Brasil bate Austrália nos pênaltis e vai às semifinais no futebol feminino

Após tempo regulamentar sem gols e prorrogação eletrizante, decisão nas penalidades máximas com duas defesas de Bárbara garantem seleção brasileira na semi diante da Suécia

Brasil bate Austrália nos pênaltis e vai às semifinais no futebol feminino
Foto: Pedro Vilela/Getty Images
Brasil (7)
0 0
(6) Austrália
Brasil (7): Bárbara; Fabiana (Poliana), Rafaelle, Mônica e Tamires; Thaisa, Formiga, Andressa Alves, Marta; Debinha e Bia.
(6) Austrália: Williams; Foord, Alleway, Kennedy e Catley (Logarzo); Kellond-Knight, Van Egmond, Gorry; Simon (Heyman), Kerr (Crummer), De Vanna (Polkinghorne)
ÁRBITRO: Cartões amarelos: Alleway, Tamires, Foord, Marta.

Em partida válida pelas quartas de final do futebol feminino na Rio 2016, Brasil e Austrália se enfrentaram buscando assegurar classificação para a próxima etapa. Além de estar de olho na vaga da semifinal, a seleção brasileira também tinha um outro desafio a mais: a revanche pela eliminação no Mundial de 2015. E quem achou que seria tarefa fácil, se enganou. Após dois tempos regulamentares e prorrogação, nenhum gol foi marcado e a decisão por pênaltis por 7 a 6 garantiu a vingança e de quebra a classificação das meninas brasileiras.

Apesar do zero no marcador, a primeira e a segunda etapa do tempo regulamentar contaram com muitas chances boas para ambas as equipes, mas principalmente para o Brasil, que conseguiu maior volume de jogo. O problema sempre eram as finalizações erradas. Já na prorrogação, os dois tempos de 15 minutos foram eletrizantes, mas não teve jeito. A bola simplesmente não entrou e a decisão foi para as penalidades.

Nas cobranças, todas as quatro primeiras foram convertidas, quando Marta errou para o Brasil e Bárbara defendeu a cobrança de Gorry. A partir daí, cobranças alternadas e novamente a estrela da goleira brasileira brilhou: defesa da cobrança de Kennedy e Brasil na semifinal, onde enfrentará a Suécia, na próxima terça-feira (16), às 13h no Maracanã. 

Jogo duro no primeiro tempo não deixa o zero sair do marcador 

Nos minutos iniciais de jogo, quem dominou foram as meninas do Brasil, tanto que logo aos três minutos, Formiga fez a roubada de bola na intermediária do ataque e arriscou o chute. A bola foi para o canto e, bem posicionada, Williams fez a defesa. O Ponto forte do Brasil nos primeiros lances era arriscar as jogadas sempre pelo lado esquerdo, buscando usufruir da velocidade de Debinha.

Aos 15 minutos quase deu certo quando Tamires roubou a bola no meio, deu o passe para Debinha, que avançou diante da marcadora e bateu de fora da área. No susto, Williams mergulhou e espalmou. Cinco minutos depois, a defesa brasileira vacilou, Simon recebeu pela esquerda e bateu cruzado da entrada da área. Bárbara nem viu a cor da bola, mas por sorte ninguém conseguiu desviar pelo meio.

Não só em jogadas de velocidade, o Brasil também arriscou na bola parada. Aos 25 minutos houve uma cobrança de escanteio onde Marta cobrou pela esquerda. Formiga conseguiu chegar pelo meo e bater de primeira. A bola acabou subindo demais, mas mesmo assim assustou a goleira Williams. A Austrália também queria jogo, tanto que levou perigo aos 28 minutos quando Egmond levantou a bola na área para De Vanna cabecear de cabeça para o meio. Alleway pegou de primeira e bateu de direita. No meio do gol, Bárbara defendeu segura e sem rebote.

Uma boa chance do Brasil aos 30 aconteceu e poderia ter sido melhor aproveitada. Tabelando pela direita, Formiga apareceu livre na grande área, mas preferiu tocar para Thaisa, que acabou batendo fraco demais e deixando a bola nas mãos de Williams. 

Nos minutos finais antes dos acréscimos, um lance crucial para as meninas do Brasil que também foi disperdiçado. Em uma bela enfiada de bola de Andressa Alves, Debinha fez o corte na adversária, foi até o meio da área, mas acabou mandando a bola por cima do travessão. Era a chance de abrir o placar no Mineirão.

No último minuto, a Austrália ainda levou perigo em uma bola levantada na área, mas Bárbara subiu e defendeu de soco. A queda aconteceu em cima de Formiga, que ficou no chão com muitas dores e ao término do jogo deixou o gramado com dores, mas caminhando. Só um susto no fim do primeiro tempo.

Brasil retém volume de jogo, mas peca nas finalizações e placar zerado leva decisão para a prorrogação

A pressão brasileira se fez presente no começo do segundo tempo. Foram três lances seguidos do Brasil, mas o mais expressivo aconteceu aos três minutos, quando Andressa Alves dominou na entrada da área e bateu de perna esquerda. A bola acabou desviando em Kennedy, mas mesmo assim deu trabalho para Williams, que caiu e fez a defesa.

Um lance aos sete minutos fez muita gente se levantar na expectativa do gol no Mineirão. Um lançamento perfeito chegou até Andressa pela esquerda, que dominou, invadiu a área e cruzou rasteiro para Bia. Kennedy porém, surgiu e fez o corte antes da brasileira chegar na bola. 

O volume de jogo do Brasil era muito grande, chegava sempre ao ataque. O pecado maior era a afobação na hora de finalizar. Parecia que o nervosismo tomava conta das brasileiras. Um exemplo disso foi claro aos 14 minutos quando Andressa Alves rolou para Bia na área, que fez o pivô e deixou para Debinha, que isolou a bola.

A insistência das brasileiras em chegar ao ataque não cessou, mas continuavam falhando no último passe, nas finalizações. Já as australianas arriscavam vez ou outra, mas nada com tanto perigo para Bárbara. E novamente o Brasil jogou fora uma boa chance aos 28 minutos com Andressa Alves, que recebeu completamente livre. Ela Disparou pela esquerda e bateu da entrada da área, mas sem nenhuma direção.

Dos 35 aos 40 minutos aconteceu um bombardeio de chances e sustos, mas nada suficiente para balançar as redes. Tudo que se era tentado dava errado tanto para as brasileiras quanto para as australianas. Destaque para o lance dos 45 minutos, quando num cruzamento perfeito para Andressa Alves, que cabeceou no cantinho direito, Williams caiu e fez uma excelente defesa. Com direito a mais quatro minutos de sufoco, o tempo regulamentar chegou ao fim, levando a decisão da vaga para a prorrogação.

Prorrogação quente não conta com gols apesar de chances perigosas

Assim como o final do segundo tempo regulamentar, a primeira etapa da prorrogação começou quente, repleta de arrancadas, jogadas ofensivas e chances disperdiçadas. A dificuldade do Brasil de furar o bloqueio da zaga australiana era muito grande. Apesar das inúmeras tentativas, o primeiro tempo da prorrogação se encerrou também sem gols.

Nos 15 minutos restantes da prorrogação, uma chance caiu como uma luva para as brasileiras. Um toque de mão na risca da grande área deu falta perigosa ao Brasil, porém, na cobrança de Andressa Alves, a bola passou por cima de todo mundo, inclusive do travessão.

Uma excelente chance surgiu para a Austrália aos nove minutos, quando Haymen disparou com liberdade, tentou jogada individual, mas perdeu para Rafaelle. A bola acabou sobrando para Foord, que levou para o meio e bateu da entrada da área. A bola passou raspando pelo gol de Bárbara e foi para fora.

Restando dois minutos para o fim, Marta fez uma bela jogada pela direita, invadiu a área, travou para o meio e deixou adversária deitada no gramado. A camisa 10 finalizou no canto, e Williams, no tapinha, mandou para escanteio. Após essa cobrança sem perigo, o Brasil teve uma nova chance aos 15 quando o escanteio foi cobrado e Formiga dividiu pelo alto. Williams saiu mal do gol, mas a defesa australiana deu conta do recado, garantindo o placar zerado e decisão por pênaltis.

Bárbara defende duas cobranças e garante Brasil nas semis

Nos pênaltis, quem começou foi o Brasil, com Andressa convertendo. A primeira a bater pela Austrália, Kellond também converteu. Andressinha, Bia, e Rafaelle também converteram para o Brasil. Alleway, Van Egmond Polkingorne balançaram as redes. Na última cobrança do Brasil, Marta bateu mal e Williams defendeu.

Por sorte, Bárbara defendeu a cobrança de Gorry e levou as cobranças para as alternadas, onde Debinha, Mônica e Tamires converteram para o Brasil e Heyman e Logarzo converteram para a Austrália. Na cobrança de Kennedy, Bárbara foi brilhantemente no canto certo e defendeu a cobrança, garantindo o Brasil na semifinal da Olimpíada Rio 2016.