Eleição Presidencial no Fluminense: VAVEL entrevista candidato Pedro Abad

Representante da Flusócio e mandatário do Conselho Fiscal do Fluminense, Pedro Abad é o entrevistado da vez pela VAVEL Brasil

Eleição Presidencial no Fluminense: VAVEL entrevista candidato Pedro Abad
(Foto: Editoria de Arte/VAVEL)

Os bastidores das Laranjeiras respiram um ar diferente com a proximidade do mês de novembro: é ano de eleição. Com o fim do segundo triênio de Peter Siemsen, cinco candidatos se apresentam para assumir o cargo de presidente do Fluminense Football Club: Pedro Abad, Pedro Trengrouse, Cacá Cardoso, Celso Barros e Mário Bittencourt. E, como já é tradição na VAVEL Brasil, entrevistaremos todos os postulantes a fim de informar, elucidar e auxiliar os sócios tricolores a decidirem seu voto.

Representante da Flusócio e mandatário do Conselho Fiscal Tricolor, Pedro Abad é o entrevistado da vez. Conforme seguem as regras definidas pela Redação VAVEL Brasil, o candidato foi sabatinado com 20 perguntas que também serão feitas igualmente para todos os outros concorrentes, sem limite de tempo para resposta. Confira!

Confira todas as 20 perguntas para Pedro Abad:

VAVEL BRASIL: Primeiramente, quem é Pedro Abad e como começou sua ligação política com o Fluminense?

ABAD: "Pedro Abad é um tricolor apaixonado, engenheiro, funcionário público, trabalha na Receita Federal, 45 anos, uma pessoa que só pensa em Fluminense o dia inteiro. Pensando em como ajudar o Fluminense a crescer, evoluir. Um cara de arquibancada que vai aos jogos, assiste aos jogos de basquete - quando tinha -, volêi, completamente focado em Fluminense.

Minha vida política começou em 2007 quando me tornei sócio. Então, três meses depois conheci meu grupo político e me interessei porque achava que o torcedor tinha que entrar dentro do clube. Na época, o quadro social que votava era muito pequeno e entendíamos que tinha que ter mais gente decidindo o rumo do clube. Fiz uma revista para distribuir durante os jogos que falavam sobre administração, sobre gestão, e criamos um serviço que ajudava o Tricolor a se associar.

Íamos na casa das pessoas, no escritório, elas preenchiam fichas e nós fazíamos todos o serviço de secretária quando o clube não fazia. Assim, conseguimos um grande número de sócios para dentro, elegemos o presidente Peter e fizemos seis anos muito bons. Então, participei como membro do Conselho Fiscal, participei de reuniões do Conselho Direito, passei a opinar e fazer parte da gestão"

 

VAVEL: O que te faz sentir capacitado e preparado para ser presidente do Fluminense Football Club?

ABAD: "Primeiro porque sou Tricolor, amo o clube, entendo depois de seis anos aquilo que o Fluminense precisa melhorar. Entendo o que o Fluminense tem que precisa evoluir em algumas questões. Consigo enxergar muito claramente para onde o clube precisa ir no futuro. Esses últimos seis foram o início de um projeto que visa manter o Fluminense vivo, competitivo e forte. Acho que nenhum Tricolor vai se acostumar a ser um time de meio de tabela para o resto da vida, isso não existe.

Temos que manter o Fluminense vencedor e não será fazendo igual os outros que vamos conseguir isso. Temos que fazer algo diferente para nos destacarmos. Eu me sinto capacitado para levar esse projeto à frente, avançar com esse projeto que foi iniciado, e entregar ao próximo presidente um clube mais estruturado, um futebol mais profissionalizado e de forma que essa evolução possa sempre continuar. O Fluminense com uma base cada vez mais forte, pra atingir objetivos cada vez maiores e continuar se mantendo no topo do cenário"

 

VAVEL: Qual é o seu planejamento e as principais propostas de sua gestão para o futebol do Fluminense?

ABAD: "Profissionalizar o futebol é ter profissionais integrados e decidindo em conjunto. Deixar todas as decisões - no que diz respeito ao futebol - na mão de uma pessoa, um único profissional, traz um índice de erro que não é desejável. Quando você tem três profissionais que entendem da mesma matéria, conversam entre sí e decidem, a chance de erro é muito menor.

