Marcelo: de dificuldades na base do Macaé à final da Copa Sul-Americana

Mineiro teve problemas em sua passagem pelo clube fluminense, tendo promessas não cumpridas

Marcelo: de dificuldades na base do Macaé à final da Copa Sul-Americana
Marcelo: de dificuldades na base do Macaé à final da Copa Sul-Americana

Na última terça-feira (29), acordamos com a triste notícia da queda do avião que levava a delegação da Chapecoense, jornalistas e convidados para Medellín, onde seria realizada a primeira partida da final da Sul-Americana, contra o Atlético Nacional. Das 77 pessoas que estavam a bordo, contando com os tripulantes, apenas seis saíram com vida. O zagueiro Marcelo Augusto Mathias da Silva, ou só Marcelo, de 25 anos, infelizmente não estava na lista dos sobreviventes.

Destaque pelo Voltaço, Marcelo ganhou apelido de 'novo Dedé' e contrato com Flamengo

O defensor era de Juiz de Fora, Minas Gerais, e havia sido revelado pelo Volta Redonda em 2012 depois de passar pelas categorias de base do Tupi e do Macaé, onde passou por muitos problemas, ficando inclusive sem janta uma vez. Chegou quase a desistir da carreira futebolística quando estava na equipe fluminense, mas acabou por aceitar uma proposta do Volta Redonda em 2012. Lá, jogou os dois primeiros anos de sua carreira, até que um grupo de investidores comprou o seu passe.

Foi emprestado ao Flamengo pelo Cianorte, clube que assinara após sair do Voltaço por cerca de R$ 500 mil. No time carioca, chegou com o título de ‘novo Dedé’, em referência ao zagueiro revelado no Vasco, que tinha características parecidas com o defensor agora do rubro-negro. As atuações no campeonato carioca de 2014 pelo Volta Redonda foi que lhe renderam tal descrição.

Revelado pelo Volta Redonda, zagueiro Marcelo é uma das vítimas do acidente aéreo

No Flamengo, ainda em 2014, realizou 20 partidas marcando um gol contra o Vitória, na 18ª rodada do Brasileirão, mas esteve no banco em outras 14 oportunidades, incluindo no jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil, no jogo em que o Atlético-MG virou para cima do time do RJ em casa, completando classificação heroica. Não participou do jogo de ida porque havia sido expulso no de volta das quartas de final, contra o América de Natal.

Ainda sem ter garantido compra por parte do Flamengo em 2015, o empréstimo prosseguiu por mais um ano. Durante todo o ano, participou de 17 jogos, não marcando gols desta vez. Esteve presente em outros 39, mas no banco, sem ser utilizado. Havia perdido a posição que ganhara no começo de sua passagem, o que não lhe rendeu mais um ano no clube rubro-negro, tendo que voltar ao Cianorte de seu período de empréstimo.

Em 2016, uma lesão atrapalhou seus planos de ser titular, mas mesmo assim foi fundamental para a Chape

Sem contrato com grande clube, porém, a Chapecoense viu algo no zagueiro que ninguém vira neste ano de 2016. O contrato foi o mesmo: empréstimo com opção de compra no final do ano. A carreira poderia prosseguir e a dupla de zaga seria formada pelo mineiro e pelo experiente Neto, mas ambos tiveram lesões durante a temporada. O defensor de 31 anos ficou três meses afastado, enquanto que o mineiro, pouco tempo depois da lesão do companheiro, se afastou dos gramados por quatro.

Em 2016, porém, já havia entrado em campo em 23 oportunidades. No catarinense começou no banco, mas logo conseguiu mostrar seu valor no gramado. Apesar de não ter jogado as finais, defendeu a Chape em todo o segundo turno. A consistência e solidez garantiu que começasse jogando as partidas do Brasileirão. Da primeira a 11ª rodada jogou todos os 90 minutos, mas, na 12ª partida, contra o Cruzeiro na Arena Condá, sofreu uma lesão que o deixara de fora por quatro longos meses.

Por conta da contusão, não pôde ajudar na campanha da Chapecoense na Sul-Americana, porém voltara de lesão contra o Palmeiras no último domingo, ganhando ritmo de jogo por Caio Junior. Jogou os 90 minutos, tendo um amarelo, mas, acima de tudo, se apresentava pronto para a grande final da Chape. Viajou com o time na esperança de também começar jogando, mas, mesmo que não pudesse eventualmente ir a campo, a colaboração de fora já era importante.

Marcelo nos deixou com apenas 25 anos de vida, sendo quatro dedicados inteiramente ao futebol – antes trabalhava de marceneiro para ajudar a família. Guerreiro, trabalhador, focado e sonhador, o mineiro foi brilhar em outro lugar, onde os campeões se tornam heróis. 

Zagueiro jogou pela primeira vez em quatro meses ao voltar de lesão contra o Palmeiras (Foto: Friedemann Vogel / Getty Images)
Zagueiro jogou pela primeira vez em quatro meses ao voltar de lesão contra o Palmeiras (Foto: Friedemann Vogel / Getty Images)