela admiração que ele gera simplesmente por jogar.

A triste tragédia fez com que a Chapecoense nos lembrasse o quanto nossos ideais são importantes. Nos fez lembrar que os clubes, antes de tudo, são feitos por pessoas como nós. Fez o mundo se unir e chorar, fez aflorar o sentimento mais humanitário que temos em nós. Sendo assim, pelo menos nesse momento, a Chapecoense se tornou o clube de maior grandeza no mundo.

Para jamais deixar morrer um clube de uma história tão linda, mais do que nunca, vamos, vamos Chape!