Grêmio contra argentinos em final de Libertadores: um histórico preocupante

Tricolor gaúcho chega em sua quinta final no torneio, a terceira contra clubes argentinos

Grêmio contra argentinos em final de Libertadores: um histórico preocupante
Imagem: Rodrigo Rodrigues / editoria de arte da VAVEL Brasil

O sonho pelo Tri da América segue mais vivo do que nunca e agora apenas dois jogos separam o Grêmio de reconquistar a América pela terceira vez em sua história. Para isso, o Tricolor precisa superar o Lanús da Argentina que chega para a sua primeira final da história. Chegou a hora dos gremistas encararem seu maior pesadelo na América: superar um clube argentino na final.

Grêmio e retrospecto histórico contra argentinos na Libertadores

Historicamente os argentinos são uma pedra no sapato para os clubes brasileiros, mas ganha um tom mais dramático quando se trata contra a parte azul do Rio Grande do Sul. Grêmio já esteve em campo em 18 oportunidades contra algum clube argentino, venceu seis, empatou seis e perdeu seis. Apesar de aparentemente os números serem equilibrados, quando se trata de mata-mata, o Grêmio levou a melhor em duas oportunidades: 2001 diante do River Plate e 2017 nas oitavas contra o Godoy Cruz.

Retrospecto geral do Grêmio contra argentinos:
18 jogos
6 vitórias
6 empates
6 derrotas
44,4% de aproveitamento
18 gols pró
20 gols contra

Em finais, Grêmio nunca venceu os argentinos

O Grêmio chega para a sua terceira final contra os argentinos, nas duas finais anteriores o torcedor gremista não tem nenhuma boa recordação. Foram 4 partidas: 3 derrotas e um empate, nenhum gol marcado e 6 gols sofridos.

Para piorar o retrospecto, jogando em casa, o Grêmio perdeu os dois embates contra os argentinos (1 a 0 em 1984 contra o Independiente e 2 a 0 em 2007 diante do Boca Juniors). Definitivamente um drama a ser superado pelo Tricolor.

1984 - O sonho do Bi acaba diante de um poderoso time do Independiente

Um ano após o título inédito da Libertadores, o Grêmio estava novamente diante de uma decisão na América. O sonho do Bi estava mais vivo do que nunca, porém do outro lado, simplesmente estava o maior campeão de todos os tempos da Libertadores; Independiente de Avellaneda.

Em 1984, a fórmula da Libertadores era muito diferente e o Grêmio, como campeão anterior, pôde entrar já na fase semifinal (que era na verdade um triangular, onde o campeão do grupo se classificava para final), um mimo que soube justificar: logo de cara, sapecou 5-1 no Flamengo e, fora de casa, arrancou um 2 a 0 no outro concorrente, os surpreendentes venezuelanos da Universidad Los Andes. Os cariocas venceram os gaúchos por 3 a 1. A seguir, o Grêmio aplicou outra goleada no Sul: placar de 6 a 1 na Universidad. Empatados na pontuação, Grêmio e Flamengo disputariam o desempate.

O jogo-extra era aplicado nesses casos como critério de desempate (quando equipes empatavam em números de pontos). A decisão era em campo neutro, no caso, em São Paulo, com os gremistas tendo vantagem do empate pelo enorme saldo. Mais longe de casa que os rubro-negros, os tricolores cozinharam friamente o 0-0 ao fim de 120 minutos, pois houve prorrogação, e chegavam à final novamente.

A equipe formada por Renato Gaúcho, Hugo de Léon, China, Tarciso e cia. tinha diante de si o Independiente da Argentina, que tinha como destaque o meia Ricardo Bochini. A primeira partida da decisão foi em Porto Alegre, com os Estádio Olímpico completamente lotado. Para surpresa dos 75 mil torcedores que foram ao Olímpico ver o Grêmio (favorito) abrir vantagem na decisão, acabaram vendo um domínio completo da partida pelos argentinos que neutralizaram Renato Gaúcho e, principalmente na segunda etapa, viram Bochini dar um verdadeiro show e comandar a equipe de Avellaneda na vitória pelo placar mínimo de 1 a 0 (gol de Burruchaga aos 24 minutos do primeiro tempo), que acabou saindo barata segundo os meios de comunicação da época.

