A Segunda Academia do Palmeiras e o bicampeonato de 72/73

Um time que fez história e que jogando junto nunca perdeu. Relembre como o time comandado por Ademir da Guia marcou a história do maior campeão nacional

A Segunda Academia do Palmeiras e o bicampeonato de 72/73
Fotomontagem: Rodrigo Rodrigues/VAVEL.com

“Leão, Eurico, Luís Pereira, Alfredo e Zeca. Dudu e Ademir da Guia. Edu, Leivinha, César e Nei”. Um esquadrão imortal que está marcado para sempre na historia da Sociedade Esportiva Palmeiras. O time que nunca perdeu. A Segunda Academia.

Com um time já consolidado no começo dos anos 70 e com nomes já experientes como Ademir da Guia, Luís Pereira e Leão, o Palmeiras se reforçou com Leivinha, que veio da Portuguesa, e com o zagueiro Alfredo.

O jornalista Mauro Beting descreve a segunda academia como “impressionante”. “A segunda academia era menos técnica que a primeira. Ela durou mais tempo, era um futebol diferente e teve um preparador físico como o professor Hélio Maffia que chegou junto com o Oswaldo Brandão e fizeram um trabalho diferenciado. Os próprios Dudu e Ademir da Guia contam que a segunda academia também foi melhor não só por ser mais longeva, mas por estar melhor preparado fisicamente”, comentou.

Falar da classe de Dudu na volância, da maestria de Ademir da Guia no meio, da dupla implacável que foi Leivinha e César Maluco é desnecessário. Aos jovens, como eu, ficam os vídeos e as histórias contadas por nossos avós. Aos mais velhos, ficam as lembranças de uma época histórica, de um time imbatível e de um Palmeiras mais do que campeão.

O Campeonato Brasileiro em 1972 era dividido em quatro partes, onde na primeira 26 times foram divididos em quatro grupos de seis ou sete equipes. Classificando os quatro melhores colocados de cada chave. A segunda fase era quatro grupos com quatro clubes em cada, passando o campeão de cada chave.

Após as duas primeiras etapas, vinha a semifinal em jogo único, onde a preferência do empate era do clube com maior pontuação no campeonato. E assim era na final, o time com melhor campanha tinha o empate a favor.

E o resultado da final  de 72 foi empate. Palmeiras e Botafogo fizeram a decisão. O time carioca contava com jogadores como o zagueiro Brito e o ponta-direita Jairzinho, titulares da inesquecível seleção de 70. Já o Palmeiras vinha embalado com a conquista de forma invicta do Campeonato Paulista do mesmo ano.

Mas, jogando com o regulamento, o Verdão ficou no 0 a 0 e levou o pentacampeonato ao Palestra Itália. O ano de 1972 foi perfeito. Foram 52 jogos oficiais, apenas quatro derrotas e dois títulos conquistados. Era o melhor time do país na transição para os anos 70.

Já em 1973, o campeonato era dividido em três fases, a primeira, a segunda e a final. A finalíssima foi um clássico. Palmeiras x São Paulo. E o resultado não podia ser diferente, um empate. Jogando com o resultado, o time de Palestra Itália ficou no 0 a 0 e levou o campeonato.

Essas duas finais mostram exatamente como era esse time. “A segunda era muito mais tática, eficiente, fazia um a zero e bastava.  O placar mínimo era goleada para o time de Ademir da Guia, porque ele cadenciava o jogo e administrava o resultado”, afirma o jornalista Mauro Beting.

“Claro que não se compara a segunda academia com o time de 2016. Taticamente pode se dizer que tem semelhança, o Cuca usou um 4-3-3 que era basicamente o esquema da época”. Mauro também fez breves comparações, desde Leão e Jaílson até César Maluco e Gabriel Jesus. Não é preciso dizer que o time ideal entre as duas equipes, para ele, é composta apenas pelos jogadores da segunda academia, com a exceção de Zé Roberto no lugar de Zeca

A eficiência é uma semelhança entre a Segunda Academia e o time de Cuca. Jogar bonito ou não, não é a questão. Neste momento trazer de volta o troféu do Campeonato Brasileiro para o time que mais ganhou campeonatos nacionais no país é o mais importante.