Após oscilações em 2017, defesa do Cruzeiro encontra equilíbrio na dupla Léo e Murilo

Lesões e más fases fizeram parte da rotina dos defensores celestes em 2017, que encontraram o caminho na juventude de Murilo e na experiência de Léo

Após oscilações em 2017, defesa do Cruzeiro encontra equilíbrio na dupla Léo e Murilo
Foto: Rodrigo Rodrigues/Editoria de Arte VAVEL Brasil)

O técnico Mano Menezes, do Cruzeiro, é conhecido por “arrumar a cozinha” em seus times. Ele mesmo já admitiu que, para se atacar com qualidade, é preciso ter uma defesa sólida. Porém, o treinador não esperava ter tanto trabalho na temporada 2017 com os zagueiros celestes. O momento mais crítico da Raposa no ano aconteceu, justamente, após uma sequência de seis gols sofridos em dois duelos consecutivos (contra Palmeiras e Atlético-MG).

Na ocasião citada, o time mineiro empatou em 3 a 3 com os paulistas na Copa do Brasil e perdeu em seguida para o Galo por 3 a 1 no Campeonato Brasileiro. Esses resultados pesaram em críticas e protestos de torcedores celestes, que tinham como principal alvo a zaga da equipe - na época, com Léo e Kunty Caicedo como titulares.

Nesse momento, cresceu de rendimento o jovem Murilo, da base do clube, que estabeleceu uma boa parceira com Léo. Ambos defendem atualmente zaga titular da equipe e serão peças importantíssimas no duelo desta quinta (7) contra o Flamengo, pelo jogo de ida da final da Copa do Brasil. A VAVEL Brasil resgatou os momentos pelos quais passou a defesa da Raposa em 2017.

Baixas de Manoel e Dedé

Os nomes que a torcida considerava ideais para começarem jogando este ano não conseguiram estar 100% fisicamente para atuarem juntos: Dedé e Manoel. Primeiro, Dedé, que deu fim a um período de cerca de 13 meses sem jogar no dia 21 de março, no empate em 0 a 0 com o Joinville, pela Primeira Liga, ao se recuperar de uma grave lesão no joelho direito.

O camisa 26 recebeu cuidados especiais e, por conta disso, só voltou a atuar em 9 de abril, no triunfo por 2 a 0 em cima do Democrata-GV, pelo Campeonato Mineiro. Foi somente em maio que Dedé emplacou três jogos consecutivos como titular, até sofrer um edema ósseo no joelho esquerdo, no triunfo por 1 a 0 sobre o Santos, na Vila Belmiro, no dia 28 daquele mês.

Dedé, mais uma vez, pouco esteve em campo pelo Cruzeiro (Foto: Geraldo Bubniak/Light Press)
Dedé, mais uma vez, pouco esteve em campo pelo Cruzeiro (Foto: Geraldo Bubniak/Light Press)

Manoel iniciou 2017 como titular da zaga celeste, atuando ao lado de Léo ou de Caicedo. Só que o atleta sofreu uma fratura no quinto metatarso do pé esquerdo, no dia 19 de abril, na derrota por 2 a 1 para o São Paulo, no Mineirão, na partida de volta da quarta fase da Copa do Brasil. Submetido a uma cirurgia no dia seguinte, precisou utilizar uma bota imobilizadora. Então foi a vez do experiente Léo fazer dupla de zaga com Kunty Caicedo e com eles veio o período mais difícil da defesa celeste.

Momento crítico

Na própria Copa do Brasil, no jogo de ida contra o Palmeiras, o time vencia por 3 a 0 no primeiro tempo e deixou o alviverde paulista empatar. Porém, o auge da crise veio no Campeonato Brasileiro, num clássico diante do maior rival, o Atlético-MG. Derrota amarga por 3 a 1, com péssima atuação de Caicedo.

Para se ter noção da dimensão do estrago que esses seis gols tomados em dois jogos fizeram, Mano Menezes, em coletiva pós-jogo, chegou a prometer que o seu time não levaria mais três gols no compromisso seguinte, que foi contra o Palmeiras pelo Brasileirão - o resultado foi o placar de 3 a 1 para a Raposa.

Parte de um dos piores momentos da defesa celeste, Caicedo foi emprestado pela Raposa (Marcello Zambrana/Light Press/Cruzeiro)

“Trabalho em relação à equipe toda. Quando o time faz gol, o gol é meu também. Quando começou a fazer gol, isso também é do treinador. A parte ruim, da defesa, que caiu de rendimento, também é do treinador. Temos que resolver isso. Temos que trabalhar. E prometo ao torcedor do Cruzeiro que no próximo jogo, o Cruzeiro não irá tomar três gols não”, chegou a afirmar o comandante.

Caicedo, nesse momento complicado pelo qual passou a defesa da equipe mineira, estava enfrentando problemas particulares com uma doença que acometia sua mãe. O equatoriano foi emprestado ao Barcelona de Guayaquil por uma temporada.

Solução caseira

Mais uma vez desafiado, o treinador teve que recorrer à base para ajustar seu sistema defensivo. Caicedo foi emprestado, e Murilo, de apenas 20 anos, ganhou a vaga no time titular, trazendo a tão sonhada tranquilidade. Ao lado do experiente Léo, o garoto mostrou que era capaz de dar conta do recado e os números comprovaram: em cinco jogos inicias como titulares, a dupla baixou a média de gols tomados de dez para quatro gols.

Murilo é baiano e está no Cruzeiro desde 2010 (Marcello Zambrana/Light Press/Cruzeiro)

Porém, os dois ainda terão pela frente mais um teste gigante: encarar o Flamengo, no Maracanã, pela final da Copa do Brasil. Mesmo que o rival esteja desfalcado do seu principal homem de frente, Paolo Guerrero não joga, o experiente Léo não acha que ele e seu jovem parceiro terão vida fácil no Rio de Janeiro. 

“A gente sabe que eles tem outros jogadores que tem características diferentes, de movimentação, de saída da área, porque o Guerrero é mais de presença na área. A gente tem essa consciência que outros jogadores podem movimentar bastante, sair da referêcia. Precisamos encaixar (a marcação) com essas características. Porém, mesmo sem o Guerrero, não será nada fácil encarar o Flamengo”, disse o defensor.

Léo é um dos atletas há mais tempo no Cruzeiro (Foto: Washington Alves/Light Press)

Esse grande teste da defesa que se consolidou na Raposa já é nesta quinta-feira, às 21h45, no Maracanã, pela primeira partida da final da Copa do Brasil.