Análise VAVEL: um ano de Miguel Borja no Palmeiras

O camisa 9 alviverde chegou com expectativa e viveu muito altos e baixos no ano de 2017

Análise VAVEL: um ano de Miguel Borja no Palmeiras
Miguel Borja em sua apresentação no Palmeiras (Foto: Divulgação/Palmeiras

Miguel Ángel Borja Hernández, ou apenas Borja, completou no último dia 9 de Fevereiro um ano de sua chegada ao Palmeiras. O atacante de 25 anos, natural de Tierralta - município da Colômbia - chegou ao clube com uma gigante expectativa, muito por conta do alto preço pago pelo por ele, e também por seu desempenho espetacular no Atlético Nacional, onde ele foi eleito o 'Rei das Américas' (prêmio concedido ao melhor jogador do continente).

Apesar de tudo isso, o colombiano teve um ano de 2017 difícil, onde teve problemas de adaptação ao futebol brasileiro, além de ter sido muito contestado por suas atuações abaixo da média.
Em 27 jogos pelo Atlético Nacional, Borja fez 17 gols, onde 4 desses foram na semifinal da Libertadores de 2016, contra o São Paulo e um na grande final, contra o Independiente del Valle.

Chegada ao Palmeiras: o substituto do Gabriel Jesus é recepcionado pela torcida
 

Borja em atuação contra o Atlético Tucumán (foto: GettyImages)

Contratado pelo alto preço de 33 milhões de reais, Borja era tratado como o ideal para o lugar de Gabriel Jesus, que meses antes tinha sido vendido para o Manchester City. Em sua chegada, Miguel foi recepcionado pela torcida palmeirense numa manhã de sábado, no Aeroporto de Guarulhos, onde foi - literalmente - carregado nos braços da torcida.

Em seu primeiro jogo, no dia de sua apresentação no clube, Borja saiu do banco de reservas para fazer o 3° gol da goleada por 4 a 1 do Palmeiras sobre a Ferroviária, gol este com assistência de Dudu.

Após isso o camisa 9 caiu de produção junto com o time, que estava estagnado em uma formação tática que pouco agregava, que consequentemente pouco produzia. Isso, após uma derrota por 3 a 2, fora de casa contra o Jorge Wilstermann, culminou com a demissão do até então técnico do clube, Eduardo Baptista.
Com a queda do comandante alviverde, o técnico campeão brasileiro no ano de 2016, Cuca, foi contratado para tentar colocar o time nos trilhos e melhorar o desempenho da equipe.

Cucabol: falta de confiança e banco para Deyverson

Com a chegada de Cuca, Borja perdeu espaço no time titular. A forma de se jogar futebol no Brasil era totalmente diferente do que Miguel já tinha feito em sua vida. Aqui, e principalmente com Cuca, Borja teria de voltar para marcar os jogadores adversários, o que não era um costume e estilo de jogo do colombiano. Isso se tornou mais um problema na vida do atacante, além da escassez de gols e dificuldade na adaptação ao futebol brasileiro.

Por conta disso, Borja se tornou banco para o recém chegado Deyverson, que foi contratado por 18,5 milhões de reais a pedido de Cuca, este que precisava de um atacante que tivesse a capacidade de voltar para marcar.
O esquema de jogo imposto por Cuca ia completamente de encontro com o que os jogadores vinham fazendo com Eduardo Baptista. Isso gerou problemas para o técnico, que não conseguia colocar sua filosofia em prática no alviverde.

Em meio a tudo isso, Borja amargava o banco de reservas e a falta de gols, que faziam com que tudo para o atacante contratado com tamanha expectativa e esperança se tornasse ainda mais difícil.

Com uma pressão gigantesca sobre si, um desempenho muito questionável da equipe, duas eliminações doloridas (uma para o Barcelona de Guayaquil, na Libertadores e outra para o Cruzeiro, na Copa do Brasil) e um empate em casa contra o Bahia como último jogo, Cuca deixou o Palmeiras após 5 meses frente ao clube. Isso significava para Borja uma nova chance, com o técnico interino Alberto Valentim.

Alberto Valentim: Borja volta ao time e melhora de desempenho
 

Borja após gol contra o Cruzeiro, No Allianz Parque (Foto: GettyImages)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


 

Alberto Valentim assumiu como técnico interino após a queda de Cuca. Isso significou para o atacante colombiano que ele teria uma nova chance na equipe alviverde.

Borja começou a passagem de Valentim no banco de reservas, mas desta vez para Willian 'Bigode'. Este que, no jogo contra o Flamengo, se machucou e assim deu lugar ao colombiano no time titular.
No jogo contra a Ponte Preta, Miguel voltou a marcar após 17 jogos de jejum, fazendo um golaço onde aplicou um chapéu no goleiro da macaca e tocou para o fundo das redes.

Com Valentim e um esquema tático que o favorecia um pouco mais, Borja melhorou seu desempenho, se mantendo constantemente no time titular. desempenho este que refletiu em gols no jogo contra o Cruzeiro. Borja marcou 2 no empate em 2 a 2, no Allianz Parque.

Apesar da melhora de desempenho da equipe como um todo, o Palmeiras viu seu arquirrival, Corinthians, vencer o Campeonato Brasileiro de 2017.

Ano novo, novo Borja: Roger Machado em seu início de trabalho

Borja comemorando seu gol contra o Santos (foto: Divulgação/SE Palmeiras)

Após o conturbado ano de 2017, Borja começou 2018 com mais confiança, mais adaptado e consciente do que precisa fazer dentro de campo.
Titular absoluto, o atacante já mostra nesse ano uma nova cara, ajudando seus companheiros na marcação, criando chances, fazendo pivô e com muitos arremates para gol.

Facilitado pelo estilo de jogo de Roger Machado, que prioriza a posse de bola, nos 5 jogos de invencibilidade da equipe no Campeonato Paulista, Borja se tornou o maior finalizador do time, com 15 chutes a gol. Onde 2 desses balançaram as redes.
Borja se tornou também útil fora da área, por onde flutua para auxiliar seus companheiros nos momentos de ataque, sendo opção para passe e pivô. O atacante se mostrou mais solidário, correndo por outros jogadores, coisa que não fazia em 2017.

O camisa 9 alviverde se mostra cada vez mais adaptado ao futebol brasileiro, sabendo como se portar em campo, como correr e se posicionar para favorecer seu jogo. Além disso, ele mostra também que está mais a vontade com os outros jogadores, sendo menos introvertido e tímido, coisas que ele demonstrava muito em 2017.

Por conta de toda a expectativa gerada, alto preço e desempenho extraordinário em seu antigo clube, Borja deixa a desejar no Palmeiras. Mas isso não significa que o 'Rei da América' de 2016 não possa dar a volta por cima. Com confiança e bons jogos, o 9 pode ser o atacante que todos os palmeirenses sonharam em 2017. 2 gols em 5 jogos - um desses no clássico contra o Santos - já apresentam uma clara melhora de aproveitamento do atacante, apesar do início de temporada. Resta saber agora se Borja manterá o nível de desempenho apresentado, para poder manter sua vaga na estrelada equipe do Palmeiras.