Deivid critica imediatismo e diz que esperava demissão do Cruzeiro após derrota no Mineiro

Ex-jogador agradece dirigentes celestes, lamenta ter tido pouco tempo para trabalhar na Raposa e cita preconceito aos treinadores em início de carreira

Deivid critica imediatismo e diz que esperava demissão do Cruzeiro após derrota no Mineiro
Deivid comandou o Cruzeiro por quatro meses, perdendo apenas duas partidas (Foto: Matheus Adler/VAVEL Brasil)

Passados pouco mais de uma semana desde Deivid se despediu do comando do Cruzeiro, o ex-treinador celeste falou novamente sobre o assunto, nesta terça-feira (3), em entrevista ao programa Seleção SporTV, do mesmo canal. O profissional, que comandou a Raposa por quatro meses, confessou que esperava a demissão, em caso de eliminação no Campeonato Mineiro, o que ocorreu. No entanto, lamentou o pouco tempo de trabalho que teve a frente do time, uma vez que perdeu apenas duas partidas no ano.

"Eu já esperava [pela demissão]. Já tinha na minha cabeça que, se conquistasse o Campeonato Mineiro, eu continuaria. Se eu perdesse, estaria fora. Ai veio a minha pergunta. O Deivid virou treinador pelo fato de terem visto algo diferente nele, ou foi apenas um teste? Eu sou muito grato ao presidente, ao vice-presidente Bruno e ao Tiago pelo fato de terem me dado essa oportunidade. Mas a gente fica triste por ter terminado, por não ter terminado nem no meio. Eu perdi um jogo no Campeonato Mineiro e fui mandado embora. Fico triste por isso", desabafou o técnico.

Deivid chegou ao Cruzeiro em junho do ano passado, na época, auxiliar técnico de Vanderlei Luxemburgo. Com a demissão de Luxa, em agosto, o ex-atacante foi contratado pela Raposa para fazer parte da comissão técnica fixa. Poucos dias depois, Mano Menezes assumiu o comando do time celeste, no entanto, acertou sua transferência para o futebol chinês no final da temporada, abrindo caminho para a efetivação do ex-auxiliar como técnico.

Desde a confirmação da promoção, Deivid passou a intensificar os estudos, fazendo cursos oferecidos pela CBF, no final do ano passado, no período de férias do futebol. Baseado na experiência que teve em salas de aula e no mundo do futebol, o ex-jogador condenou o imediatismo existente no Brasil e ressaltou que o grupo do Cruzeiro ainda estava em fase de ajustes. Além disso, o profissional lamentou pelo preconceito sofrido pelos treinadores em começo de carreira.

"Existe preconceito. Quando acabou a Copa do Mundo de 2014, muitos falaram em renovação e modernidade. Disseram que os treinadores precisavam se preparar melhor, precisavam fazer cursos (...) O time da Alemanha está trabalhando há 10 anos para chegar em 2014 e conquistar o título mundial. É fácil falar em criar um conceito, um filosofia. Você não consegue. Se você não defender o seu trabalho, você não consegue (...). Nós perdemos Ceará, Paulo André e Júlio Baptista. Eram jogadores que não estavam rendendo muito bem, mas tinham postura e eram líderes. Aí vieram jogadores, como Coutinho, Rafael Silva, Gino, Sanchez e Romero. É preciso enquadrar todos eles dentro da competição para que você possa achar o seu modelo de jogo e dar sequência (...) É preciso ter paciência. Se você não tiver tempo, você não consegue", concluiu.

O Cruzeiro ainda procura um treinador para assumir o lugar de Deivid. Após recusas de Jorginho, que preferiu seguir comandando o Vasco, e de Marcelo Oliveira, que visa trabalhos fora do Brasil, a Raposa possui Reinaldo Rueda, técnico do Atlético Nacional-COL, como principal nome no momento. Geraldo Delamore seguirá como interino na partida contra o Campinense, na próxima quinta-feira (5), no Mineirão, pela segunda partida da fase inicial da Copa do Brasil.