Análise Tática: o irônico desfecho do Brasil na Copa América é uma nova chance de mudar

Novo vexame da seleção mal treinada, mal conduzida e sobretudo mal estruturada. Desde o principio, falando de elementos que não tangem diretamente o campo até os que chegam a ele

Análise Tática: o irônico desfecho do Brasil na Copa América é uma nova chance de mudar
(Foto: Getty Images)

Sem Casemiro, Dunga teve uma interessante ideia contra o Peru: Lucas Lima no centro de uma linha de três, com Renato e Elias por trás. Qualidade e verticalidade na saída, com Daniel Alves aparecendo mais por dentro para associar a transição com os meias, tendo Willian e Filipe Luís para alargar o campo. Por dentro, entre as linhas do time de Gareca, Coutinho e Lucas Lima:

O problema era quando o time chegava ao último terço. Pouca aproximação para trocar passes e gerar ocasiões de gol, com individualismo demasiado. Jeito que o Brasil achava para chegar próximo a área de Galesse, depois de definir desta forma contra o frágil Haiti.

Também porque num confuso 4-1-4-1, o Peru de Gareca marcava mal. Montava as linhas no campo de defesa, mas sem coordenação para fechar as linhas de passe e marcar o setor, sempre com perseguições que abriam toda a defesa e davam a oportunidade da jogada individual da seleção de Dunga

Individualismo para atacar descompensando a interessante ideia de sair com três homens de passe, tendo amplitude e jogadores entre as linhas. Se bem coordenado, teria chance grande de êxito. 


Porque no futebol moderno e de alto nível segue prevalecendo o coletivo. Sem a chegada de Elias e Renato de trás, para ajudar na triangulação ou até mesmo arriscar em arremates, a seleção ficou espaçada no terço final. Gabriel sem referência de posicionamento na frente, Willian buscando o fundo sem outra alternativa, Lucas e Coutinho sem a bola para servir. 

O jogo mudou a partir do momento em que Gareca avançou as linhas, porque sem a liberdade para Renato e Elias construírem trocando passes, tão menos Filipe e Daniel explorarem os espaços, o Brasil se tornava um time dividido em dois. 

Defesa e dois volantes pressos atrás, meias e atacantes avançados a espera de uma saída que não acontecia. Uma possível solução? ter Lucas Lima mais próximo dos volantes para criar uma nova opção de passe. Novamente o individualismo...


Gareca apostou em Yotun para a saída ao lado de Vilchez, desfazendo o esquema inicial e posicionando Cueva e Polo pelos lados, para buscar Ruidiaz e Guerrero a frente. Manutenção da bola no campo de ataque, deixando Brasil sem opções de saída nem conclusão na transição.

Willian e Coutinho ficaram distantes, assim como Lucas Lima que por consequência isolou Gabriel. Totalmente perdido na referência, onde não costuma jogar e foi sacado por Hulk e a tentativa desesperada do gol após a abertura do placar com Ruidiaz. Sem qualquer sucesso a despedida do Brasil foi melancólica. 

Novo vexame da seleção mal treinada, mal conduzida e sobretudo mal estruturada. Desde o principio, falando de elementos que não tangem diretamente o campo até os que chegam a ele. Bom início contra o Peru, derrota com gol irregular. Faltou, mas não deixou de ser irônico. É uma nova chance de mudar. Sinal dos tempos.