Foto: futebolportenho //Reprodução

Na Argentina, na noite de 27 de julho de 1984, 60 mil argentinos apaixonados pelo Independiente viram somente a equipe da casa segurar a vantagem construída em Porto Alegre e empatar sem gols, resultado que garantiu o sétimo título de Libertadores à equipe roja e o fim do sonho do bicampeonato do Grêmio.

Ficha do segundo jogo:

Independiente: Carlos Goyen, Néstor Clausen (Rodolfo Zimmerman), Hugo Villaverde, Enzo Trossero e Carlos Enrique, Ricardo Giusti, Claudio Marangoni, Ricardo Bochini e Jorge Burruchaga, Sergio Bufarini e Alejandro Barberón. Técnico: José Omar Pastoriza.

Grêmio: João Marcos, Paulo César, Baidek, Hugo de León e Casemiro, China, Osvaldo e Luís Carlos, Renato Gaúcho, Guilherme e Tarciso. Técnico: Carlos Froner.

Árbitro: Mario Lira (CHI).

Sonho do Tri esbarra no Boca Juniors de um Riquelme inspirado

Vinte e três anos depois de enfrentar o Independiente, o Grêmio novamente se reencontrava com um argentino na final de uma Libertadores, dessa vez seu adversário era o Boca Juniors e a equipe brasileira já buscava o tricampeonato, pois em 1995, o Grêmio havia se tornado bicampeão em cima do Atlético Nacional da Colômbia.

A equipe treinada por Mano Menezes e que tinha Tcheco, Diego Souza e Carlos Eduardo no time, mostrou durante toda a Libertadores o espírito de time copeiro. Ninguém imaginaria que o Tricolor chegaria a uma final, e não só chegou como derrubou o poderoso Santos (de Luxemburgo, Zé Roberto, Renato e cia.) na semifinal, além de uma virada improvável contra o Defensor do Uruguai, após perder o jogo de ida fora de casa por 2 a 0. Nas oitavas, o tricolor havia eliminado o São Paulo.

Na final e com o segundo jogo sendo decidido em casa, o Tricolor ganhou certo favoritismo que acabou sendo completamente destruído por um timaço formado do Palermo, Banega, Palácio e o maestro e craque Riquelme, que simplesmente foi o grande carrasco gremista.

Na Argentina, o tricolor vinha segurando o empate com bastante consistência até que Sandro Goiano foi expulso ainda na primeira etapa e complicou definitivamente as coisas para o Grêmio. Com um a mais o Boca tomou conta do jogo e aplicou um 3 a 0 difícil de ser revertido em Porto Alegre, Palácio, Riquelme e Ledesma fizeram os gols argentinos.

Apesar da desvantagem em Buenos Aires, a torcida lotou o Olímpico para empurrar o Grêmio na busca por uma virada histórica. A equipe de Mano Menezes pressionou muito o Boca durante os 45 minutos iniciais mas não conseguiu furar o bloqueio montado por Miguel Angel Russo. Na segunda etapa novamente Riquelme foi o elemento diferencial da partida e marcou os dois gols da vitória argentina em pleno Olímpico que ainda viu Palermo desperdiçar um pênalti já no finalzinho da partida. 

Equipe que jogou a decisão. Foto: Grêmio/Oficial

Dez anos depois e chance de reescrever a história

Dez anos se passaram da mística final contra o Boca Juniors e o Grêmio se encontra novamente na final da Libertadores, dessa vez contra um novato argentino, o Lanús, pode ser a grande chance do Grêmio espantar essa "touca" que a equipe gremista tem contra os argentinos e se tornar Tricampeão da América e buscar o tão sonhado Bicampeonato mundial.