Dois anos do 7 a 1: reação brasileira à goleada

Na visão de torcedora, Alice Tosatti conta com exclusividade à VAVEL Brasil alguns fatos inusitados que marcaram aquele 8 de julho de 2014

Dois anos do 7 a 1: reação brasileira à goleada
Foto: Editoria de Arte VAVEL Brasil/Marcello Neves

Há dois anos, a torcida brasileira que fora ao estádio Mineirão acompanhar o jogo entre Brasil e Alemanha, pela semifinal da Copa do Mundo, voltara para casa em estado de choque. A seleção pentacampeã do mundo sucumbira diante dos alemães ao ser goleada por 7 a 1. Assim, o sonho de conquistar o hexa em casa fora aniquilado pelo conjunto alemão sob o comando de Joachim Löw.

Alice Tosatti, de 19 anos, presenciara o massacre alemão in loco e conta com exclusividade à VAVEL Brasil alguns fatos inusitados que marcaram aquele 8 de julho de 2014. A estudante de comunicação social disse que, embora o jogo tenha sido divertido, não estava confiante na classificação do Brasil à final do Mundial, mas não imaginava que a derrota viria de uma forma tão elástica.

Eu fui para o Mineirão com a ideia de que a gente ia perder. Eu já tinha aceitado isso. Mas sete... Nunca, na face da terra, eu achei que a gente poderia perder de sete”, contou.

E por pouco Tosatti não assistiria àquela partida. Ela afirmou ter recebido proposta de torcedores nos arredores do Mineirão que desejavam comprar seu ingresso. Houve uma pessoa, segundo ela, que chegou a lhe oferecer a bagatela de R$ 7 mil no bilhete.

Questionada sobre a reação da torcida quando Felipão optou pela entrada do meia Bernard no lugar no lesionado Neymar, Tosatti afirmou que a opção do treinador foi aceita por parte dos torcedores – sobretudo os atleticanos, já que o jogador é oriundo da base do Atlético-MG. Outros, no entanto, não entenderam.

Os atleticanos gostaram [da entrada de Bernard]. Ter um atleta que já jogou no Atlético foi interessante. Eu fiquei ao lado de um cara que trabalha no Flamengo e ele me disse que não entendeu o porquê da escolha do Bernard. Mas os atleticanos ficaram muito felizes com a entrada dele”, comentou.

Ela também revelou que houve bastante confusão na saída do estádio. “Tinha muita briga entre os torcedores, e todo mundo estava bêbado. Em todo canto você podia ver. Eu vi umas oito ou nove brigas”, disse.

Otimismo alemão e vaias para Fred

Embora a Seleção Brasileira estivesse jogando em casa com o apoio da torcida, os torcedores alemães estavam otimistas quanto à classificação para a final do Mundial em cima do Brasil. Quem afirma isso é Alice Tosatti, que também contou à reportagem os detalhes da zoação deles após o 7 a 1.

Eu acho que eles já sabiam. Não que seriam campeões, mas que eles iriam chegar longe, porque o time estava jogando bem para caramba e o Brasil não estava lá essas coisas”, ressaltou.

Eu tive pouco contato com os alemães. Os encontrei na Savassi [bairro situado na região Centro-Sul de Belo Horizonte] e um dia depois, no mesmo local. Eles zoavam a gente, mas nada querendo se mostrar superior, até porque é o Brasil.

O atacante Fred, peça importante na conquista da Copa das Confederações de 2013, recebeu muitas críticas por sua má atuação no Mundial. Ele foi um dos jogadores que a torcida presente no Mineirão não aliviou das vaias. Tosatti afirmou que a torcida não tinha paciência com o jogador do Fluminense.

“[As vaias] começaram para o Felipão e depois para o Fred também. Toda vez que o Fred pegava na bola, a torcida reclamava dele. Ele pegava na bola e o povo vaiava. Até o quinto gol o povo apoiou bastante, até fiquei impressionada. Mas depois desistiram. No quarto gol, um cara bêbado passou na minha frente, caiu no chão e começou a chorar”, contou.