Fábio comenta favoritismo 'negado' ao Cruzeiro ao longo do ano: "Futebol não é com palavras"

Arqueiro afirmou que, mesmo outras equipes tendo projeções melhores para 2017, dentro da Raposa a conversa era outra

Fábio comenta favoritismo 'negado' ao Cruzeiro ao longo do ano: "Futebol não é com palavras"
Foto: Rudy Trindade/ThemaPress/Light Press/Cruzeiro

Até logo, Belo Horizonte! O Cruzeiro tem viagem marcada para o Rio de Janeiro nesta quarta (6), onde já se concentra para o jogo de ida decisão da Copa do Brasil contra o Flamengo, na quinta. Antes, porém, a equipe realizou o último treino na capital mineira, e, nas prévias do treinamento, o goleiro Fábio falou sobre o foco da Raposa para os primeiros 90 minutos da fase mais decisiva da competição.

"Temos que ter a ciência de que esse primeiro jogo é muito importante. Não temos que pensar no jogo da volta, e sim focar nesses 90 minutos que temos pela frente, para fazermos um jogo equilibrado em todos os aspectos, para que a gente possa sobressair e ser melhor que nosso adversário. Temos que alcançar o êxito na primeira partida, trazer num bom resultado e, na sequência, ter praticamente 20 dias para trabalhar a equipe, focar no Brasileiro e determinar o que será feito na segunda partida", afirmou.

No começo da temporada, quando um universo de projeções se estendeu a todo o ano de 2017 em relação às equipes brasileiras, poucos creditavam à Raposa voos muitos altos, segundo o arqueiro celeste. Isso, no entanto, aconteceu apenas da Toca da Raposa para fora. De acordo com Fábio, dentro do clube, existiram cobranças para que o time almejasse e buscasse grandes metas. Ainda, para o goleiro cruzeirense, a manutenção do técnico Mano Menezes no comando do grupo foi fundamental para o momento, que é de chance de título.

"Lógico que tem o trabalho do Mano, por ter permanecido, por ter feito parte da contratação de todos os jogadores que estão hoje vestindo a camisa do Cruzeiro, praticamente. Não éramos citados como favoritos, mas sabíamos da responsabilidade pela camisa que vestimos, pela tradição que temos em todas as competições, então a cobrança interna era muito grande. Mesmo não citados pela imprensa, de que tínhamos chance de ser ganhadores de grandes competições, internamente éramos cobrados", disse.

Fábio relembrou ainda a semifinal da competição, quando bateram o Grêmio. "Fora, todos davam o Grêmio como finalista e campeão. Mas futebol não é com palavras, e sim com atitudes, com merecimento em campo. Fizemos por onde dentro dessas duas partidas, e não só nelas, mas em toda a competição. se for ver a trajetória difícil do Cruzeiro, não só de adversários, mas de viagens, e desde o início o Cruzeiro vem batalhando para almejar o lugar esperado, que é o título", pontuou.

Para o jogo de quinta, o Flamengo terá algumas baixas, como o suspenso Paolo Guerrero. Com isso, a equipe carioca perde um jogador de área, uma vez que o peruano é mais agudo e joga em meio à meta do adversário. Fábio, na condição de protetor do gol da Raposa, comentou essa situação.

"Já enfrentamos várias equipes com essa formação. É uma decisão [final], o peso é maior, mas hoje a gente já tem a oportunidade de jogar com mais frequência contra adversário que não tem um jogador mais fixo na área, que é difícil também. Cada sistema tem suas dificuldades, mas com a equipe bem treinada, se adapta muito mais rápido, independente da forma como o adversário vai jogar", opinou.

Confira outros trechos da entrevista do goleiro Fábio

Experiência dentro do grupo

"No dia a dia, a gente sempre conversa de várias situações quando tem oportunidade, nas concentrações também, quando estamos juntos. Todo mundo, queira ou não, sendo mais jovem ou mais experiente, tem suas qualidades e sabe discernir bem esse momento, que é uma decisão. Lógico que, sempre que você tem a possibilidade de passar essa experiência, é sempre bom, sempre válido, mas sabendo que são situações diferentes que podem acontecer na partida, e independente da sua experiência, você precisa saber resolver".

Plantel quase todo disponível

"Nesse momento, tão decisivo, a equipe tem boa parte dos jogadores à disposição. Tivemos a ausência somente do Dedé, do Manoel, que até voltou, mas sentiu um incômodo, e Arrascaeta, que estava junto com Ezequiel há um certo tempo, mas já retornou. Isso favorece o trabalho do grupo e também fortalece o que o Mano pode almejar dentro da primeira partida, podendo montar a equipe com várias situações".

Queda do gol fora de casa como critério de desempate

"O peso de você ter que jogar em casa sem poder sofrer gol é muito grande, principalmente se você não consegue marcar fora. Já não existindo essa possibilidade, o jogo fica mais equilibrado e franco. Fica mais vistoso o jogo, a equipe mesmo sofrendo em casa, é um gol simples, não muda muito, e a equipe que vai fora tem a possibilidade de buscar esse gol".

Título da Copa do Brasil de 2000

"Comecei muito bem naquele ano de 2000, com a conquista da Copa do Brasil. Não tive a oportunidade de jogar, mas era o segundo goleiro imediato, na reserva do André, e convivi com grandes jogadores. Observei e aprendi muito com jogadores experientes que ja tinham vivenciado grandes momentos em suas carreiras, foi muito importante, guardo com carinho e relembro como se fosse hoje cada momento que vivi em 2000. Foi um ano maravilhoso, porque na sequência fui para o Vasco, fui campeão da Mercosul e do Brasil. Um ano abençoado".

Jogadores poupados

"Tudo tem que ter um equilíbrio, e a equipe vinha numa sequência difícil, não só fisicamente, mas também psicologicamente, com jogos importantes e decisivos, onde precisávamos de alcançar os resultados. Isso mexe com qualquer jogador. Esse momento foi importante para recuperar fisicamente alguns que precisavam, e dar ritmo a outros, tendo a possibilidade de jogar algumas partidas, como foi na Primeira Liga. Foi um equilíbrio que era necessário, e a equipe está pronta. Temos de tudo para fazermos um belo jogo na quinta".