Guia VAVEL do Mundial de Clubes 2017: Grêmio

Tricolor gaúcho copou sua terceira Libertadores e vai em busca de uma nova conquista a nível mundial

Guia VAVEL do Mundial de Clubes 2017: Grêmio
Guia do Mundial do Mundial de Clubes: Grêmio (Imagem: Rodrigo Rodrigues / VAVEL Brasil

O Grêmio Porto Alegrense conquistou sua terceira Copa Libertadores da América. Dessa maneira, o clube gaúcho chega a uma disputa mundial pela terceira vez, a exemplo de São Paulo, Santos, Olimpia, River Plate e Nacional do Uruguai, os demais tricampeões. As outras duas vezes foram no Japão, com vitória na prorrogação sobre o Hamburgo em 1983 e derrota nos pênaltis para o Ajax em 1995. Em 2017, o desafio é enorme e começa da fase semifinal. O Tricolor aguarda seu adversário da disputa que acontece entre Wyad Casablanca e Pachuca do México.

Como chega

Foto: Lucas Uebel

Uma das novidades para o Mundial 2017 foi a mudança de datas da Copa Libertadores. Diferente das edições anteriores, a última com o Atlético Nacional de Medellín ilustrando devidamente o problema, quando desmanchou parte do time até dezembro, o Grêmio está praticamente intacto. A saída sentida durante o ano foi a de Pedro Rocha, negociado ao futebol russo com o Spartak Moscou. Em relação ao time que ergueu a taça da Libertadores, somente o volante Arthur, com lesão mais grave, fica parado em um período de 45 dias e será apenas espectador do evento.

Utilizar "somente" para Arthur é um grande problema. O jogador foi eleito o melhor da final da Libertadores e, apesar de sua primeira temporada diretamente com os profissionais, virou um dos aportes e verdadeiros destaques em meio ao positivo coletivo gremista. Organizador da saída de bola, jogador de movimentação, bom domínio, excelente passe, condução de bola, variedade de recursos e digno de um parágrafo inteiro em seu nome. Com sua ausência, Renato Portaluppi precisa arranjar o substituto. Jailson e Michel atuaram em partidas no meio do ano e, todavia, não agradaram muito. Maicon, recuperado de lesão na hora H, está disponível, mas não tem o desejado ritmo de jogo.

Cícero e Cristian estão fora do Mundial pela inscrição. O Grêmio ainda tenta correr para colocá-los na lista, mas não está otimista sobre. Os originalmente laterais Léo Moura e Leonardo é quem podem ganhar espaço no meio de campo. De todo modo, é sentida a ausência de Arthur Henrique.

Nos demais setores, um Grêmio com o que tem de melhor atualmente. O goleiro Marcelo Grohe fez grandes intervenções na Libertadores da América, justificando a confiança de sua permanência em longa trajetória no Grêmio. O lateral-direito Edilson está acompanhado na defesa com Geromel, que se recupera de problema no ombro e não preocupa, Kannemann e o lateral-esquerdo Cortez.

No meio de campo, a dúvida do substituto de Arthur para atuar com Jailson, que ganhou a posição. O volante Michel foi aclamado com o prêmio Bola de Prata do Brasileirão por conta de seu desempenho, principalmente no início do ano. Mais à frente, a princípio não há dúvidas. Ramiro pela direita, Luan na flutuação sem guardar posição fixa, com Fernandinho na esquerda e Lucas Barrios como atacante mais à frente. Everton e Jael são opções entre os suplentes.

Marcelo Grohe; Edilson, Geromel, Kannemann e Bruno Cortez; Michel (Maicon), Jailson, Ramiro, Luan, Fernandinho e Barrios.

A conquista da Libertadores

Foto: Lucas Uebel

Como frisado, a Libertadores foi mais longa do que em outros anos. Dentro da fase de grupos, lá no começo do ano, o Grêmio por pouco não conseguiu manter a invencibilidade. Venceu o Zamora duas vezes, empatou fora usando reservas e goleou o Guarani do Paraguai na Arena, além de ter vencido o Deportes Iquique em Porto Alegre e perdido apenas com erros de arbitragem no Chile. Liderança e terceira melhor campanha geral.

No sorteado mata-mata, outra novidade na Libertadores, passou pelo Godoy Cruz por 1 a 0 na Argentina e mais 2 a 1 na Arena. Em duelo brasileiro, o exterminador de campeões Botafogo não exterminou o Imortal Tricolor. Sem contar com Luan e Geromel, o Grêmio arrancou o 0 a 0 no Rio de Janeiro e venceu na volta com gol salvador de Lucas Barrios.

Na semifinal, atuação de gala no 3 a 0 sobre o Barcelona de Guayaquil fora e vantagem apenas administrada, com derrota por 1 a 0 na Arena. Na grande final, uma vitória suada sobre o organizado Lanús em assistência de Jael e gol de Cícero no fim do jogo. Na volta, com mando dos argentinos, o Grêmio superou barreiras e encantou com seu futebol bonito e veloz. No repertório, gol de Fernandinho e uma pintura de Luan. Sand descontou de pênalti e foi só. Grêmio tricampeão da Libertadores da América.

Foi o primeiro brasileiro desde o Santos de Pelé a conquistar a Libertadores na Argentina. Foi o quinto clube na história da Libertadores a erguer a taça duas vezes fora de casa. É o terceiro brasileiro a ser tri, após o São Paulo e o Santos. O primeiro brasileiro tricampeão com cada título em uma década distinta.

Nas premiações individuais, Geromel foi o melhor zagueiro, além de ter a honra de levantar a taça como capitão. Arthur foi o melhor jogador da final e Luan foi o melhor da Libertadores, sendo o vice-artilheiro no geral.

O craque: Luan

Foto: Lucas Uebel

O camisa 7 é o destaque individual do time. Não há dúvidas. Quando Luan está em campo, a forma do Grêmio atuar é outra. É o jogador que circula da direita para esquerda, encontra a bola e os demais jogadores fazem a bola encontrar Luan. Ele é o diferencial, o jogador com recurso de drible, o maior fornecedor de assistências para finalização no Grêmio e o mais finalizador da equipe.

No ano, Luan é artilheiro do Grêmio ao lado do Lucas Barrios: 18 gols cada. Com a camisa gremista, Luan chegou a 55 gols. Sete deles foram na Copa Libertadores da América para ajudar o Grêmio a chegar até esta semifinal de Mundial. Olho nele!

O técnico: Renato Portaluppi

Foto: Lucas Uebel

Renato dispensa apresentações aos gremistas, mas para quem vem de fora a este material, é necessário frisar. Jogador campeão da América e do mundo em 1983. Treinador campeão da Copa do Brasil, para encerrar jejum longo do Grêmio de títulos grandes, para voltar a disputar a América e ganhá-la neste 2017. O senhor ídolo, tratando-se de Grêmio, um senhor ídolo, tratando-se do futebol brasileiro. Foi o primeiro brasileiro a se tornar campeão como atleta e técnico na Libertadores.

Renato é conhecido por chefiar bem seus grupos. Passa instruções individualmente, entende a parte dos jogadores. Nega maiores estratégias para imprensa, mas tem suas cartas na manga. Algumas mudanças pontuais iniciadas no 2016 ajudaram o Grêmio a conquistar a Copa do Brasil. Para montar o grupo de 2017, Renato fez boas apostas. O atacante Lucas Barrios estava esquecido e serviu bem ao Tricolor, assim como outros jogadores que recuperaram prestígio, como os laterais Léo Moura e Bruno Cortez.

Os atletas que sobem da base também chegam ao time com respaldo e com possibilidades de se acertarem ao modelo de jogo proposto. Para completar, duas apostas com o nome do treinador, Cícero e Jael participaram do gol no jogo de ida da final da Libertadores. É um Grêmio com a cara de Renato para disputar o Mundial de Clubes. Será que atinge um patamar ainda mais elevado, de primeiro brasileiro campeão da América e do mundo como jogador e treinador?