Paulo Bento pretende adotar rodízio no Cruzeiro e garante usar pressão como motivação

Novo treinador celeste não se preocupa com o imediatismo do futebol brasileiro e fala sobre perfil "disciplinador: "Pedirei 100% todos os dias"

Paulo Bento pretende adotar rodízio no Cruzeiro e garante usar pressão como motivação
Paulo Bento quer superar desafios no Cruzeiro para provar sua capacidade como treinador (Foto: Pedro Vilela/Light Press)

O novo técnico do Cruzeiro, o português Paulo Bento, nunca treinou uma equipe brasileira, mas já está ciente do calendário extenso e "apertado" do nosso futebol. Um dos desafios do lusitano, é conciliar a Copa do Brasil com o Campeonato Brasileiro. No entanto, o profissional já formulou a solução para o problema, isso porque o treinador pretende adotar o rodízio de jogadores na titularidade da Raposa.

"O calendário obriga a fazer isso. Seremos obrigados a fazer algumas alterações, a mudar rotinas. E também queremos envolver todos os jogadores, que todos saibam o que têm de fazer em cada momento do jogo e entendam que o treino é a melhor mensagem para compreender o que farão durante a partida. Em alguns momentos da temporada será quase obrigatório", declarou Bento.

O profissional, no entanto, leva o desafio pelo lado bom, usando como motivação para provar sua capacidade como treinador, aliado aos cursos que fez enquanto esteve fora do mercado, desde que deixou de comandar a seleção de Portugal. Idioma não será problema com Paulo Bento, já que fala fluentemente o português, mesmo com o sotaque tradicional do velho continente.

"São 38 jornadas só no Brasileirão. Espanha também tem, Inglaterra também tem. A diferença é que na Europa são 38 jornadas em 10 meses. No Brasil esses jogos são disputados em sete meses. Ainda há Copa do Brasil em duas mãos, os Estaduais... mas creio que isso nos obrigará a ficar ainda melhores", disse, completando logo em seguida.

"Temos que preparar melhor as estratégias, os conceitos. Os intervalos entre os jogos nem sempre serão os mesmos. Teremos que estar mais atentos e aproveitar da melhor forma a excelente estrutura do clube. É um desafio ‘deliciante’ e motivante. Sobre o idioma, creio que facilitará de alguma maneira na transmissão da ideia e da mensagem”, colocou.

Foto: Pedro Vilela / Light Press
Foto: Pedro Vilela / Light Press

Outro desafio que Paulo Bento terá que enfrentar no futebol brasileiro, é o imediatismo e a pressão por resultados. Seu antecessor no Cruzeiro, o ex-jogador Deivid, ficou quatro meses à frente do cargo, perdeu duas partidas e acabou sendo demitido após a eliminação do clube celeste no Campeonato Mineiro. No entanto, o lusitano garante que está acostumado com a cobrança por vitórias e no Brasil, usará como motivação.

"Não me preocupa. Creio que a pressão há para todo lado. É natural que num clube dessa grandeza haja pressão forte. Mas não é algo novo para mim. O Sporting é um dos grandes clubes do meu país. Vivi pressão lá. Isso, contudo, não pode afetar nosso trabalho e nem nossas ideias. É um fator de motivação que, no dia a dia, nos fará melhorar e ficar ainda mais concentrados. A pressão faz parte do futebol e viver sem ela não é legal", ressaltou o comandante.

Quando o Cruzeiro anunciou Paulo Bento como novo treinador, os brasileiros procuraram saber mais sobre o profissional. As opiniões sobre o técnico foram várias, mas o perfil disciplinador do português acabou sobressaindo. Bento explicou sua forma de trabalhar e garantiu que aproveitará a qualidade do seu elenco da melhor maneira possível.

"Vejo disciplina como situação positiva. Tenho uma coisa que, pra mim, é clara. É transparente. Quando os jogadores nos virem trabalhar, eles vão identificar, vão ver uma boa organização, vão se sentir confortáveis nessa organização, verão pessoas disponíveis para ajudar em todo o momento no profissional e no pessoal, se for da vontade deles. Estaremos 100% disponíveis para trabalhar em prol do clube, e eles ficarão satisfeitos, alegres, e quando acabar cada seção, que cada ação tem objetivo. Pedirei 100% todos os dias, pois vivemos disso, não fazemos outra coisa. Quem não dá tudo, não dá nada, é como dizemos no meu país", concluiu.