O principal mote meu no futebol é você integrar base e profissional através de um terceiro profissional que gere o elenco em conjunto e incorpore o Flu-Europa junto com isso. É um projeto maior que você envolve gerente da base, gerente do profissional, e uma pessoa acima deles que coordena as duas estratégias de forma que você sempre esteja aproveitando o potencial que a base te traz e evita erros na hora de contratar.

Além disso, quando você integra o Flu-Europa junto, você abre porta para um futuro que a gente pode até - com uma mudança de Legislação que está sendo estudada - se tornar um clube atrativo para investidores externos e a gente consegue equilibrar o jogo financeiro. É um projeto que leva um tempo pra ele evoluir totalmente, mas temos que iniciar. Espero que nesses três anos a gente avançe no sentido dessa estrutura estar funcionando e utilizar a experiência no Flu-Samorin para ser um piloto para o futuro"

 

VAVEL: E para os esportes olímpicos?

ABAD: "Esportes Olímpicos a gente tem inicialmente uma conquista dessa gestão que foram as Certidões Negativas, que permitem que a gente busque recursos fora do clube. Nós temos uma departamento que elabora projetos, mas acho que ele tem pouco braço. Além de ter uma pessoa fazendo o projeto, tem que ter outro que vá ao mercado buscar esse capital. O que pretendo fazer é ter mais gente fazendo esse trabalho de elaboração e captação, que a gente consiga recursos para fazer projetos.

Seja esporte de alto rendimento, uma ação de reestruturação de equipamentos do Esporte Olímpico que, por outro lado, a gente tem os projetos especiais para times de alto rendimento. O vôlei feminino que ontem ganhou do Rexona e foi campeão estadual não é barato e está sendo feito com dinheiro do clube, porque é o próprio Fluminense que está fazendo. Nós não temos um patrocínio específico pra isso. Nós vamos ter uma equipe para buscar esses patrocínios focada em Esporte Olímpico para não misturar com futebol, porque são valores completamente diferentes.

Para montar um time de basquete, por exemplo, temos que montar um projeto e ir buscar na iniciativa privada recursos financeiros. Além disso, temos que planejar para que direção vai cada esporte. Se vai ser de formação, se vai ser de recreação pra sócio, ou se vai ser de alto rendimento. Cada opção envolve um orçamento porque vamos buscar fontes de financiamento próprio, porque senão fica aquela divisão pelo mesmo recurso e fica 'um pegando dinheiro do outro'. Precisamos de direções, buscar orçamento e procurar o dinheiro de cada um"

 

VAVEL: Uma pauta que ficou bastante em alta na Rio 2016 é a importância do apoio ao futebol feminino no Brasil. O Flamengo e Vasco carregam projetos para inclusão das mulheres no esporte. Existe planejamento para a inclusão do futebol feminino em sua gestão no Fluminense?

ABAD: "Hoje não temos futebol feminino. Para montar um time feminino e ter um desempenho pífio, perdendo jogos, eu não acho que vale a pena. Ou a gente monta um projeto que o time tenha efetivamente a chance de ter um bom resultado, ou não monta. O futebol feminino entra no mesmo planejamento dos outros esportes. Se é pra ser um time vencedor ou ser só um time de formação, faz um orçamento pra ele e busca fonte de receita. O caso do time feminino tem o mesmo tratamento dos Esportes Olímpicos. Depende de qual é a estratégia pra ele e define se vai ter o time ou não"

 

VAVEL: Com a construção do CT, existe um temor sobre a futura utilização de Laranjeiras. Existe um planejamento para reforma e reutilização o local?

ABAD: "Sobre revitalização da sede do clube. Muitas vezes a gente vê o clube meio esvaziado, com pouca gente e acho que as ações dos departamentos que cuidam da vida social do clube talvez não estejam antenadas para o que o sócio quer fazer. Antes de sair executando ações, precisamos conhecer o sócio. Fazer uma pesquisa qualitativa do perfil do sócio, saber porquê que ele não está aqui dentro, procurar conhecer o morador da redondeza, porquê que ele não é sócio. Conhecendo o que ele quer fazer, que ações ele quer que o clube faça, a gente vai naturalmente conseguir atraí-lo, pois vamos focar recurso e tempo naquelas ações que sabemos que vamos ter retorno.

Sobre Laranjeiras, é um processo que demanda muito debate. Esse estádio foi o primeiro da Seleção Brasileira, tem uma história enorme, então tem que ter um projeto que ao mesmo tempo atenda aos sócios, que os poderes do clube concordem e o poder público também. Então a gente pode pensar em que? Futebol. Eu particularmente não pretendo deixar o futebol profissional aqui, vai ser o futebol de base, ou treino com os sócios para voltarem a ter contato. Ou uma integração com o museu, como são os tour's dos times da Europa que você passa pela sala de troféus, entra pelo campo e sai em uma loja.

A gente pode fazer isso. E também pode pensar em utilização do campo em sí para outros esportes, society, estacionamento. Uma gama de opções que temos que analisar para ver aquela que atende a todos os envolvidos e você foca e executa. Mas temos que fazer um estudo de viabilidade para saber se ela cabe no espaço"

 

VAVEL: Estádio próprio do Fluminense: sonho ou realidade? Existe um plano real, com arrecadação de verbas e busca por investidores, para a construção do estádio?

ABAD: "É boa essa pergunta para nivelar a expectativa do torcedor. O projeto de um estádio em uma cidade como o Rio de Janeiro sempre é um processo complicado. Sempre é. O que a gente conseguiu fazer na última terça-feira foi o primeiro passo. Se a gente não fizesse, a gente nunca chegaria ao final. Muita gente diz que foi um factóide, que está muito longe de acontecer. A questão não é estar longe ou estar perto, ela tem que ser iniciada. Foi um início muito bom, vários estudos já foram feitos em termos de arquitetura, em termos de fontes de financiamento. Detalhar isso é muito complicado porque são muitos processos que dependem de algum sigilo para que eles funcionem.

O que a gente pode dizer que é um processo que está no planejamento estratégico do Fluminense ter seu estádio. Nós vamos começar com esse memorando de entendimento, existe um trabalho a ser feito junto com a prefeitura, a partir daí a gente vai começar a expôr a parceiros para entrarem na construção. Enfim, não existe ficar criando falsas expectativas. É um processo longo, vai levar um tempo. As coisas podem acelerar e podem atrasar. Não se trata de criar uma falsa expectativa. Nós precisamos dizer o que é e se tratar de começar um trabalho. Muitos talvez nem sonhassem com isso e nós já estávamos pensando nisso sem divulgar. Então, quando a gente divulga um fato, ele é um fato importante que está abrindo portas para a gente tomar outros passos pra frente"

VAVEL: Na última quinta-feira (29), antes da partida contra o Sport, um grupo de torcedores enfrentou cambistas na porta de Edson Passos e recuperou cerca 350 ingressos para redistribuí-los aos tricolores. Mesmo sendo um caso mais policial que administrativo, como você vê essa situação e pretende tomar alguma medida para evitar o cambismo em jogos do Fluminense?

ABAD: "Olha, o que a gente tem visto acerca do cambismo é que essas pessoas tem colocado outras pra colocar ingresso em nome delas e começam a juntar uma quantidade relevante. Hoje a gente tem um controle na compra de meia-entrada, os pontos de venda são controlados de forma que não sai quantidade de ingresso grande por uma pessoa só, mas esse trabalho de formiguinha é muito difícil de evitar. Mas, o clube está sempre atento, olhando e evitando que aconteça essas situações.

Como você disse, o caso é mais para a polícia por se tratar de crime contra a ordem econômica, mas o clube está sempre atento para que não haja facilidade para eles retirarem quantidades grandes. Mas, quando uma pessoa compra dois, três ingressos e concentra em uma pessoa só, começa a dificultar o controle. A gente tem tentado coibir as ações. Esse acontecimento indica que os torcedores se revoltaram e tomara uma atitude. A gente procura fechar todas as portas para que não aconteça a concentração de uma quantidade de ingressos relevante na mão de uma pessoa só"

 

VAVEL: Existe a discussão sobre o Consórcio Maracanã deixar a administração do estádio. Se isto de fato acontecer, sua gestão brigaria para assumir a administração do estádio? No caso de optar pelo Maracanã, haveria a possibilidade de realizar uma parceria política com o Flamengo?

ABAD: "Na verdade, o Fluminense precisa de um estádio para jogar. A gente tem um contrato com o Consórcio Maracanã que é muito bom para nós. Nos interessa ter esse molde de contrato. Nossa intenção é que esse contrato praticamente da mesma forma de mantenha. Um leve ou outra alteração no sentido que a gente consiga continuar a jogar lá e que a gente não perca o nosso foco, que é o nosso estádio. O foco do Fluminense é ter o seu estádio.

Toda negociação em torno do Maracanã vai levar em conta que a gente precisa jogar no Maracanã, temos um bom contrato, e olhamos pro futuro com a nossa casa. Detalhes contratuais e como tá sendo conversado é dificil de se falar porque atrapalha a negociação. Eu gostaria de deixar o foco. Qual é o foco da negociação? Manter o máximo possível do nosso contrato, continuar jogando no Maracanã, mas com o maior foco possível no nosso estádio"

 

VAVEL: Também há debate sobre da categoria de base no Fluminense. Enquanto Scarpa tem um projeto a longo prazo, outros como Marlon, Kenedy, Biro Biro são revendidos logo que despontam. Existe um projeto para permanência das revelações ou a necessidade de "formar para revender" também está incluído como projeto financeiro?

ABAD: "Hoje em dia no futebol você não faz uma gestão sem pensar na venda de jogadores. Você faz tudo de um jeito que uma hora ou outra precise fazer uma venda. Decisão é saber quando você tem que fazer isso. Quando o clube tá muito pressionado por recursos, o clube acaba por se desfazer de seus atletas. É necessidade. Então, a entrada de um jogador da base para o elenco profissional é que precisa ser mais bem planejada. Muitos jogadores que a gente vê entraram numa situação bastante complicada e acabam não sendo compreendidos pelo torcedor e se perde. Então, o que eu penso disso é a necessidade de fazer uma integração mais adequada do atleta da base e sua passagem para o profissional.

É planejar sua entrada no time, no elenco, e quando ele estiver pronto pra jogar, vai render. Vai dar resultados dentro de campo, vai ter sua carreira no Fluminense e em um determinado momento vai estar pronto pra sair. É assim que se faz. Não adianta jogar o jogador de qualquer jeito no elenco e achar que ele vai resolver de uma hora pra outra. Ele é muito jovem e o jogo na base é muito diferente do profissional. Minha proposta é exatamente essa quando digo que vai ficar uma pessoa acima do gerente da base e do profissional fazendo essa transição"

 

VAVEL: Muitos torcedores ainda não entenderam a real finalidade do projeto STK Samorin. Qual a sua opinião sobre o mesmo e, caso eleito, continuará em atividade ou passará por reformulação?

ABAD: "O Flu Samorin é um clube com o qual o Fluminense fez uma parceria no sentido de alocar atletas com potencial para que eles tenham uma vivência diferenciada. Um dos problemas que os jogadores brasileiros têm na hora de atrair a atencao o mercado europeu é a dúvida se aquele garoto vai se adaptar, se tem responsabilidade para seguir carreira na Europa, se tem um bom nível intelectual.

Com esse projeto a gente cria uma pessoa muito melhor. Ele vai ter que se virar lá para fazer as coisas, aprende uma língua, aprende disciplina tática, conhece outra cultura, e ai ele volta um atleta muito mais pronto para jogar. Paralelamente a isso, o Samorin fica do lado de um centro de prática de esportes que é o segundo maior do mundo, a X Bionic, que tem toda a infraestrutura tecnológica, biomecânica, fisiologia, tudo o que você puder imaginar tem ali para o atleta se desenvolver fisicamente.

E no convênio que nós temos com o Samorin, nós entramos em contato com a X Bionic e eles franquiaram o uso pelo Flu Samorin nas instalações dele. Hoje estamos na segunda divisão do campeonato eslovaco, estamos andando bem e existe esperança de subir para a primeira divisão. Nós conseguindo subir, teremos contrato de televisão, patrocínio mais forte, para montar um time melhor ainda.

Ai você vai me perguntar: qual o futuro disso? O futuro disso é a gente estruturar toda a operação Samorin e tornar ela atrativa para investidores que irão alavancar esse time e transformar ele num time relevante dentro da Europa. Aí os patamares de revenda de atletas, de tudo, começa a crescer muito. O que isso beneficia o Fluminense? Beneficia na captação de atletas.

Todo ano jogamos no mercado jogadores que estouram a idade aqui. Muitos não são usados no profissional. E aí o que você faz com o dinheiro que foi investido nele em toda a vida? Vai pro ralo, o garoto se desmotiva. Com o Flu Samorin, o garoto que está pensando escolher para qual time ele vai, ele pensa: "além do próprio clube eu tenho a possibilisade de jogar na Europa desde cedo". Isso é o diferencial do Fluminense. Começa a atrair atletas jovens para o Fluminense.

Você aloca jogadores na segunda divisão, eles começam a perder o interesse no mercado. Quando você coloca na Europa, ele passa a ter mais valor, rende melhor. É uma série de coisas que estão envolvidas nesse projeto que vai catapultar a base do Fluminense. A base do Fluminense vai ser cada vez melhor. O Flu Samorin está muito integrado com Xerém. Você pode escolher quem vai, quem fica. Você pode escolher quem vai ficar mais tempo. A base do Fluminense vai ser cada vez melhor."

VAVEL: Um dos momentos mais fortes da gestão Siemsen ficou por conta do enfrentamento às torcidas organizadas. Qual a sua opinião sobre papel e função das Torcidas Organizadas junto ao clube Fluminense.

ABAD: "A priori, uma relação boa, tranquila, de respeito. Eu respeito muito as torcidas organizadas, muitas vezes elas aparecem em lugares onde o torcedor comum não vai, e a gente tem respeito por elas. Sendo respeito mútuo, colaboração mútua, tende a ser uma relação muito boa, não vejo porque seria ruim. A partir do momento que existe desrespeito, tumúlto no ambiente de trabalho, aí o clube se vê obrigado e ter uma relação diferente. Tendo respeito entre as partes, não vejo porque não ser uma boa relação"

 

VAVEL: Há um projeto de melhorias no programa de sócio-torcedor? Se sim, quais?

ABAD: "Sim, mas além das melhorias vale a pena dizer que o plano já é muito bom. Falta um pouco de divulgação dos benefícios que ele tem. O sócio torcedor do Palmeiras tem 10% de desconto na mensalidade da universidade Maquenzie. Então tem um grande número de torcedores de outros times, que não torcem para o Palmeiras, mas estão interessados na rede de benefícios.

O Fluminense tem uma rede de benefícios muito boa, só que o tricolor não sabe disso. Até mesmo o sócio, que se interessou só pelo ingresso, não sabe dos outros benefícios. Então a gente tem que incrementar os benefícios. No que tange aos ingressos ele já é muito bom. Mas falta divulgar os benefícios que ele tem, incrementar benefícios e procurar envolver cada vez mais o sócio de fora do Rio de Janeiro. Temos torcida no país inteiro e precisamos aproximar esses torcedores do Fluminense."

 

VAVEL: Uma das maiores reclamações dos torcedores quanto ao programa Sócio-Futebol é a falta de benefícios reais, principalmente a quem mora fora da Rio. Implementação de milhagens, que seriam recebidas ao se adquirir produtos oficiais e ingressos e poderiam gerar descontos nos próprios ingressos e produtos oficiais. Há alguma perspectiva desse pedido da torcida ser aceito?

ABAD: "Sim, a gente precisa adotar ações e benefícios no plano para que o sócio que mora fora do Rio de Janeiro possa se sentir pertencente a vida do clube. Eu acho que a gente precisa conhecer o anseio desse sócio, entender o que faz diferença para quem mora fora do Rio de Janeiro na hora dele se decidir se associar ou não. Se é desconto em estabelecimentos perto de onde ele mora, se é vir ao Rio assistir a um jogo em uma situação diferenciada de presença ao presidente ou a algum jogador.

São ações que precisam ser estudadas e fazem a diferença para esse sócio. As vezes o clube pode tomar uma iniciativa que custe dinheiro e tempo em algo que não resolve. Além disso, gosto muito da ideia das embaixadas, a criação de locais físicos - além do virtual - para que você possa concentrar Tricolores, que faça criar uma experiência de jogo. Resumindo, engajar o torcedor fora do Rio e procurar benefícios no plano que gerem interesse em se associar"

 

VAVEL: O Fluminense enfrentou e enfrenta problemas de logísticas com os últimos patrocinadores: Guaraviton rescindiu após problemas financeiros e a DryWorld é criticada pela sua distribuição. Caso eleito, como pretende lidar com os problemas da atual fornecedora e a busca por um patrocinador master?

ABAD: "Posso te dizer que o departamento de marketing está trabalhando nas duas situações. Ao contrário do que a gente houve as vezes, o Fluminense preza muito pelos parceiros que tem. A DryWorld foi uma aposta que fizemos e eu, particularmente, não via sentido em romper uma parceria sem tentar ao máximo que ela desse certo. Naturalmente para tudo tem limite e passa a ser uma decisão do presidente junto com o departamento de marketing estabelecer qual é esse limite.

Então eu acredito e escuto que eles estão analisando essa situação. Com relação ao patrocinador master, a gente sabe que existe muita tratativa sendo feita. Mas, por outro lado, a gente tem que valorizar com a camisa do Fluminense na hora de lidar com potenciais patrocinadores. Não adianta a gente vender nossos espaços por qualquer valor. Senão depois o mercado entende que esse é o novo valor do Fluminense a gente não recupera o valor que a nossa camisa merece. Por outro lado, existe a crise econômica que vem assolando o país e faz com que os investimentos sejam menores.

A camisa do Fluminense não é barata. É uma camisa de muita visibilidade, de muito retorno, e tem um preço. Além disso, a pressa que o Fluminense tem por um patrocinador não é a mesma que o patrocinador tem para investir seu dinheiro em uma camisa. Posso te dizer que o departamento de marketing está trabalhando com isso, o acordo com a Caixa Econômica já nos dá um horizonte para buscar um caminho nesse sentido e tenho muita esperança de que vamos conseguir algo antes do final do ano"

VAVEL: Gestão Siemsen é reconhecida por estar diminuindo as dívidas do Fluminense, mas também critica pelos resultados no futebol. Qual será seu modelo de gestão: seguir com o projeto de saúde financeira ou impôr altos investimentos para buscar resultados dentro de campo?

ABAD: "Nossa dívida tem um perfil mais adequado a situação do Fluminense do que ela tinha há seis anos. Nossa dívida é praticamente toda de longo prazo, ou seja, temos previsibilidade no fluxo de caixa para pagamento parcelado dessas dívidas. A gente consegue aliar elenco com finança quando a gente investe melhor no elenco. Quando você paga muito por um jogador que dá pouco retorno, você acaba investindo mal e isso impacta sua dívida. Quando você investe corretamente, vai ter resultado dentro de campo e pagar.

Quando proponho um modelo novo de futebol, proponho um modelo aonde você erra muito menos. Ninguém acerta sempre, mas, quando se erra menos, seu investimento te traz mais retorno. O principal é fazer o futebol com investimento mais ligado ao retorno e aplicar no próprio time. O clube não é só futebol, você tem vida social, tem esportes olímpicos e se gasta com todo mundo. Quando você investe melhor, te sobra dinheiro para investir. Basicamente é isso: gastar melhor, arrecadar mais e dividir o bolo"

 

VAVEL: Sobre o posicionamento político do Fluminense quanto a questão da CBF: existem fortes criticas à entidade sobre a organização de campeonatos, questões de calendário e principalmente arbitragem. Mas, em dezembro de 2015, Coronel Nunes foi reeleito com voto favorável do próprio Fluminense. Qual seu posicionamento sobre o caso?

ABAD: "Realmente não sei exatamente o que levou o Fluminense a tomar essa decisão. Eleição e CBF é uma decisão extremamante política e não sei te dizer o que motivou. Importante é o Fluminense sempre defender seus interesses e se fazer presente. Acredito que o presidente escolheu essa pessoa por ser algo importante para o clube. É uma situação que foi analisada no momento e dentre as opções disponíveis foi a melhor. Poderia te responder melhor se um dia eu estivesse nessa posição, mas o que levou o presidente a tomar tal decisão eu não sei de precisar"

 

VAVEL: Existe um racha evidente com Rubens Lopes, presidente da FERJ e Eurico Miranda, presidente do Vasco. Qual será sua postura se eleito presidente? Seguirá defendendo os interesses do clube impondo força, ou tentará uma reaproximação com os mesmos?

ABAD: "O importante e o principal são os interesses do Fluminense. Se ele puder ser atendido com diálogo, muito melhor. Se o direito do Fluminense for atacado, o Fluminense vai para briga. Isso é uma posição adotada totalmente orientada em defesa do interesse do Fluminense. Sem avendo diálogo e acordo, sem que o interesse do Fluminense seja prejudicado, o diálogo vai prevalecer. Se o diálogo não for possível, a gente vai para o enfrentamento. Então, eu pretendo conversar sim com o presidente Rubens Lopes, não vejo porque um presidente de clube não conversar com presidente da federação. Se não houver possibilidade de acordo, o Fluminense segue seu caminho e as outras partes envolvidas também, cada um defende seu lado."

 

VAVEL: Como você avalia os seis anos da Gestão Peter Siemsen? E o que é possível melhorar?

ABAD: "Eu considero o presidente Peter um visionário. Ele enxergou um planejamento estratégico que hoje é muito claro, mas há seis anos não era. Dentro do que ele se propôs a fazer eu considero ele um presidente excepcional. Na minha opinião, ele será lembrado durante muito tempo pelo o que ele realizou. Mas como todo projeto que tem uma duração longa, não se pode atacar algumas coisas que não foram feitas. O Fluminense precisa de uma organização administrativa mais eficiente, isso não foi possível de atacar nesse período.

É um foco muito importante na minha proposta, criar uma cultura mais ligada a corporação propriamente dita. O futebol precisa ser completamente remodelado. A estratégia de futebol precisa mudar urgentemente. A gente precisa trazer o torcedor para mais perto. Tem que se sentir mais engajado na vida do clube. Tem que se sentir ligado diretamente ao crescimento do clube. Meus três pontos principais são esses: remodelação do futebol, criar uma cultura organizacional administrativa mais profissional e procurar o máximo em engajar o torcedor na vida do clube. Seriam essas 3 evoluções principais na minha gestão."

 

VAVEL: E esse é um espaço aberto para você deixar seu recado para a torcida do Fluminense que está lendo esta entrevista.

ABAD: "O recado que eu quero mandar é um pedido de confiança na continuidade e no avanço de um projeto totalmente estruturado e vencedor do Fluminense. Nós temos uma visão muito clara da onde o Fluminense tem que estar e como vai chegar lá. É um projeto que começou com o presidente Peter, vai avançar comigo e provavelmente vai precisar continuar a ser ampliado com novos desafios que vão aparecer pelos presidentes seguintes. Tão importante quanto a pessoa que vai entrar é dar segmento a esse projeto, e eu me sinto completamente preparado e determinado para executar essa tarefa.

O que o torcedor pode esperar é uma pessoa de arquibancada, uma pessoa que se preocupa totalmente com futebol, obcecado por ganhar a Libertadores, mantendo nossa responsabilidade com as finanças do clube. Mas principalmente um futebol que vai dar orgulho ao torcedor. Vai ter uma ligação direta, vão se sentir representados por aquele time, por aquele elenco. Alem disso, vai se identificar com o clube vencedor. Ele vai entender que o clube dele está avançando para uma posição que é condizente com a história do Fluminense. Vai começar o ano com o torcedor sempre acreditando em ganhar, sem aquele marasmo de meio de tabela. O torcedor pode esperar um presidente focado em ganhar."