A história não se apaga: final olímpica não será revanche do 7 a 1

Duelo contra a Alemanha na final pode trazer falso sentimento de vingança

A história não se apaga: final olímpica não será revanche do 7 a 1
(Foto: Jamie McDonald / Getty Images)

Depois da grande vitória sobre Honduras na semifinal, o Brasil ficou ansiosamente aguardando quem seria o adversário da grande decisão, disputada no Maracanã neste sábado (20). Enquanto os brasileiros faziam 6 a 0, a Alemanha bateu a Nigéria por 2 a 0 e selou sua classificação para a final dos Jogos Olímpicos Rio 2016. Mais um decisivo Brasil x Alemanha em terras tupiniquins.

Não, a reedição da semifinal da Copa do Mundo do Brasil de 2014 não será uma revanche para os brasileiros em caso de vitória. Não existe a possibilidade de apagar o vexame histórico da seleção nacional nem se a partida terminar 7 a 1 ou mais. Será, sim, a chance de escrever novamente uma história vitoriosa e incluir um capítulo sobre o grande título em casa em cima de uma equipe competente. