Santa Cruz faz história e conquista o Nordeste pela primeira vez

Trajetória com altos e baixos e muita superação nas fases finais marcam inédito título coral

Santa Cruz faz história e conquista o Nordeste pela primeira vez
Atletas santacruzenses levantam a "orelhuda", como é conhecida a taça da Copa do Nordeste (Foto: Ney Gusmão/Vavel Brasil)

O primeiro grande objetivo da gestão de Alírio Moraes no Santa Cruz foi alcançado. Na tarde deste domingo (1º), o Tricolor conquistou pela primeira vez a Copa do Nordeste ao empatar com o Campinense em 1 a 1 no estádio Amigão, em Campina Grande. No jogo de ida, realizado na última quarta-feira (27) no Arruda, em Recife, deu Santa pelo placar de 2 a 1.

Mas ao contrário do que os últimos resultados da Cobra Coral no Nordestão e no Campeonato Pernambucano possam parecer, a trajetória santacruzense na competição regional não foi fácil. Logo na estreia o Mais Querido foi derrotado em casa pelo Bahia por 1 a 0 e a desconfiança que já pairava pelo José do Rêgo Maciel em relação ao elenco vice-campeão da Série B 2015, devido ao mau início, aumentou exponencialmente.

Dias depois, viria o Confiança fora de casa, e uma vitória convincente por 2 a 0 acalmou os ânimos no Tricolor. Mas empatar em casa com a Juazeirense em 1 a 1, após ter sido derrotado pelo maior rival na partida anterior, fez o clima no clube e na torcida esquentar novamente. O maior alvo das cobranças por parte dos aficionados corais era o antes aclamado técnico Marcelo Martelotte.

Apesar das críticas, Martelotte continuou no cargo e ainda conquistou mais duas vitórias na competição, contra a Juazeirense na Bahia por 1 a 0 e contra o Confiança no Arruda por 3 a 1, suficientes para garantir a classificação às quartas-de-final. Porém os maus resultados no Pernambucano e a derrota para o time sub-20 do Bahia por 1 a 0, na última rodada do Grupo C do Nordestão, foram a gota d'água para a direção, que demitiu o treinador.

O novo comandante foi apresentado dias depois. Milton Mendes, lembrado pela excelente campanha à frente do Atlético Paranaense no Brasileirão de 2015, se tornou a esperança da torcida coral para reverter o quadro que havia se desenhado no clube. Mesmo sem estar no banco de reservas, Milton teve um papel importantíssimo na motivação dos atletas na primeira partida das quartas-de-final, contra o Ceará, vencida de virada pelo Tricolor por 2 a 1. E no jogo da volta no Castelão em Fortaleza, dessa vez com Milton no comando, nova vitória, dessa vez por 1 a 0.

O próximo adversário era o mais temido pela torcida. Afinal, o Bahia havia vencido o Santa Cruz duas vezes na primeira fase, e era o time de melhor campanha na competição. Um empate no Arruda em 2 a 2 pelo jogo de ida fez o temor aumentar, mas ainda havia uma esperança, afinal com Milton Mendes o rendimento coral dentro de campo se mostrava visivelmente superior ao da Era Martelotte. Na Fonte Nova, o alívio: Grafite fez o gol da classificação santacruzense para a inédita final nordestina.

Veio a grande decisão, e o Tricolor do Arruda se encontrava visivelmente empolgado após as duas vitórias contra o rival Náutico pelas semifinais do estadual. Mas o Campinense se mostrou um adversário dificílimo, e quase complicou a vida da Cobra Coral. Somente no último minuto de jogo saiu o gol do triunfo por 2 a 1, resultado importantíssimo para as pretensões corais. No Amigão, em Campina Grande, invasão da torcida tricolor, mais um jogo nervoso e no fim Arthur garantiu o empate na partida e a festa nas arquibancadas e em todo o estado de Pernambuco pelo título inédito.