Recordar é viver: em 1978, Rondinelli garantia vitória do Flamengo sobre Vasco no Carioca

Zagueiro, que foi apelidado de "Deus da Raça", marcou o gol que deu vitória ao Flamengo sobre rival Vasco e título do Campeonato Carioca há 40 anos

Recordar é viver: em 1978, Rondinelli garantia vitória do Flamengo sobre Vasco no Carioca
(Foto: Divulgação/Flamengo)
Flamengo
1 0
Vasco
Flamengo: Cantarelli, Toninho, Manguito, Rondinelli e Júnior, Carpeggiani, Adílio e Zico, Marcinho, Cléber(Eli Carlos) e Tita(Alberto)
Vasco: Leão, Orlando, Abel, Gaúcho e Marco Antonio, Helinho, Guina e Paulo Roberto, Wilsinho(Paulo César), Roberto e Ramon(Paulinho)
Placar: 0-1, MIN. 41'/2ºT, RONDINELLI
ÁRBITRO: José Roberto Wright

Flamengo e Vasco jogam neste sábado (27) pela quarta rodada do Campeonato Carioca, às 17h, no Maracanã. Um das maiores rivalidades do país, o Clássico do Milhões tem vantagem rubro-negra: em 380 partidas disputadas, a equipe da Gávea ganhou 145, empatou 105 e perdeu 130, com 511 gols marcados e 495 sofridos. 

O histórico do confronto é repleto de jogos marcantes. No dia 3 de dezembro de 1978, na final do Campeonato Carioca, foi Rondinelli, o "Deus da Raça", quem decidiu. O zagueiro marcou de cabeça, aos 42 minutos do segundo tempo, e deu a vitória ao Flamengo. Com o triunfo, o Rubro-Negro sagrou-se campeão da Taça Rio; como já tinha ganhado a Taça Guanabara, levou o título de campeão estadual. 

O jogo do título

O Vasco precisava do empate para conquistar a Taça Rio e decidir o título carioca também contra o Flamengo, que já havia ganhado o primeiro turno; para o Rubro-negro, só servia a vitória interessava para garantir o troféu estadual.

As duas equipes estavam nervosas e jogando contra o tempo. Apesar de ter tido algumas oportunidades o Vasco jogou fechado, apostou numa proposta mais defensiva. Já o Flamengo estava indo para cima do adversário - afinal, não servia outro resultado a não ser ganhar o jogo. 

No segundo tempo, as propostas de jogo se mantiveram, os cruzmaltinos tentando segurar a bola e gastar o tempo e o clube da Gávea buscando o gol. O goleiro Leão, do Vasco salvou o time diversas vezes, impedindo que o Flamengo marcasse. 

Quando parecia que o jogo terminaria empatado, apareceu um escanteio para o Flamengo de Zico. O meia cobrou e Rondinelli veio correndo do meio campo, subiu por trás de Abel e cabeceou a bola para o fundo das redes cruzmaltinas, aos 42 minutos do segundo tempo. 

O final do jogo ainda foi tenso: aos 46 minutos da etapa final, Zico fez uma falta em Guina, que não gostou e o agrediu. O camisa 10 do Flamengo revidou e os dois foram expulsos. A partida ficou mais de 5 minutos parada. 

Depois que os ânimos se acalmaram, a partida recomeçou, mas nada mais aconteceu. Aos 54 minutos, o árbitro apitou pela última vez. Fim de jogo: o Flamengo vencia o Vasco por 1 a 0 e alcançava uma conquista mais que emblemática em sua história.

O título de 1978 abriu o terceiro tricampeonato carioca da história do clube (1978/79 especial/79), além de ser considerado o "ponto de partida" para a geração 1978-1983, a mais vitoriosa da história do clube. Em seis anos, foram quatro conquistas estaduais, três Campeonatos Brasileiros (80, 82 e 83), além da Libertadores e do Mundial de 1981.

A campanha rubro-negra em 1978

O Flamengo foi campeão após conquistar os dois turnos. No primeiro, a Taça Guanabara, o time da Gávea foi campeão pelo saldo de gols. Terminou com 17 pontos, conquistou sete vitórias, empatou três vezes e perdeu apenas um jogo. 

Em 1978, o segundo turno estadual foi chamado de Taça Rio pela primeira vez - e nele o Rubro-Negro foi campeão invicto, com dez vitórias e um empate em 11 jogos. Ficou com um ponto a mais que o segundo colocado. Com a conquista dos dois turnos, não foram necessárias mais partidas para a decisão do título do Campeonato Carioca. 

Rondinelli e a alcunha de "Deus da Raça"

Rondinelli foi um zagueiro guerreiro: nunca desistia da jogada e dividia com vontade. Era sempre disciplinado e se entregava até o último minuto de jogo. Em uma de suas frases mais famosas, afirmou que "morreria feliz para evitar um gol contra o Flamengo".

No dia 3 de dezembro de 1978, toda essa entrega foi muito bem recompensada. O zagueiro saiu do campo defensivo e se colocou bem atrás do zagueiro adversário, cabeceando com força à direita do gol e dando o título carioca ao Flamengo. Por sua constante entrega e força de vontade dentro dos gramados, recebeu a carinhosa alcunha de "Deus da Raça", dada pelos torcedores rubro-negros.