A Copa América foi mais um vexame, mas podemos tirar algo disso

Não só de coisas ruins foi feita a Copa América da Seleção Brasileira, apesar da eliminação na primeira fase

A Copa América foi mais um vexame, mas podemos tirar algo disso
Renato Augusto após a eliminação para o Peru (Foto: Lucas Figueiredo/Mowa Press)

A participação da Seleção Brasileira no Copa América Centenário terminou de forma mais melancólica do que na edição de 2015. Quando a torcida, ou melhor, aqueles que ainda resistem e se importam com o time, achou que não poderia ser pior do que aquela eliminação para o Paraguai, veio o Peru e seu gol de mão. O fato coloca ainda mais pressão em um grupo que carrega o fardo deixado pela geração anterior, mas que ainda não conseguiu convencer o suficiente para ter credibilidade e confiança.

O cenário pode parecer completamente preocupante inicialmente, afinal, uma seleção pentacampeã mundial cair na primeira fase desse torneio é bastante incomum. Porém, não só de coisas ruins foi feita essa competição. Para comprovar o ponto, vamos analisar as três partidas disputadas pelos brasileiros e comentar os - vários - pontos negativos e os positivos.

A característica mais marcante desse grupo foi a intensa troca de passes. Esse estilo de jogo não era visto há muito tempo na Seleção e acabou, pessoalmente, agradando. Quando davam certo, podiam deixar os adversários tontos em campo e ajudavam na construção das jogadas.

A partida de estreia foi contra o Equador. Ali foi o início do que parece ter sido o último teste de Dunga. O empate em 0 a 0 foi decepcionante para o que se esperava. Mesmo que as expectativas não sejam altas, os duelos contra os equatorianos, ou qualquer seleção que estava no Grupo B, tem tendência a serem bem mais fáceis para a Seleção. Não foi o que aconteceu. 

Graças a um vacilo da arbitragem em um lance polêmico no final do jogo, o Equador viu um gol legítimo, após falha de Alisson, ser anulado e o placar terminou sem ser alterado. O Brasil até tentou pressionar, mas as finalizações foram - e continuaram sendo - o grande problema.

A partida contra o Haiti foi uma grande ironia. O 7 a 1 no placar pode ter sido apenas o destino querendo mostrar que nossos dias de pesadelo com a Alemanha ainda não terminaram. E estão longe de ter fim. Mesmo sendo a favor dessa vez, esses sete gols acabaram sendo os únicos marcados pela Canarinho no torneio. Assim como foi o tento solitário dos haitianos.

Os pontos a serem ressaltados nesse confronto foram as boas entradas de Gabriel e Lucas Lima. Os dois jogadores do Santos terminaram por, merecidamente, conseguir a vaga no time titular depois. Sem desmerecer Jonas ou Casemiro, que são dois ótimos nomes.

No primeiro treinamento em Boston, foi possível observar que não havia tido uma atividade sequer com todos os 23 jogadores presentes e disponíveis. Até o jogo da eliminação contra o Peru, Dunga provavelmente só pôde contar com seus comandados completos no treino antes da partida, no Gillette Stadium. Longe de qualquer tentativa de defender o técnico, já que talvez ele seja o grande motivo para que o Brasil não consiga se desenvolver.

A partida contra o Peru foi dominada pelo Brasil. O problema voltou a ser a finalização das jogadas, mas os brasileiros pressionavam, invertiam o jogo - Renato Augusto mandou belíssimas bolas longas - e trocavam passes sem deixar os peruanos jogarem. Como Dunga mencionou na entrevista coletiva pós-jogo, os adversários jogavam por uma bola aérea ou de contra-ataque. E foi assim que ganharam o jogo.

A continuidade do trabalho iniciado pelo técnico atual ainda não é certa, mas é importante ressaltar os bons pontos desse Brasil que voltou a não convencer. A esperança é que nas Olimpíadas, o próximo grande desafio da Seleção, os resultados sejam melhores.