Relembre: em sua segunda final de Libertadores, Grêmio parou no maior campeão Independiente

Decisão de 1984 foi a última com título do Independiente, até hoje maior campeão da história do torneio; Grêmio tentava bicampeonato de maneira consecutiva

Relembre: em sua segunda final de Libertadores, Grêmio parou no maior campeão Independiente
Imagem: Rodrigo Rodrigues / Editoria de Arte da VAVEL Brasil

O Grêmio entrava naquela edição da Libertadores para defender o título conquistado de forma inédita no ano anterior. O Grêmio campeão da América possuiu o privilégio de adentrar direto na segunda fase da competição, composta por dois triangulares, extinta forma de grupo do torneio. Podia-se considerar privilégio até o fato de estar com a vaga assegurada na Libertadores, situação que, anterior à existência da Copa do Brasil, era reservada somente ao campeão e ao vice do Campeonato Brasileiro.

Para esta segunda fase com o Grêmio na disputa, o Santos já havia sido eliminado e o Flamengo seguia com chances de título. "Mas não por muito tempo", era o recado que o Tricolor gaúcho deixava com a goleada de 5 a 1 sobre o Mengão na abertura do triangular. Ambos os brasileiros venceram o Merida da Venezuela em Caracas. Na volta, o Rubro-Negro devolveu 3 a 1 sobre o Grêmio. Obviamente, ambos os brasileiros venceram o Merida em casa. Houve um jogo desempate em São Paulo, quando o Tricolor jogava pelo empate na partida. Placar de 0 a 0 e o Mosqueteiro na final para enfrentar o Independiente.

O status do Independiente era do temido rey de copas. Os rojos haviam ganho as seis finais de Libertadores em que chegaram, disparadamente os maiores campeões do torneio, condição mantida até a atualidade. No grupo triangular, o Independiente sobrou para passar pelo Nacional uruguaio e pela Universidad Católica do Chile.

Independiente atua melhor para abrir vantagem

O jogo de ida da final entre Grêmio e Independiente ocorreu a 24 de julho de 1984, no estádio Olímpico Monumental.

O Grêmio formou com: João Marcos; Paulo César, Baidek, Hugo de León, Casemiro; China, Luis Carlos e Osvaldo, Tarciso, Renato Gaúcho, Guilherme Macuglia (Gílson 65'). Time do técnico Carlos Froner.

O Independiente formou com: Carlos Goyén - Néstor Clausen, Hugo Villaverde, Enzo Trossero e Alberto Enrique; Ricardo Giusti, Claudio Marangoni e Ricardo Bochini; Jorge Burruchaga, Sérgio Buffarini e Alejandro Barberón (Gerardo Reinoso 79').

O Grêmio de camisas tricolores e calções brancos, como havia ganho a Copa em 1983. O Independiente de camias vermelhas e seus calções e meias em azul escuro, quase pretos. O Grêmio tinha mais iniciativa, Osvaldo foi parado violentamente com falta. Hugo de León cobrou forte para fora. Em cruzamento da direita, o defensor Giusti cabeceou para trás e Goyén mergulhou ao canto para firme defesa.

Guilherme chutou fraco e Goyén defendeu outra firmemente. Giusti respondeu atacando para a goleira certa e quase acertou o ângulo de João Marcos. O Grêmio saiu errado pelo meio, Bochini na recuperação acionou passe para Burruchaga, que já tomava conta do meio campo, e desta vez ele saiu frente a frente com o alvo e tirou de João Marcos: 1 a 0 ao Independiente.

O perigoso atacante Barberón recebeu bola com liberdade para chutar forte de esquerda, mas João Marcos espalmou e ela tocou na trave. Quase o segundo do Independiente. O Grêmio respondia em bons ataques com Renato pela direita, levando vantagem contra Alberto Enrique, mas nada do empate. João Marcos se virou para defender chutes do Independiente, dois no mesmo lance. Guilherme perdeu a melhor chance do empate ao receber passe de cabeça e chutar forte de canhota, mas Goyén operou milagre para defender de mão direita.

No segundo tempo, boa administração do Independiente, que ainda teve a bola para encerrar o duelo, mas quando João Marcos estava vencido no lance, o chute de Burruchaga, o artilheiro da noite, foi defendido de cabeça por Paulo César, que estava sobre a linha para salvar. O torcedor sentia as dificuldades do time no Olímpico e a superioridade do Independiente para obter a vantagem. No último lance da partida, lá estava Burruchaga para finalizar de dentro da área e João Marcos salvou em defesa com o joelho. O apito final revelou vaias dos torcedores gremistas com a exibição abaixo do necessário para reconquistar o título.

Administração da vantagem e conquista dos argentinos

Se o jogo de ida ocorreu a 24 de julho, três dias depois estava destinada a partida de volta da final da Libertadores. O Grêmio saiu em viagem para Buenos Aires no dia seguinte ao da derrota. Pouco tempo para recuperação física e psicológica.

O Independiente formou com: Carlos Goyén - Néstor Clausen (Rodolfo Zimmerman 18'), Hugo Villaverde, Enzo Trossero e Alberto Enrique; Ricardo Giusti, Claudio Marangoni e Ricardo Bochini; Jorge Burruchaga, Sérgio Buffarini e Alejandro Barberón.

O Grêmio formou com: João Marcos - Paulo César, Baidek, Hugo De León, Casemiro; China, Luis Carlos e Osvaldo, Tarciso, Renato Portaluppi, Guilherme.

Os adversários tricolores eram muitos. Na ida, havia cerca de 75 mil no estádio Olímpico, mas os argentinos responderam com 60 mil vozes em Avellaneda, em Buenos Aires. As arquibancadas extremamente próximas ao campo, como atualmente estão os estádios ingleses. Exatamente, sem a proteção de alambrados ou cercas. Um ambiente hostil aos visitantes. O Independiente jamais havia perdido uma final de Libertadores e chegar ali com a vantagem era reconfortante aos torcedores dos rojos.

Vale a lembrança dos pés das traves pintados de preto, costume que começou com o início da ditadura militar na Argentina e que ganhou a vistoria do mundo durante a Copa mundial realizada no país em 1978. As pinturas eram para chamar a atenção pelas torturas que ocorriam no país (assim como no Brasil, no Uruguai e no Chile) naquele período violento.

E quanto à história do jogo, nada para cambiar o que foi feito em Porto Alegre. O Independiente não quis saber de jogo. Seu qualificado meio campo composto por Giusti, Marangoni, o autor do gol do título da Copa do Mundo de 1986, Bochini, Burruchaga e Buffarini trataram de cozinhar a partida. Trocavam passes e ganhavam tempo sempre que possível.

No Grêmio, mais uma vez Guilherme não teve boa atuação e Renato era andorinha única nas subidas individuais pela direita: insuficiente para fazer verão no rigoroso inverno argentino de 1984. No início do segundo tempo, o Grêmio ensaiou uma pressão em escanteios. Um arremate de China aos 7 minutos quase fez Goyén tomar um frango inacreditável, mas o goleiro se recuperou para evitar a passagem da bola.

Renato cobrou uma falta para fora. O Independiente tentou marcar numa cobrança de falta ensaiada, mas a bola passou à frente da meta gremista. Na melhor chance do jogo, Marangoni chutou da pequena área e João Marcos defendeu com a perna pelo Tricolor. A partida chegou ao seu final e o Independiente ergueu a última de suas sete taças de Libertadores.

Entre os clubes, um reencontro na Recopa Sul-Americana de 1996 fez o Grêmio triunfar em jogo único no Japão pelo marcador de 4 a 1.