Tributo ao desporto: relembre alguns amistosos históricos

Assim como Chapecoense e Barcelona, que disputarão o Joan Gamper, outras partidas aconteceram pelo mundo em tom de homenagens por motivos diversos

Tributo ao desporto: relembre alguns amistosos históricos
Foto: Hugo Alves/Editoria de Arte VAVEL Brasil

Nesta segunda-feira (7), o Brasil e o mundo poderão acompanhar um amistoso que será cercado de emoção, onde os amantes do esporte, principalmente do futebol, vão se unir em torno de um caminho. Barcelona e Chapecoense se enfrentarão às 15h30, pela 52ª edição do torneio Joan Gamper, todos os anos disputados no estádio Camp Nou. 

O amistoso representará mais uma das muitas homenagens que a Chapecoense recebeu após o acidente com o avião que levava a equipe para Medellin, na Colômbia, onde o time enfrentaria o Atlético Nacional, pela primeira partida da final da Copa Sul-Americana. No vôo, faleceram 71 pessoas, entre jogadores, membros da comissão técnica e diretoria da Chape, convidados e membros da imprensa que acompanhavam o time.

Partidas com cunho solidário, em torno de um acontecimento, não são novidades na história do esporte. No futebol, precisamente, ocorrem jogos amistosos com vistas para homenagear e/ou ajudar a quem precisa. Veja, aqui na VAVEL Brasil, alguns exemplos marcantes.

Despedida de Garrincha: amistoso homenageia e ajuda ídolo brasileiro

Em 19 de novembro de 1973, o Maracanã recebeu um amistoso para a despedida de Garrincha com a camisa da Seleção Brasileira. Na verdade, o ex-ponta do Botafogo não defendia o selecionado canarinho desde 1966 e já tinha encerrado a carreira quando novamente vestiu a camisa amarela aos 40 anos de idade. 

Pelé, que já havia se deixado a Seleção Brasileira, retornou para o amistoso em favor de Garrincha (Foto: Arquivo)

Garrincha participou do Seleção Brasileira que tinha nomes como Pelé, Paulo César, Jairzinho, Félix, Brito, Piazza, Everaldo e outros campeões do mundo em 1970, contra um combinado estrangeiro como jogadores do gabarito de Pedro Rocha, Forlán, Brindisi e Doval. O Brasil venceu por 2 a 1, de virada, e o Maracanã recebeu mais de 150 mil torcedores, gerando a renda de 166 mil dólares que foram destinados ao Mané. 

Garrincha empregou bem este dinheiro, ajudando-lhe muito financeiramente pelos anos seguintes. No entanto, o maior adversário da sua vida, o alcoolismo, ele não conseguiu vencer. Garrincha morreu aos 49 anos, em 20 de janeiro de 1983. 

Flamengo x Seleção Brasileira: amistoso marca homenagens a Geraldo, ex-Fla

A Seleção Brasileira não costumava realizar amistosos contra clubes de futebol. O último embate havia sido contra o Atlético-MG, em 1969. No entanto, a história do jogo que contaremos aqui valeu para os jogadores canarinhos vestirem o uniforme verde e amarelo, com direito à presença de Pelé, que já tinha se despedido da amarelinha. 

Amistoso homenageou Geraldo, craque do Flamengo e da Seleção Brasileira (Foto: Mundo Rubro-Negro)

Em 6 de outubro de 1976, Flamengo e Seleção Brasileira entraram em campo no Maracanã para homenagear o meio-campo Geraldo, que defendia o rubro-negro. O jogador havia falecido em 26 de agosto, aos 22 anos, na clínica Rio-Cor vitimado por um choque anafilático após passar por uma cirurgia para retirada das amígdalas. 

O jogo serviu para homenagear o jogador, que era ídolo do Flamengo e começava a se destacar com a camisa da Seleção Brasileira. A vitória foi rubro-negra, por 2 a 0, com gols de Paulinho e Luiz Paulo. Mais de 142 mil torcedores assistiram ao jogo, gerando uma renda superior a três milhões de cruzeiros, que foram revertidos à família de Geraldo, natural de Barão de Cocais - cidade próxima a Belo Horizonte. 

Flamengo x Atlético-MG: Pelé veste a camisa 10 do rubro-negro em amistoso

Em 1979, o rei do futebol, Pelé, que só havia defendido dois times em 22 anos de carreira, decidiu vestir uma terceira camisa para uma causa nobre. A partida amistosa contra o Atlético-MG foi realizada em 6 de abril, no Maracanã, para um público de 139.953 pagantes. 

Pelé vestiu a camisa do Flamengo por um jogo, e deu show de bola e humanidade (Foto: Divulgação)

O motivo do amistoso foi arrecadar dinheiro para as vítimas das fortes chuvas, que resultaram em enchentes em diversas cidades de Minas Gerais e no Espírito Santo. O resultado de tanta catástrofe foram 47.776 desabrigados, 74 mortos e 4.424 casas atingidas, o que virou notícia em diversos países.

No Maracanã, Pelé vestiu a camisa 10. Zico, o 10 do Flamengo, usou a 9. Marcelo - hoje técnico do Coritiba - abriu o placar para o Galo. O rei do futebol não fez gol, mas deu show. O Galinho de Quintino fez três gols. Luizinho Lemos - que entrou em lugar de Pelé - deixou sua marca, e Cláudio Adão fechou a conta. Independente do resultado, a renda de CR$ 8.781.290,00 serviu para fazer uma boa ação em prol de muitas pessoas necessitadas.

Alianza Lima-PER x Independiente-ARG: avião cai e morre delegação peruana 

Muitos acidentes aéreos, iguais ao que aconteceu com a Chapecoense, são conhecidos pela história. Um deles foi com a equipe do Alianza Lima, do Peru. Em plena disputa do Campeonato Peruano, os "Potrillos" jogaram contra o Deportivo Pucallpa e retornavam à capital peruana, quando o Fokker F-27 da Marinha de Guerra do Peru caiu no mar de Ventanilla, próximo ao aeroporto Jorge Chávez, em Lima. O avião se despedaçou completamente.

Uma das últimas fotos tiradas pelo Alianza Lima em 1987 (Foto: Divulgação)

O acidente aconteceu no dia 8 de dezembro de 1987. Todos os 17 jogadores, membros da comissão técnica e direção, o co-piloto, um torcedor e o trio de arbitragem da partida faleceram. No total, morreram 43 pessoas e, segundo relatos, somente o piloto, Edilberto Villar, sobreviveu. 

Nove dias depois, um amistoso contra o Independiente, da Argentina foi realizado no Estádio Alejandro Villanueva. Mais de 40 mil torcedores presenciaram o jogo. Diversas equipes do futebol peruano e o Colo-Colo-CHI cederam atletas ao Alianza para seguir na temporada. Teófilo Cubillas, ídolo maior do esporte no país, também defendeu os "Potrillos". O embate terminou 2 a 1 para os argentinos, mas diante de tanta gratidão, o resultado tornou-se mera informação.

Brasil x Haiti: Seleção Brasileira dão um dia de felicidade a país marcado pela pobreza

Crise política e um dos menores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do mundo. Esse era o panorama do Haiti em 2004. E foi neste ambiente conturbado, além de um calor terrível, que a Seleção Brasileira fez uma visita a um dos países mais pobres do mundo para realizar o "Jogo da Paz" contra a seleção local.

Delegação da Seleção Brasileira parou um país inteiro em torno da paz (Foto: Divulgação/CBF)

A Seleção Brasileira literalmente parou o país. Jogadores desfilaram em tanques de guerra da ONU pela capital, Porto Príncipe, em meio uma multidão de pessoas incrédulas pela presença de grandes ídolos do futebol mundial, como Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos. 

Mesmo com forte calor, jogadores do Brasil deram show para o povo haitiano (Foto: Divulgação/CBF)

Nem o calor impediu que os canarinhos dessem um presente inesquecível a um povo tão sofrido. Ronaldinho Gaúcho fez três gols, Roger marcou dois, e Nilmar fechou a conta. Se alguém teve dúvida de que o futebol é capaz de parar um país em torno da paz, mesmo que momentânea, depois do dia 18 de agosto de 2004, as opiniões mudaram por completo.


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