Relembre 1983: a histórica conquista da Libertadores do Grêmio contra o Peñarol

Há 34 anos, Grêmio conquistava a América pela primeira vez em sua história

Relembre 1983: a histórica conquista da Libertadores do Grêmio contra o Peñarol
Imagem: Rodrigo Rodrigues / VAVEL Brasil

Repleta de momentos e conquistas históricas, a grande saga do Grêmio em sua existência tem auge no ano de 1983. Quatro número que quando postos juntos trazem lembranças da alma copeira, de onde toda a identidade do campeão de mata-matas começou a ser criada.

De regulamento diferente dos atuais, a Copa Libertadores tinha 21 equipes disputando o título. Estas dividiam-se em cinco grupos de quatro times, onde apenas um de cada chave passaria para a fase semifinal.

Por ser o campeão da Libertadores de 1982, o Peñarol já estava automaticamente classificado à fase semifinal, onde seis equipes formavam dois grupos de três times cada, e o vencedor de cada grupo seria finalista da competição.

Em uma campanha formidável onde saiu vitorioso de sete dos 10 jogos da competição, perdendo apenas um, o Grêmio chegou à final. Com menos da metade de jogos disputados, o Carbonero também classificou-se e seria o adversário do Tricolor. Este, invicto até ali.

De León falha e Grêmio empata no Uruguai

Sentindo a força pulsante do Estádio Centenário com público de 70 mil pessoas, o Peñarol começou a partida tentando ir para cima do Grêmio, mas sentindo a forte resistência do time montado por Valdir Espinosa.

(De León e Oliveira perfilados com a arbitragem/Foto: Afonso Alves)
(De León e Oliveira perfilados com a arbitragem/Foto: Afonso Alves)

O juiz pedia calma ao zagueiro Hugo de León e ao atacante Morena, do time da casa, por estarem em todo momento dividindo com força e falando no ouvido do outro. O jogo era tão tenso que até mesmo o árbitro lesionou-se e precisou ser substituído.

Mesmo empolgada, a torcida local seria a primeira a lamentar. Aos 15', Tarciso cobrou escanteio e Tita subiu mais alto que o goleiro Gustavo Fernández, desviando para o fundo do gol.

(Tita subiu mais alto e marcou o gol do Grêmio/Foto: Afonso Alves)
(Tita subiu mais alto e marcou o gol do Grêmio/Foto: Afonso Alves)

Desesperado e sentindo o apoio do torcedor aurinegro, o Peñarol conseguiu chegar ao gol de empate 20 minutos depois. Um cruzamento na área teve desvio de Hugo de León, que acabou mandando a bola logo no pé de Morena. Seu desafeto empatou e deu números finais ao jogo, que não teve muitas emoções na segunda etapa.

César sai do banco e decide a Libertadores

Na primeira final de Libertadores da história do Estádio Olímpico, o Grêmio recebeu o favorito Peñarol sabendo que só precisava da vitória para levantar a taça pela primeira vez em sua história, logo na frente de 73.093 pessoas.

Sem sentir a pressão, o Tricolor controlava as ações da partida. Renato Gaúcho aproveitou uma saída de bola errada no tiro de meta e cruzou na área. O zagueiro uruguaio rosqueou a bola para trás e Tarciso chegou como uma flecha, cabeceando por cima da meta com apenas cinco miinutos de jogo.

E a partir de um escanteio, saiu o primeiro gol. A bola foi cobrada por Renato, e De León chutou alto, para cima e torto. O volante dos visitantes afastou, mas apenas pôde ver a bola voltar em um lindo lançamento para Osvaldo, que cruzou rasteiro para Caio empurrar para o gol.

Olímpico pulsou e levou o Grêmio para o ataque nos lances seguintes. Renato Tarciso fintavam os laterais do time uruguaio, que apenas na força paravam as jogadas. Portaluppi foi quem mais apanhou, e irritava-se com a defesa do Peñarol. Já no segundo tempo, em um lance de ataque de Ramos, ele deu um carrinho violento e saiu apenas com o cartão amarelo.

A segunda etapa era de pressão do time uruguaio, que cavou uma falta lateral e no cruzamento, teve o atacante Morena cabeceando para o fundo do gol e empatando a final aos 25'.

Crescendo muito na partida, os visitantes conseguiram bela chance poucos minutos depois, com Morena saindo na cara de Mazarópi. O goleiro do Grêmio fechou o ângulo e fez uma defesa sensacional. E assim como a defesa de Marcelo Grohe contra o Barcelona, o goleiro também teve a satisfação de ver, apenas um minuto depois, o segundo gol do Tricolor: Renato Gaúcho peneirou e cruzou para César, que recém havia entrado no jogo, mergulhar de peixinho e fazer.

Nos minutos seguintes, o Carbonero tentava pressionar, mas era engolido pela defesa do Imortal, que ainda armava contra ataques. Nenhuma grande chance apareceu, e aos 42', em outra falta no meio de campo, Renato Ramos se estapearam, e o juiz expulsou ambos, quatro minutos antes de apitar para o final do jogo, consagrando o título do Grêmio.

(Jogadores erguem a taça no Estádio Olímpico/Foto: Zero Hora)
(Jogadores erguem a taça no Estádio Olímpico/Foto: Zero Hora)

A torcida explodiu em emoção e pôde sentir a emoção de levantar a Copa Libertadores. E quem sentiu mais do que isso mais do que ninguém foi o capitão Hugo de León, que protagonizou uma das mais históricas e marcantes cenas da América, erguendo a taça com sangue em seu rosto.

(Com sangue no rosto, Hugo de León ergue a taça/Foto: Zero Hora)
(Com sangue no rosto, Hugo de León ergue a taça/Foto: Zero Hora)

A razão do sangramento, ao contrário do que muitos pensam, não foi a pancadaria dentro de campo, mas sim a base da taça, que continha um prego solto. Mesmo assim, a imagem contribui até hoje para a fama de "Imortal" e de um time guerreiro, que mais adiante conquistaria o título mundial.