Paraná 2016: a quase falência como motivação para retornar ao topo

Como chega o Tricolor da Vila para a disputa pelo acesso à elite do futebol brasileiro? Última participação da equipe foi no ano de 2007

Paraná 2016: a quase falência como motivação para retornar ao topo
Tricolor não quer "festejar" no ano que vem 10 anos longe da Série A

Pela nona vez consecutiva o Paraná Clube irá disputar o Campeonato Brasileiro Série B. Bi-campeão da competição nos anos de 1992 e 2000, os paranaenses obtiveram sua melhor colocação nos últimos anos em 2010, quando ficaram há 10 pontos do acesso. 

Início de temporada

Antes de falar do estadual, vale ressaltar as duas únicas partidas do Tricolor pela primeira fase da Copa do Brasil. O adversário foi o Estanciano. Após empate por 1 a 1 no Sergipe, Jean e Válber garantiram a classificação, mesmo com três penalidades desperdiçadas. Ainda sem data definida, o adversário do Tricolor na próxima fase da competição que dá vaga para a Libertadores da América será a Chapecoense.

O Campeonato Paranaense não terminou da maneira que o Tricolor esperava. A equipe não é campeã do estadual desde 2006. Neste temporada, o retrospecto foi de certa foram razoável: foram oito vitórias, quatro derrotas e três empates.

O regulamento deixou Paraná e Atlético-PR frente a frente nas semi-finais. No confronto de ida na Arena da Baixada, vitória e domínio total do Furacão, que venceu por 2 a 1. Tentos anotados por Nikão e André Lima; Lúcio Flávio descontou e reacendeu as esperanças do Tricolor para a partida de volta.

No última domingo (24), a partida foi realizada na Vila Capanema, o clima era claramente de decisão. Torcida recebendo o ônibus da equipe com rojões e sinalizadores deixavam um teor de guerra para o duelo. Dentro de campo, superação total do Paraná, que abriu o placar ainda na primeira etapa com Nadson. Porém, a superioridade durante todo o tempo regulamentar não foi suficiente para garantir a vaga para a final, desta forma, a decisão foi para as penalidades.

André Lima parou em Marcos, porém, Nei e Lúcio Flávio desperdiçaram suas respectivas cobranças. No final, coube ao meia Hernani sacramentar a vitória do Furacão na Vila Capanema. 

No dia seguinte à eliminação, o clima era de necessidade por reforços e dispensa de atletas que não estariam no planejamento para o Brasileirão. 

"O Paraná Clube segue trabalhando na formatação de seu elenco para a disputa do Campeonato Brasileiro e a continuidade da Copa do Brasil. Neste processo, definiu nesta segunda-feira (25) a liberação de sete atletas cujos contratos estão findando nos próximos meses: os laterais Nei, Dick, Elson e Elivelton, os meias Eliton e Lucas Pará e o atacante Toni. O clube agradece o empenho de todos no trabalho desenvolvido até aqui e deseja sorte a cada um dos profissionais na continuidade de suas carreiras", divulgou a equipe em nota oficial.

Temporada passada

O início da temporada do Paraná no ano passado foi semelhante a deste ano. No Paranaense foram cinco vitórias, quatro empates e quatro derrotas. Nas semi-finais, mais uma eliminação, desta vez para o tradicional Operário. Na Vila, um empate sem gols, no Germano Krüger, goleada do Alvi-Negro por 3 a 0.

Já na Copa do Brasil, a eliminação da equipe foi completamente precoce. O adversário foi o desconhecido Jacuipense do interior da Bahia, mais precisamente da cidade de Riachão do Jacuípe. A derrota ocorreu nas cobranças de penalidades, após uma vitória para cada lado por 1 a 0.

No Brasileirão, a equipe tinha como maestro o experiente Lúcio Flávio, ex-Botafogo. Entretanto, nem mesmo o talento do meia foi suficiente para garantir um retrospecto aceitável para a torcida do Tricolor. A 13ª colocação, com uma campanha de 12 vitórias, 11 empates e 15 derrotas aproximou por muito mais vezes o Paraná da zona de rebaixamento, e não da zona de acesso como sempre é esperado de uma equipe com o peso do Tricolor.

Destaque

Atrás apenas do ex-zagueiro Ageu, o goleiro Marcos é simplesmente o segundo jogador que mais vestiu o manto do Tricolor da Vila, com 327 partidas.

O goleiro foi revelado pelo próprio Paraná. Atuou pela primeira vez pela equipe no ano de 1997 com 20 anos de idade, em um confronto pelo Campeonato Paranaense diante do Londrina.

Marcos ganhou os holofotes do futebol nacional pela primeira vez durante a polêmica Copa João Havelange no ano 2000, quando a defesa do Paraná foi uma das melhores do torneio, desta forma, sendo a principal protagonista daquela equipe campeão do modulo amarelo do torneio, equivalente a Série B do Brasileirão.

Após boas atuações na meta Tricolor, Marcos foi negociado com o futebol europeu pouco tempo depois. Em pouco mais de dez anos foram quatro equipes em seu curriculum: Marítimo, Braga e Feirense em Portugal, e o Rennes da França.

De volta ao Paraná desde 2013, a experiência adqurida na Europa têm sido fundamental, já que a equipe tem apostado em sua base nos últimos anos. Desta forma, Marcos há um bom tempo vem sendo a esperança e o destaque do Tricolor em campanhas medianas nas temporadas passadas.

Treinador

Multi-campeão na base e interino do Santos por um perído de quatro anos, Claudinei Oliveira está em sua segunda passagem pelo Paraná. A primeira aconteceu há duas temporadas atrás, em 2014. Na ocasião, Claudinei treinou a equipe por 22 partidas no Brasileirão Série B: foram sete vitórias, sete empates e oito derrotas.

Pouco tempo depois, de maneira repentina, o treinador deixou o comando do Tricolor para assumir o rival Atlético, onde deixou o Furação na oitava colocação na Série A do Brasileiro.

Entretanto, o técnico acabou demitido após um péssimo início de temporada no ano passado. Pouco tempo depois, foi contratado pelo Vitória da Bahia. Em uma passagem relâmpago, Claudinei treinou a equipe por somente 11 partidas, sendo demitido após eliminação na Copa do Brasil para o Asa de Arapiraca.

Desde então, ficou sete meses sem trabalhar em nenhuma equipe, até acertar seu retorno para o Tricolor.

Após sua primeira eliminação desde sua volta, Claudinei revelou estar orgulhoso de sua equipe, e acredita na volta por cima pela Copa do Brasil e no Brasileirão.

"O que a gente traçou para o Paranaense foi cumprido, que era que a gente fizesse um campeonato digno das tradições do Paraná, e acho que fizemos isso. Por estarmos decepcionados é sinal de que fizemos bastante. O objetivo foi atingido, já temos uma base para a Série B. A missão dada foi cumprida. Claro que a gente queria mais, é nosso dever pela grandeza do Paraná, não podemos estar satisfeitos de ser eliminados, mas serve de alento a campanha que foi feita e o futebol apresentado. O ponto fora da curva foi aquela atuação contra o Coritiba", afirmou.