Felipe Melo adota política de 'falar menos' no Palmeiras e se posiciona contra grama sintética

Em 2017 o volante foi criticado por criar diversas polêmicas Neste ano, diz estar mais tranquilo e se posicionou sobre VAR, grama sintética e venda de mando de campo

Felipe Melo adota política de 'falar menos' no Palmeiras e se posiciona contra grama sintética
Felipe Melo em sua primeira entrevista do ano (Foto: divulgação/SE Palmeiras)

Na última quarta-feira (7), Felipe Melo deu entrevista coletiva na Academia de Futebol do Palmeiras. Após uma temporada recheada de polêmicas extra-campo, como dizer que ia "dar tapa na cara de uruguaio", o camisa número 30 do Palmeiras, iniciou 2018 com menos problemas e a titularidade no time de Roger Machado,  se tornando extremamente útil ao esquema tático de seu atual técnico.

O volante agora está menos falador e mostrando o bom futebol que transformou sua carreira no tamanho que tem hoje. Para se tornar menos polêmico, Felipe disse ter muita influência das pessoas ao seu entorno: "Em casa eu converso todos os dias com a minha esposa, sobre o que fazer, o que não fazer, o que melhorar. Um comentário de filho, amigos. Nada melhor do que uma pessoa do seu círculo de confiança pra te dar um conselho, um toque".

"Estou falando menos, bem menos. É experiência. Revi tudo aquilo que fiz no passado, o que fiz de errado, o que posso melhorar. É não cometer os erros do passado. Dentro de campo, é o mesmo início. Não muda muita coisa. O que mudou é que estou falando menos", completou o jogador.

Com 100% de aproveitamento no Campeonato Paulista de 2018, o Palmeiras tem mostrado estar com um bom clima em seu elenco, assunto que Felipe Melo comentou em sua coletiva: "Bom ambiente não é visto quando se vence. Pra mim o bom ambiente é visto numa derrota. É muito fácil quando você tá vencendo. Eu já passei por clubes em que treinador não falava com 10 jogadores, 10 jogadores do time não falavam com o goleiro chegamos em semifinal de Champions League. Eram as mil maravilhas, saía pro externo que era um grupo super unido.

Eu já passei em clubes que eram um grupo de amigos, família, que não vencia nada e que saiam burburinhos que não eram reais. É um grupo (o Palmeiras) onde chegaram jogadores, com contratações pontuais. Os jogadores que chegaram nós já conhecíamos, são bacanas pra caramba. Quem ficou do ano passado já se gostava bastante. A família que tem se tornado hoje no Palmeiras é de coração e é uma família que vai estar junta na vitória e na derrota, quando ela chegar".

Algumas vezes considerado um jogador violento, Felipe Melo, no Palmeiras, se mostrou contrário à sua fama: não foi expulso com a camisa alviverde. Segundo ele, isso é mérito de sua experiência:

"Não mudou muita coisa. Obviamente, quando a equipe vence, com 100% ainda, a gente jogando, tudo contribui para que as coisas aconteçam da melhor maneira possível. Vou ganhando confiança a cada dia. A última expulsão foi na Inter, com dois amarelos. Faz tempo que não sou expulso. A experiência dá isso. A cada ano, vai adquirindo mais experiência, tomando conta da situação. Melhorar é sempre bom para o ser humano".

Melhor ladrão de bolas do time, o volante exaltou o trabalho de seus companheiros de time, que o auxiliam nesta situação, seja com coberturas ou com pressão sobre o time adversário: "Eu vejo grandes clubes no mundo, o Barcelona com o Busquets, que tem a função de deixar a bola redondinha, o Casemiro no Real Madrid, tinha o Thiago Motta no PSG. Os grandes clubes sempre têm esse jogador. Para roubar bolas, sou ajudado. O Tchê Tchê e o Lucas Lima ajudam muito. O Roger consegue fazer com que façamos essa pressão no ataque, com Borja, o Willian. Existe uma situação de estar bem posicionado. É trabalho e ajuda mútua dentro de campo".

Jailson foi o escolhido por Roger Machado para ser o goleiro titular da equipe neste começo de temporada. Com 40 jogos e apenas uma derrota pelo clube, o goleiro foi muito elogiado pelo camisa 30 do time: "O Jailson é um cara muito querido por todos nós aqui dentro. Além de um grande goleiro que é, é uma grande pessoa, é um cara cativante pra caramba, muito humilde, família e é um cara muito companheiro. Então a gente torce bastante e fica muito feliz, porque além de ser esse cara super bacana e profissional, tá numa fase espetacular".

Falando sobre idolatria, o volante revelou pensar em terminar sua carreira no clube alviverde: "Quando me perguntaram se eu achava que era ídolo do Palmeiras e eu disse que sim, me atacaram um monte de pedra. Cada jogador tem sua característica, seu ponto positivo, seu ponto forte. Minha idéia é continuar no Palmeiras, e se Deus quiser, encerrar minha carreira aqui, quem sabe com uma festa legal".

Seu excelente desempenho neste começo de temporada rendeu comentários sobre ser, mais uma vez, convocado para a Seleção Brasileira. Felipe comentou sobre isso: "Quando cheguei aqui, falei que minha seleção é o Palmeiras, e essa é a verdade. Se estiver bem no Palmeiras e tiver a oportunidade (de ser convocado), vou ficar feliz em servir a seleção brasileira. Mas meu foco é o Palmeiras. Se surgir uma oportunidade, serei o homem mais feliz do mundo".

Considerado o principal jogo do Palmeiras na fase de grupos da Taça Libertadores, o jogo contra o Boca Juniors foi assunto na coletiva de Felipe, até relembrando a confusão do jogo contra o Peñarol, onde o volante deu um soco na cara de um jogador adversário, logo após a vitória por 3 a 2 no Uruguai: "Óbvio que a gente não vai repetir palavras do passado. É um jogo importante, tão pegado quanto com o Peñarol. Porém, contra um time tecnicamente melhor. Vai ser o encontro de dois gigantes do futebol sul-americano. Tem tudo para ser um grande jogo".

Uma polêmica recente também foi tema na coletiva do jogador palmeirense: árbitro de vídeo, grama sintética e venda de mando de campo. O árbitro de vídeo, em votação, teve sua utilização descartada pelos clubes. Os dois últimos, tiveram a aprovação. E o volante divulgou sua opinião sobre os assuntos: "Grama sintética, jamais. Sobre árbitro de vídeo e venda de mando, acho válido. Se quer levar pro Ceará, com um monte de torcedor, é válido, importante. Sobre árbitro de vídeo, não sei responder. Algumas coisas têm matado o futebol. Prefiro me calar sobre isso".