De touca ao 8 a 1: o inesquecível massacre colorado na final do Gauchão de 2008

Depois de anos sem conseguir vencer o Juventude em jogos importantes, Inter aplica uma memorável goleada e conquista o 38º título estadual

De touca ao 8 a 1: o inesquecível massacre colorado na final do Gauchão de 2008
Foto(Alexandre Lopes/ SC Internacional)

Parecia um domingo como outro qualquer, quatro de maio de 2008. A chuva e o frio acinzentavam a tarde típica de outono gaúcho. Não para os quase 50 mil torcedores que pintavam as arquibancadas do estádio Beira-Rio de vermelho e branco e outros milhares espalhados pelo Rio Grande do Sul.

O Inter estava em campo diante do Juventude para a segunda partida do Campeonato Gaúcho daquele ano. A segunda final entre os dois times na história do Gauchão, a primeira em 1998, quando o time de Caxias do Sul acabou conquistando em pleno Beira-Rio o seu primeiro título estadual.

O Inter precisava vencer por 2 gols de diferença para garantir mais um troféu para a sua galeria. O Papo precisava apenas se fechar, pois havia vencido o jogo de ida por 1 a 0. E foi o que fez. Parecia que estava adivinhando o que ia acontecer. Atrasaram a entrada em campo, pisaram no gramado do gigante com o hino já em andamento. E a torcida colorada não poderia poupa-los. Ao som de vaias os Jaconeiros entravam no Beira-Rio para uma partida que ficaria na memória dos torcedores.

Torcida Colorada lotou o antigo Beira-Rio para ver mais uma conquista (Foto:Alexandre Lopes/SC Internacional)
Torcida Colorada lotou o antigo Beira-Rio para ver mais uma conquista (Foto:Alexandre Lopes/SC Internacional)

O Colorado do técnico Abel Braga, entrou em campo pressionando, a torcida acompanhava entoando cânticos e vibrando a cada lance. Até que aos 25 minutos do primeiro tempo depois de tanto insistir o Inter abriu o placar com o zagueiro Danny Moraes. Alí, naquele momento, a enorme diferença que se estabelecia acabava de ser rompida. Logo, o Inter continuou atacando e Juventude apenas se fechava e um e outro contra-ataque conseguia formar.

Nem deu tempo da torcida terminar de comemorar o primeiro gol, aos 28 minutos, Fernandão marcou o segundo e aos 31, o capitão tratou de marcar mais um.  O torcedor parecia não acreditar naquilo que estava vendo. Quase no final da primeira etapa, Alex cobrou falta e marcou o quarto.

O primeiro tempo terminou arrasador. Ao som de “Colorado, colorado, nada vai nos separar, somos todos teus seguidores, para sempre eu vou te amar” e “ão, ão, ão, segunda divisão”, referindo a queda do Papo para a série B, com a etapa inicial terminando com Inter em grande vantagem.

Depois de anos o Juventude sendo a touca do Inter, finalmente parecia acabar com aquela hegemonia Jaconeira em clássicos Juvenal. Nem o técnico Zetti, nem a torcida papada entendia o que estava acontecendo. O treinador optou por fazer algumas mudanças, mas a tarde era mesmo vermelha e branca. A equipe colorada voltou com a mesma intensidade.

Logo aos quatro minutos da etapa complementar, Fernandão marcou seu terceiro. Com 5 a 0 a torcida já entoava o grito de campeão. Porém o colorado queria mais, o torcedor já nem se importava com o resultado, queria só saber de fazer a festa. Aos nove minutos, Bustos foi lançado pela direita e cruzou rasteiro na medida para Nilmar marcar seu primeiro gol no Beira-Rio. Delírio total da massa colorada.

Aos 11 minutos o Juventude descontou com um gol contra de Índio, que foi aplaudido e teve seu nome gritado no gigante. Com 6 a 1, a pequena torcida do Juventude já deixava o estádio. Nem imaginavam o que estava guardado para o final. Aos 32, Índio se redimiu e marcou de cabeça. Agora, 7 a 1. O Inter poderia ter tirado o pé, mas seguiu jogando seu futebol só esperando o apito final.

Antes de Carlos Simon apitar o final da partida o sol voltou a brilhar e iluminar aquele dia cinza e feia, que para o torcedor colorado de feio não tinha nada. Aos 44 minutos, Andrezinho foi derrubado na área: pênalti! A torcida colorada gritava o nome de Clemer. O ídolo e goleiro mais vencedor da história do clube, com 12 títulos, cobrou com cavadinha e marcou o oitavo gol.

Ao soar o apito final o Inter aplicava a maior goleada em um clássico Juvenal e conquistava seu 38º título Gaúcho. Também acabava com a essa história de touca que andava assombrando o Beira-Rio. Depois desse memorável jogo, foram doze jogos e 9 vitórias colorada e dois empates e apenas uma derrota. Nesse ano o Inter venceu as duas partidas fora de casa pelo placar de um a zero.

Capitão Fernandão erguendo o seu último troféu (Foto:Alexandre Lopes/SC Internacional)
Fernandão erguendo seu último troféu como jogador colorado
(Foto:Alexandre Lopes / SC Internacional)

Para este domingo, não saberemos o que está por vir, mas podemos esperar um jogo de fortes emoções. O Beira-Rio com certeza estará lotado. Com favoritismo colorado e a vantagem no jogo de ida, o torcedor rubro espera conquistar o hexacampeonato Gaúcho. Para os Jaconeiros, uma vitória no Beira-Rio pode dar o segundo título estadual e fazer os colorados voltarem a usar a carapuça que deu tantas alegrias à papada.