Martelotte critica direção do Santa Cruz: "Pouco foi feito para resolver a situação"

Técnico convocou coletiva para esclarecer algumas situações da sua curta passagem pelo Tricolor do Arruda

Martelotte critica direção do Santa Cruz: "Pouco foi feito para resolver a situação"
Martelotte foi demitido por telefone (Foto: Divulgação / Santa Cruz)

Demitido do Santa Cruz na tarde dessa quarta (15), o técnico Marcelo Martelotte já havia adiantado, através de sua assessoria, que tinha sido desligado do clube, através de um telefonema do diretor de futebol tricolor, Jomar Rocha, para o seu empresário. Na manhã dessa quinta (16), ele concedeu coletiva para esclarecer dúvidas sobre os problemas que afetaram sua passagem, entre elas, sobre a forma como foi demitido.

"Na verdade, eu fiquei sabendo através do Joca, que é meu empresário. Ele recebeu uma ligação para avisar sobre a minha demissão. Meu contato com a diretoria do Santa Cruz para saber sobre a minha saída foi através de uma terceira pessoa. Só recebi uma mensagem do presidente, marcando uma reunião para conversar sobre as situações que precisam ser resolvidas", explicou.

O presidente do clube, Alírio Moraes, chegou a criticar o treinador e o atacante Ricardo Bueno pelas reclamações quanto aos problemas de salários atrasados. Para defender sua posição, o mandatário coral relatou que Bueno vive uma situação diferente dos outros jogadores do elenco, com apenas um mês de salário atrasado. Martelotte comentou a posição do dirigente.

"É muito triste você achar que, pelo fato de o Ricardo ter uma dívida menor, ele não pode se pronunciar em nome do grupo. É uma posição de liderança. O problema existe, coletivamente, dentro do Santa Cruz. Têm jogadores que recebem por outros clubes, mas eu vejo neles o mesmo direito dos outros de reivindicar, pois fazem parte do mesmo grupo. São situações distintas, mas não se pode condenar os mais experientes por tomarem à frente, em prol do grupo".

Sobre os métodos de treinamento, o ex-técnico tricolor já tinha avisado em várias coletivas que estava trabalhando mais na base da motivação, do que taticamente, já que os jogadores, além de estarem insatisfeitos com a situação do clube, vinham de muitos jogos consecutivos e mostravam desgaste físico.

"Foi uma opção minha. Depois do jogo do Náutico, onde essa situação acabou ficando mais latente com relação à insatisfação dos jogadores, eu optei por fazer treinos mais recreativos para conduzir de uma maneira mais leve o trabalho. Tivemos também muitos jogos em sequência, o que impossibilitava que a gente fizesse um treinamento mais forte. Obrigou que a gente fizesse mais um trabalho de recuperação", justificou.

Acusado por Alírio de não defender o clube da possível greve dos jogadores, ele justificou falando que a situação chegou em um lugar irreversível, ressaltando que a situação salarial da comissão técnica era ainda pior que a dos jogadores.

“Ficou muito difícil defender a diretoria perante jogadores quando pouca coisa foi feita no sentido de ser resolver os problemas. Então, se ele entende que a diretoria do clube possa ser misturada com o nome, entidade do clube em si, eu acho que é uma visão errada", informou. "A comissão técnica do Santa Cruz passa por uma situação muito pior que a dos atletas. São cinco meses de salários atrasados deste ano e mais sete do ano passado. Se for contar, nos últimos dois anos, eles têm um ano sem receber", finalizou.