É preciso muito trabalho, humildade e paciência

Após mais uma eliminação, constata-se novamente o tamanho do problema e conclui-se que muito trabalho terá de ser feito, acompanhado de muita humildade e muita paciência

É preciso muito trabalho, humildade e paciência
Elias, Miranda e Gil após a eliminação no último domingo (Foto: Agência Anadolu/Getty Images)

No último domingo encerramos mais uma página suja do futebol nacional. Chegamos à desclassificação na Copa América Centenário, em um grupo com Equador, Peru e Haiti. A seleção brasileira foi a única equipe que sofreu gol do time haitiano, apesar dos 7 a 1, que não se assemelha em nada ao sofrido por nós em 2014. O que gera maior preocupação é o questionamento: estamos para a Alemanha como o Haiti está para nós?

Como afirmo e reafirmo, o problema do time brasileiro é muito maior que a tal da geração fraca, geração essa que inexiste. A CBF é e continuará sendo a maior barreira do futebol brasileiro, por todos os fatores já conhecidos. Dunga e Gilmar Rinaldi também eram problemas, não são mais: enfim demitidos. Este que vos fala nunca escondeu a insatisfação por ver Dunga à frente do time brasileiro, o gaúcho não é técnico, simples.

Dunga, enfim, caiu (Foto: Ira L. Black/Getty Images)
Dunga, enfim, caiu (Foto: Ira L. Black/Getty Images)

A Confederação Brasileira de Futebol priorizou a disputa dos Jogos Olímpicos à da competição continental, decisão que gera discussões. Neymar, maior ícone do futebol brasileiro, foi obrigado pelo seu clube a escolher junto a CBF qual torneio jogaria, os jogos aqui no Brasil foram priorizados, ok. Sem o camisa 10, o time brasileiro mostrou-se sem referência alguma, assim como todas as vezes em que o atacante esteve ausente, da mesma forma que ocorreu no fatídico 8 de julho de 2014.

Neymar está de férias e logo após a eliminação da seleção brasileira manifestou-se a favor do time nacional e sendo duro nas declarações, percebeu o erro e desculpou-se, gesto correto. Porém, questões devem ser levantadas, será que Neymar deveria ter sido mais incisivo dentro do clube catalão para disputar a Copa América, talvez. Poderia ao menos ter tentado.

Mudanças dentro da CBF mostram-se positivas. Leonardo, ex-dirigente de Milan e PSG, deve ser o novo coordenador de seleções, cargo que era ocupado por Gilmar Rinaldi. À frente do banco de reservas, enfim, provavelmente, veremos Adenor Bacchi, o Tite. Dentro do Brasil é a melhor opção, sem sombra de dúvidas, o que é também é preocupante, não pelo fato de ser Tite, mas por possuirmos hoje apenas um treinador com capacidade de comandar a seleção.

É a hora de Tite? (Foto: Brazil Photo Press/Getty Images)
É a hora de Tite? (Foto: Brazil Photo Press/Getty Images)

O que se sabe é que apoiar-se nas cinco Copas do Mundo não cola mais, também se sabe que a seleção brasileira deixou de ser temida. O torcedor brasileiro ainda sofre, porém também aprendeu a deixar de sofrer. Espera-se que com humildade, muito trabalho e paciência voltemos a apresentar, inicialmente, um futebol convincente e com o decorrer do tempo podermos disputar novamente com as grandes seleções do mundo, independente de quem assuma, já que notoriamente não estamos nesse grupo hoje.