Remanescentes do ‘quase-rebaixamento’ dão volta por cima e após dois anos festejam título

Fernando Prass, Jaílson, João Pedro e Allione fizeram parte do elenco de 2014, que se salvou do rebaixamento na última rodada do Brasileirão; hoje, desfrutam a conquista do Enea

Remanescentes do ‘quase-rebaixamento’ dão volta por cima e após dois anos festejam título
Fotomontagem: Hugo Alves/VAVEL.com

Tirar um caminhão das costas. Foi com essas palavras que Fernando Prass definiu o fim do Campeonato Brasileiro de 2014 para o Palmeiras. As palavras do goleiro, então camisa 25, foram ditas minutos após receber a notícia de que o Santos havia vencido o Vitória em Salvador, o que livrou o Verdão do rebaixamento.

Naquele ano, a temporada centenária do time não foi fácil, realmente. Eliminação para o Ituano na semifinal do Paulistão, no Pacaembu. Revés nas oitavas da Copa do Brasil para o Atlético-MG; e no Brasileirão, a equipe namorou com a zona de rebaixamento até o fim. Nesse meio tempo, foram três técnicos diferentes: Gilson Kleina, Ricardo Gareca e Dorival Junior.

Dos que estavam lá e continuam até hoje são poucos. Além de Fernando Prass, o goleiro Jaílson, o lateral João Pedro e o meia Allione também fizeram parte daquela campanha desastrosa e quase infernal. Cristaldo, que deixou o clube no meio deste ano – e também é considerado campeão brasileiro – era outro integrante do navio que tendia a afundar. Os jovens Vinicius Silvestre, Thiago Martins e Matheus Sales chegaram a treinar com o elenco principal, mas não entraram em campo.

Das lágrimas às lágrimas

O choro no gramado de Fernando Prass contagiava os torcedores na arquibancada, que entre outros gritos, cantavam o seu nome. “Não é fácil pra gente que é experiente jogar assim, imagina para esses meninos que pegaram o time assim”, declarou o goleiro, citando alguns jovens atletas da base, que foram utilizados no campeonato.

O ano virou. E a promessa seria de reformulação. Desmanche, renovação, reforços. Literalmente vida nova. E se o navio não afundou, uma barca deixou a navegação. Uma barca das grandes. Cerca de 15 jogadores foram dispensados ou não tiveram seus contratos renovados. Prass, Jaílson, João Pedro, Allione permaneceram. Outros 25 atletas foram contratados. Tudo mudaria a partir daí.

Em 2015, João Pedro não teve as mesmas oportunidades que recebeu no ano anterior. Passou a ser reserva do recém-chegado Lucas. Allione também foi reserva, já que Robinho chegou e dominou o meio de campo. Jaílson havia sido contratado para ser reserva em 2013, enquanto o Palmeiras disputava a Série B, e assim continuo sendo. Ele viu do banco Fernando Prass escrever seu nome na história do clube após uma temporada à beira da perfeição, com direito a gol na última cobrança de pênalti na decisão da Copa do Brasil contra o Santos, jogo em que João Pedro foi titular – assim como Matheus Sales, extremamente elogiado.

Com a vaga assegurada para a Libertadores de 2016, as contratações do Palmeiras para a nova temporada foram em número reduzido e os remanescentes continuaram ganhando destaque, de forma positiva ou não.

Cristaldo que estava em 2014 foi vendido ao Cruz Azul em junho. Thiago Martins começou o ano como titular, mas foi para o banco com a chegada de Mina. Allione se manteve com o status de bom reserva, tendo participado de boa parte dos jogos do time do Brasileirão. Matheus Sales não recebeu tantas oportunidades como se esperava, e no meio do ano viu Tchê Tchê e Moisés encantarem. João Pedro não teve sequência e se machucou durante o campeonato nacional.

Por fim, os goleiros. Parecia que o ano seria inesquecível para Fernando Prass. Parecia. O goleiro foi convocado para os Jogos Olímpicos Rio 2016, mas às vésperas do início, lesionou o cotovelo direito e além de perder a Olímpiada, perdeu a temporada toda. Vagner, seu substituto imediato no Palmeiras, não agradou e Jaílson, após cerca de dois anos, recebeu a sua chance – e agarrou-a. Literalmente.

O goleiro foi peça fundamental para a conquista do título brasileiro e caiu nas graças da torcida. Nesse meio tempo, foi suspenso e ficou de fora do clássico contra o Santos. Para seu lugar, o jovem Vinicius Silvestre, já citado no texto, ganhou a vaga.

Entre protagonistas e coadjuvantes, o Palmeiras voltou a encantar o Brasil, como fez na década de 90. A jornada de 2014 até aqui, para quem viu a Série B muito próxima, tem um sabor especial. Um sabor de dever cumprido e de título. E para eles, 2017 pode ser melhor ainda.

Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação
Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação