Título invicto, academias e jejum: O maior campeão brasileiro é Verde

Com a conquista do Brasileirão 2016, o Palmeiras chega ao seu nono título brasileiro; apesar do jejum de 22 anos, o Verdão se firma como o maior detentor de títulos da competição

Título invicto, academias e jejum: O maior campeão brasileiro é Verde
Fotomontagem: Hugo Alves/VAVEL.com

Foram vinte e dois anos de jejum até que o palmeirense pudesse soltar de sua garganta o grito de campeão que estava preso. Mesmo com esse hiato, o Verdão, maior campeão do século XX, levanta agora seu nono caneco e se sagra o maior detentor de títulos do Campeonato Brasileiro. Entre as conquistas desses 104 anos de histórias, o Palmeiras conquistou o Brasileirão de forma invicta, com as academias de futebol na era Parmalat.

Foram até hoje 1.291 jogos disputados, sendo 550 vitórias, 363 empates e 355 derrotas. O saldo de gols supera os 1.800 pró e 1.300 contra. 

Embalado após vencer a Copa do Brasil de 2015 e um elenco bem estruturado, a equipe entrou como uma das favoritas na competição e se manteve na liderança por várias rodadas. 

Mesmo com as investidas dos adversários e descrença de parte da imprensa, o bom futebol em campo, a boa gestão fora das quatro linhas e a união do elenco fizeram com que o Alviverde mostrasse para quem duvidava que é preciso respeitar o maior do país.

Invicto, Palmeiras conquista seu título inaugural

A primeira conquista veio em 1960 e de forma invicta. Em campo, Djalma Santos, um dos ídolos do clube e eleito pela FIFA o maior lateral-direito de todos os tempos. Na competição, o desempenho do Verdão foi de três vitórias e um empate, somando 12 gols marcados e 3 gols sofridos. 

Na grande final, em um Pacaembu cheio com 40 mil torcedores, o Palmeiras goleou por 8 a 2 o Fortaleza e deu seu primeiro passo na caminhada para ser eneacampeão. A vitória foi o passaporte para o clube disputar em 1961 sua primeira Libertadores da América. 

Com Ademir da Guia, César Maluco e Dudu, a primeira academia conquistava três Brasileiros 

Outros três títulos brasileiros do Vedão veio em 1967. Com excelência em campo, o time composto pelos ídolos Ademir da Guia, César Maluco e Dudu, entre grandes outros jogadores, conquistaria a Taça Brasil e o Torneio Roberto Gomes Pedrosa. 

A primeira taça veio na noite do dia 08 de junho contra o Grêmio no Pacaembu. Em jogo estava o título do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, primeiro a reunir mais de dois estados do país sem utilizar o sistema de mata-mata. Estiveram em campo 15 equipes ao longo da disputa.

O Palmeiras, líder do grupo B, sagrou-se campeão a frente do Grêmio, tendo em campo Perez; Djalma Santos, Baldocchi, Minuca e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Dario (Zico), Servílio, César e Tupãzinho (Rinaldo). Técnico: Aymoré Moreira.

Em dezembro do mesmo ano viria o segundo título. Com uma campanha de seis jogos, doze gols pró e sete contra, o Verdão, que entrou direto nas semifinais por ser o Campeão Paulista, venceu o Náutico, algoz da eliminação na edição anterior, por 2 a 0 no Maracanã e levantou a Taça Brasil.

O último título da Primeira Academia e o quarto do Verdão foi vencido em 1969, quando a equipe abocanhou novamente o Torneio Roberto Gomes Pedrosa.

A competição foi o único Brasileirão daquele ano, já que a Taça Brasil havia sido extinta no ano anterior. Jogaram dezessete times de sete estados em único turno e divididos em dois grupos. Novamente líder da chave B, o Palmeiras chegou ao quadrangular final com nove vitórias, um empate e seis derrotas. 

Após empatar com o Corinthians e Cruzeiro, o Verdão precisava vencer com uma grande margem de gols e torcer para o maior rival ser derrotado, o que aconteceu. O tetra veio com dois gols de Ademir da Guia e um de César Maluco. 

O bicampeonato da década de 1970

O Brasileiro de  1972 marcaria o primeiro título da Segunda Academia de Futebol. Com Ademir da Guia e Leivinha à frente, o time que tinha em seu elenco Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo Mostada, Zeca, Edu Bala e Nei venceu vinte e seis dos trinta jogos em disputa. 

Na final, realizada no dia 23 de dezembro, o Alviverde empatou em 0 a 0 no Morumbi, com quase 60 mil espectadores, e levantou seu quinto título. 

Já em 1973, em uma competição alterada devido a situação política do país, o Palmeiras conseguia uma das melhores campanhas da história do campeonato: média de 0,3 gols sofridos por partida. 

Aquele ano foi marcado por um confuso esquema de disputa, que envolvia quarenta equipes na primeira fase, onde avançavam vinte para a seguinte, além da entrada de outras nove em seguida. Em meio a tudo isso, o Verdão seguiu invicto, e tendo sofrido apenas um gol nas fases finais.

Após passar por Cruzeiro e Internacional, bastou apenas um empate em 0 a 0 contra o rival São Paulo para o Palmeiras, no dia 20 de fevereiro de 1974, se sagrar campeão novamente. 

Quase 20 anos depois, o Brasil volta a ficar Verde por duas vezes seguidas

Com um elenco composto por Evair, César Sampaio, Zinho e Mazinho, entre outros grandes nomes, a equipe formada no início da Era Parmalat, em 1993, conquistaria, após quase vinte anos, o título do Brasileirão. 

Mantendo o costume de se classificar para as decisões como o primeiro de seu grupo, o Alviverde comandado por Vanderlei Luxemburgo enfrentou Guarani, Remo e São Paulo. Novamente houve uma decisão entre o rival do Morumbi, onde Edmundo e César Sampaio colocariam o Verdão novamente em uma final, desta vez contra o Vitória. 

O jogo de ida foi na Bahia e terminou em 1 a 0 para o Palmeiras, gol de Edílson. No jogo de volta, mais de oitenta mil torcedores viram Edmundo e Evair se sagrarem ídolos e o sétimo caneco ir para a sala de troféus no Palestra Itália.

No ano seguinte, a marca conquistada pela Segunda Academia seria novamente realizada. Foram nove vitórias e um empate nos dez primeiros jogos. Na fase seguinte, perdeu apenas uma partida e se classificou para as decisões, onde passou pelo Bahia e Guarani, até chegar na grande final contra o Corinthians.

Na primeira partida, Rivaldo fez dois e Edmundo marcou o terceiro, enquanto Marques diminuiu para os corinthianos. O empate no dia 18 de dezembro, com gols de Rivaldo e Marques para cada lado novamente, foi o suficiente para que o Palmeiras se sagrasse campeão, o último até este 27 de novembro de 2016.