Corinthians 106 anos: do povo para o povo

Em momento conturbado no ano, a origem pode trazer o clube de volta aos eixos e seguir com as glórias e a magnífica historia

Corinthians 106 anos: do povo para o povo
Foto: Divulgação/ Site Oficial

Todo ano parabenizamos aqueles que a gente ama. Times de futebol, muitas vezes, tem um espaço maior do que realmente deveria em nossos corações. E certamente, o Corinthians é o dono dos mais fanáticos e loucos torcedores do esporte mais popular do mundo.

Mais um 1º de setembro. A luz do lampião do Bom Retiro acendeu a chama daquele que se tornaria um gigante. Cinco operários, da mais legítima classe trabalhadora do início do século passado, "abrasileirou" um time inglês pra deixar com cara de sua gente. Um imenso clube que teve o povo carregando as cores preto e branco nas horas boas, mas que, sem explicação, cresceu verdadeiramente no momento em que muitos desacreditavam. Uma fila de 23 anos não foi capaz de diminuir o time. Muito pelo contrário. Nesse hiato, o Timão cresceu, se consolidou, ganhou a Fiel, invadiu estádios e provou que não vive de títulos.

Tudo com o povo.

Quando o Brasil caminhava para momentos mais prósperos em sua vivência, um movimento que parecia loucura dentro dos vestiários corinthianos dava início e ajudava na democratização tardia da nação. Com uma filosofia puxada por um filósofo, a Democracia Corinthiana era vitória de um clube politizado, de um Brasil sabedor do nascimento de uma nova era e com vitórias mágicas do time dentro de campo. Ninguém calava a boca do Doutor filósofo, do roqueiro matador ou do lateral raçudo. O time que nasceu de operários agora fazia os menos favorecidos a pensar no seu bem.

Tudo para o povo.

Na medida que o tempo passou e o mundo se globalizou, o time também transformou. A paixão segue a mesma. Seja no Maracanã ou no Japão, tenha certeza de que terá corinthiano. E não importa o quão errado ele esteja. Vai defender o time como se fosse um membro da família, uma parte de seu corpo. Só que o objetivo de quem hoje comanda mudou. Até no futebol, o lucro é visado e a paixão virou negócio. Não podemos deixar passar batido o espaço de 365 dias entre o aniversário de 105 e 106 anos.

Foram mais de 20 saídas. Dois times inteiros que se foram. Título, festa e emoção vieram. Mas o que se vê hoje é um time esfacelado, com futuro incerto, priorizando o acerto das contas. Tudo certo, mas pouco explicado. A Renovação e Transparência não está tão claro assim. 

Mesmo com todas as mazelas atuais, é assim que a grandeza se mostra ainda maior. Enquanto querem derrubar, a camisa se ergue, mostra o brilho alvinegro e vai contra tudo e contra todos. No final de tudo, o corinthiano sabe que apenas tem o Corinthians nessa vida. E será assim sempre. Pode ser no Japão, ganhando mais Mundiais. Pode ser na sétima divisão do Paulista. Seja no tiro ao arco juvenil, seja no futebol profissional. A camisa, o símbolo estará lá. E se tem Corinthians...

...Tem o povo. Porque o Corinthians foi feito pelo povo para o Povo.