Fábio Carille, o pupilo que surpreendeu o Brasil

De auxiliar ao comando de uma das equipes do mundo; Como Fabio Carille mudou um desacreditado Corinthians em campeão brasileiro

Fábio Carille, o pupilo que surpreendeu o Brasil
Foto: Rodrigo Rodrigues/VAVEL Brasil

O Corinthians é heptacampeão brasileiro. Nem o mais confiante corinthiano diria que sua equipe levantaria duas taças em 2017 após o desmanche sofrido no ano passado e enormes problemas, desde financeiro a qualidade de elenco.

Depois de treinadores com fracos desempenhos e negociações frustradas com medalhões, o Timão efetivou seu auxiliar como uma última opção para o banco de reservas. Fabio Carille finalmente subiria de cargo e se transformava na salvação.

Carille, logo em sua primeira coletiva, viu que o buraco seria mais embaixo. Mesmo com ele no comando, as perguntas eram voltadas aos diretores alvinegros. Mal parecia que ali estava o técnico corinthiano para 2017.

Com um discurso tímido, sem tanta desenvoltura, mas com peso nas promessas de uma equipe organizada, forte na defesa e bem postada taticamente, Carille deu uma ponta de esperança aos torcedores. No entanto, os reforços que apareciam mostravam que 2017 seria um ano longo para o torcedor.

No Paulistão uma equipe pragmática no começo, sem tanta criatividade e uma derrota ante o Santo André mostrava que a desconfiança sobre essa equipe era muito alta. Mas o ponto de mudança - e que mudaria para sempre a temporada - foi a vitória no Dérby contra o Palmeiras.

A partir dali, o Corinthians aliou uma força defensiva absurda com uma maior maturidade ofensiva. Carille utilizou a base, promoveu entradas de Arana e Maycon, além de utilizar o 4-2-3-1, com Rodriguinho chegando mais ao ataque e sendo um dos destaques na conquista improvável do Paulistão.

Brasileirão

Nem o título estadual mudou o patamar corinthiano. A desconfiança seguia alta, mas Fabio Carille confiava na sua promessa de uma equipe organizada. O padrão se manteve e o Timão rapidamente assumiu a liderança na 5ª rodada para nunca mais perder em 2017.

Fora de casa, sem medo de deixar a bola com o rival e explorando a velocidade, o ataque em bloco e avanços dos laterais. Arana se tornava um dos melhores jogadores no país e o clássico contra o Palmeiras mostrou isso, quando decidiu sofrendo pênalti e marcando um gol.

Na defesa, Cássio parecia voltar a velha forma, sendo até chamado por Tite para a Seleção. Balbuena cresceu demais de rendimento ao lado de Pablo, se tornando o melhor zagueiro da competição. Já no meio, Gabriel caiu como uma luva, aliando raça, inteligência tática e intensidade. Maycon era outra grande surpresa, dando o primeiro passe para criação e aparecendo no ataque.

Jadson ajudava no desafogo pela direita, além de cair por dentro e auxiliar na criação. Romero sendo o Romero de sempre, com qualidade questionável, mas muita entrega, disposição e raça. O paraguaio se tornou um dos melhores do campeonato exatamente por cumprir várias funções em campo.

Rodriguinho era o meia mais ofensivo. Prendendo mais a bola, mas com intensidade e marcando gols, foi extremamente importante na primeira metade, mas menos fundamental que Jô. O camisa 7 deslanchou em marcar gols, em dar passes e criar jogadas de perigo. O craque do campeonato.

Momento conturbado

Parecia ser questão de tempo até o Timão confirmar o hepta, mas nada para o alvinegro é fácil. A equipe teve um momento de queda justamente no começo da segunda metade do Brasileiro, perdendo duas seguidas em casa e vendo a diferença cair de 11 pontos para seis.

O Palmeiras, badalado pelas contratações e dinheiro, parecia ser o maior rival e o dérby do segundo turno se transformou numa decisão. Nesse momento, Carille entrou em ação. Clayson, em ótima fase, foi promovido a titular na vaga de Jadson, em queda brusca de rendimento. Maycon, outro que caiu demais e era irreconhecível, deu lugar a Camacho, dando mais qualidade de passe e mais cadência ao meio-campo.

Com as mudanças o Timão ganhava velocidade e intensidade nas pontas, além de mais toque de bola no meio. Assim, entrou pilhado, pronto para matar o rival e acabar com o campeonato. Pois em 45 minutos, o Corinthians já vencia por 3 a 1 e caminhava para o sétimo título.

A má-fase corinthiana teve a teimosia de Carille, talvez herdada por Mano Menezes e Tite, seus mentores. Mas Fabio também teve participação no momento de decisão, já que mudou a equipe e venceu o Palestra, além de ter estrela, quando colocou Giovani Augusto e Kazim, reservas contestados pela Fiel e responsáveis pelos três pontos diante Atlético-PR e Avaí.

Fabio Carille é da nova geração. Estudioso, inteligente, trabalhador e, principalmente, cumpridor de promessas. Desde o começo prometeu um Corinthians organizado, forte na defesa e com sistema tático definido. Pois ao final do ano, ele entregou bem mais do que falou.