Morumbi 56 anos: conheça os principais momentos marcantes do maior estádio particular do Brasil

Palco de títulos nacionais e internacionais do São Paulo Futebol Clube, o estádio completa seu quinquagésimo sexto aniversário neste domingo (2)

Morumbi 56 anos: conheça os principais momentos marcantes do maior estádio particular do Brasil
Em 2016, mais uma quebra de recorde de público no Brasil (Foto: Divulgação/ São Paulo FC)

Ah, se ele pudesse contar tudo o que presenciou nestes mais de 50 anos de história. De Pablo Forlán à Rogério Ceni, de Campeonatos Paulistas à Copas Libertadores da América. "Se é um sonho, que seja grande", foi com este lema que há 74 anos atrás o maior estádio particular do país começava a ser construído na zona sul de São Paulo, arquitetado por Vilanova Artigas.

Após 18 anos de construção e uma agonia profunda até sua inauguração, foi no dia 2 de outubro de 1960 que a torcida são-paulina conheceria uma combinação que passaria a ser determinante e comum nas décadas seguintes: a vitória e o Morumbi. Frente ao Sporting de Lisboa, Arnaldo Poffo Garcia, mais conhecido como Peixinho, marcou o único gol daquela partida. E era necessário mais algum? Pela primeira vez as redes balançavam no gramado do Cícero Pompeu de Toledo, o primeiro dos mais de 3000 que viriam anos depois. 

Conheça abaixo alguns de seus momentos mais marcantes: 

Com o corpo esticado no gramado 'novinho em folha', Peixinho marcava o primeiro gol do Morumbi (Foto: Divulgação/ São Paulo FC)

Campeonato Paulista de 71

Dois anos antes o Morumbi já havia conhecido o seu primeiro campeão, o Santos, vencendo justamente o São Paulo na decisão do Paulistão daquele ano

A primeira taça levantada pelo Tricolor Paulista demorou a ser conquistada. 11 anos, mais precisamente, para que finalmente o São Paulo pudesse comemorar um título diante de seus torcedores, jejum que se tornaria algo raro posteriormente. Com uma equipe completamente fantástica, liderada por Pedro Rocha e Pablo Forlán, o São Paulo venceria o Campeonato Paulista de 1971 diante do rival Palmeiras de Ademir da Guia, com um tento anotado por Toninho Guerreiro ainda na etapa inicial. 

A primeira Copa Libertadores da América

A combinação mais perfeita que há. Uma afirmação dita por diversos torcedores, jornalistas e simpatizantes do tal futebol: "A melhor quarta-feira de Libertadores é a do São Paulo!". É difícl explicar como essa competição pulsa no coração dos são-paulinos. As segundas e terças-feiras da semana são de total angustia. O anseio pela noite de futebol é tão aguardada quanto o primeiro gol da partida.

É verdade que a torcida do São Paulo é outra quando o clube disputa a Copa Libertadores. Mas acreditem, não é por mal. É um sentimento indescrítivel e uma combinação que poucos conhecem, a não ser que um escudo de cinco pontas, vermelho, preto e branco esteja bordado em seu peito. E como toda esta paixão começou? 

Em 1992. Pouco mais de três décadas já haviam se passado desde a inauguração do estádio. Pouco idolatrada no Brasil antes do São Paulo passar a conquistá-la com fervor, a Copa Libertadores da América daquele ano tinha o Tricolor Paulista como um dos seus principais favoritos. Bolívar, San José, Criciúma, Nacional e Barcelona-EQU até tentaram impedir o avanço à grande decisão, mas sem sucesso. No dia 10 de junho, Newells Old Boys e São Paulo se enfrentavam pela primeira partida da grande decisão. Em Rosário, vitória pelo placar mínimo dos donos da casa. Na semana posterior, a América conheceria não somente o São Paulo Futebol Clube, mas sim, o que a dupla: torcida e Morumbi era capaz de fazer.

Bicampeão no ano seguinte, o tri da Libertadores poderia ter surgido em 94, mas nas penalidades o Vélez adiou o sonho da terceira conquista, que viria em 2005

115 mil torcedores fizeram do Morumbi um verdadeiro inferno! Mas as redes argentinas demoraram a balançar. Isso aconteceu de fato apenas no meio da etapa regulamentar, quando Raí, em cobrança de pênalti, igualou o placar agregado, que não seria mais alterado. Nas penalidades, aqueles mesmos 115 mil são-paulinos ficariam em silêncio, um silêncio que não durou por muito tempo. Até Zetti pular para defender a cobrança de Gamboa. São Paulo campeão, e de quebra, a maior invasão de campo já vista em solo brasileiro.

Hegemonia nacional na década seguinte

Em 2006, o São Paulo já era tricampeão da América e do Mundo, a Copa Libertadores da América era visitante frequente do estádio e das salas de troféus. E o Campeonato Brasileiro ? O São Paulo já contava com três, mas com um porém: nenhum deles fora conquistado diante da torcida. Em 1977 a conquista veio em Belo Horizonte contra o Atlético-MG; em 86 em Campinas, contra o Guarani; em 91 em Bragança Paulista, diante do surpreendente Bragantino.

Foram precisos 46 anos para que a primeira conquista fosse perante à massa são-paulina. Em uma disputa de pontos corridos, no Campeonato Brasileiro de 2006. Vice-campeão da Copa Libertadores daquele ano, ao perder a oportunidade do tetra em Porto Alegre para o Internacional, o poder de reação daquela geração foi colocado à prova no torneio nacional. Disputando ponto por ponto com o próprio Colorado, o novo São Paulo de Muricy Ramalho teve finalmente a oportunidade de levantar a taça no dia 19 de novembro, na antepenúltima rodada.

Também no comando de Muricy, o hexacampeonato viria nos dois anos seguintes com um dos melhores elencos da história do clube

O Morumbi também estava completamente tomado como em 92, mas com introdução de cadeiras em todos os setores do estádio, o público máximo que permanece até hoje foi composto por 68 mil torcedores. Com Rogério Ceni capitão e símbolo da equipe, o São Paulo inaugurou o marcador com Fabão, também autor do segundo tento da final diante do mesmo Atlético-PR no ano anterior, na partida do tricampeonato da Copa Libertadores. Mas o volante Cristian igualou o placar no segundo tempo. Pouco tempo depois Alício Pena Júnior encerrou a partida, e as atenções foram do gramado para as transmissões de rádio. Na Vila Capanema em Curitiba, Paraná e Internacional se enfrentavam, e quando Wagner Azevedo Tardelli encerrou os trabalhos com os donos da casa vencendo por 1 a 0, o São Paulo pôde comemorar o tetracampeonato nacional e o primeiro diante da sua torcida. 

Símbolo de raça do elenco, Leandro virou companheiro das traves do Morumbi nas conquistas do Brasileirão (Foto: Divulgação/ São Paulo FC)
Símbolo de raça do elenco, Leandro virou companheiro das traves do Morumbi na conquista do título nacional (Foto: Divulgação/ São Paulo FC)

A despedida do melhor amigo

Dizer adeus à alguém nem sempre é algo bom. E quando se trata de um companheiro que lhe visitou mais de 600 vezes? Que fez balançar suas redes em 73 oportunidades? A pessoa que mais desceu suas escadas em direção ao vestiário com a vitória conquistada. É, deve ser uma dura despedida! E ela aconteceu a pouco tempo atrás. No dia 11 de dezembro de 2015. Esse "alguém" citado acima tem nome e sobrenome: Rogério Mücke Ceni. Também conhecido por sua famosa denominação: M1T0.

Rogério Ceni se despediu após 25 anos de serviços prestados ao São Paulo Futebol Clube. O maior ídolo da história do clube, no maior estádio particular do país. Uma noite para jamais esquecer. Somente ele poderia reunir tantos campeões mundiais em um só terreno. Campeões Mundiais de 1992 contra os Campeões Mundiais de 2005. Parecia sonho, ver Cafu, Raí, Ronaldão, Amoroso, Aloísio e Mineiro juntos em um mesmo gramado. E era realmente necessário juntar todos aqueles ídolos em um só lugar, pois ao soar do apito final, a emoção só poderia ser contida por guerreiros como estes.

Quando a partida acabou e todos se reuníram no centro do gramado, os presentes no estádio temiam pelo que estavam prestes a ouvir do personagem principal da noite. Na verdade, todos sabiam o que sairia da boca de seu maior ídolo, mas ninguém queria ouvir. Nenhum torcedor queria encarar de frente aquele adeus. Rogério Ceni bem que tentou confortar os corações dos milhares de torcedores, mas já não era possível enxugar as lágrimas. Um lindo e fantástico ciclo chegava ao fim. Antes inseparáveis, Morumbi e Ceni despediam-se após anos de companheirismo. 

(Foto: Miguel Schincariol/ AFP)
Adeus? (Foto: Miguel Schincariol/ AFP)

Estatísticas (atualizada em 2016)

Campanha Geral do São Paulo no Morumbi J V E D GM GS %P
1613 954 394 265  3039 1432 67,30
Jogadores que mais atuaram no Morumbi
C. Jogador P J V E D G
Rogério Ceni GOL 594 374 130 89 73
Waldir Peres GOL 286 154 76 56 0
Dario Pereyra ZAG 224 133 49 42 15
Nelsinho LAT 224 128 59 37 3
Terto ATA 209 107 63 39 34
Jogadores que mais marcaram gols no Morumbi
C. Jogador P J V E D G
Serginho Chulapa ATA 188 109 41 38 135
Luís Fabiano ATA 171 109 30 32 125
Müller ATA 187 123 45 19 91
França ATA 146 85 39 22 91
Rogério Ceni GOL 594 375 130 89 73