Adilson Batista explica saída do Cruzeiro e relembra 'voadora' em placa de publicidade

Treinador do clube de 2008 a 2010, treinador credita ida ao Corinthians à demissão de ex-dirigente da Raposa; comandante revela mágoa com diretoria do Santos

Adilson Batista explica saída do Cruzeiro e relembra 'voadora' em placa de publicidade
Adilson Bastita é bem visto pelos torcedores cruzeirenses (Foto: Reprodução/Esporte Interativo)

Querido por boa parte da torcida do Cruzeiro, o técnico Adilson Batista concedeu entrevista ao programa “No Ar”, do Esporte Interativo, e mostrou apreço pelo clube mineiro. À frente da Raposa entre 2008 e 2010, o treinador afirmou que ama a agremiação e revelou o principal motivo que o fez aceitar a proposta do Corinthians, em julho de 2010.

Adoro o Cruzeiro, amo o Cruzeiro”, bradou. “Tenho um carinho muito grande pelo clube. Foram quase cinco anos [no clube] como atleta. Belíssimos jogadores, campanhas muito boas, duas Supercopas, os Mineiros, terceiro colocado no Brasileiro, cheguei à Seleção Brasileira, grandes jogadores; e mais três anos como treinador. Eu tenho uma relação muito legal com o Cruzeiro”.

De acordo com Adilson Batista, a demissão do falecido Eduardo Maluf, ex-dirigente de Cruzeiro e Atlético-MG, influenciou em sua decisão de deixar o time cruzeirense e assumir o Timão.

Eu saí mais em função da demissão do Eduardo Maluf. O Zezé [Perrella, ex-presidente do Cruzeiro] é meu amigo, ele sabe. Eu não entendi a demissão do Eduardo Maluf. Fiquei chateado, bravo. Ele era o meu respaldo; não porque me protegia, mas segura algumas coisas que eram importantes. Eu fiquei triste”, confessou.

Adilson Batista chegou ao Corinthians para suceder Mano Menezes, que, à época, estava de partida à Seleção Brasileira. Ao comentar sobre o episódio, o comandante explicou que não podia negar o pedido da equipe alvinegra.

Já de ter vindo [ao Corinthians], na ocasião o treinador da Seleção seria o Muricy, aí o Alexandre Faria me ligou do Fluminense: ‘você quer vir para o Fluminense? O Muricy está almoçando com o Ricardo Teixeira [ex-presidente da CBF]. Eu falei: ‘pô, claro, o Fluminense...’. [...] Aí, não foi o Muricy, mas o Mano [Menezes]. Naquela correria, o doutor Mário Gobbi e o Andrés [Sanchez] dizendo ‘venha, venha, venha’... Tem clubes que não dá para você dizer não”, frisou.

Adilson Bastista conquistou o Campeonato Mineiro duas vezes (2009 e 2010) e foi vice-campeão da Copa Libertadores, em 2009 (Foto:Divulgação/Vipcomm)
Adilson Bastista conquistou o Campeonato Mineiro duas vezes (2009 e 2010) e foi vice-campeão da Copa Libertadores, em 2009 (Foto:Divulgação/Vipcomm)

Em 2009, na partida contra o Santo André, no Mineirão, pelo Campeonato Brasileiro, Adilson Batista comemorou o gol da vitória celeste por 3 a 2 com uma voadora numa placa de publicidade (veja o vídeo abaixo). Segundo o comandante, o lance foi inspirado em um peixinho do ex-jogador e ídolo argentino Diego Maradona.

Aquele momento ali era de pressão, de cobrança, do time ganhar. É normal. O Maradona tinha dado um peixinho numa eliminatória, e eu, brincando com os jornalistas mineiros, falei: ‘ó, vou dar um peixinho’. Eles duvidaram. Nós viemos jogar contra o Corinthians, no Pacaembu. Nós fizemos um belíssimo de um jogo, ganhamos de 1 a 0, com gol do meia esquerda Gilberto. Me deu um estralo, mas pensei ‘não vou dar [a voadora] em respeito à torcida do Cruzeiro’. Aí, nesse jogo contra o Santo André, muita pressão, eu acabei dando a voadora”, contou.

Injustiça no Santos

Ainda na entrevista, Adilson Batista revelou uma mágoa com a diretoria do Santos. O técnico, que fora demitido do Peixe, em 2011, com apenas uma derrota à frente da equipe, acredita que foi injustiçado pela cúpula praiana.

Eu fiquei realmente triste com o Santos. São coisas para a gente aprender também. Você está pegando uma diretoria nova, que ficou anos, o Muricy desempregado; a diretoria cresceu o olho atrás. Eu tive dificuldades com os quatro [jogadores] na seleção olímpica: Neymar, Alex Sandro, Alan Patrick e Danilo, e quatro lesionados, o Ganso, o Charles, o Arouca e não me recordo o outro. Ali foi o Elano que me ajudou e segurou a bronca no Paulista. E eu fiz um jogo na Libertadores. Eu não entendi. Respeitei, mas eu fiquei muito chateado porque achei que não foi justo comigo. Mas faz parte da nossa profissão”, finalizou.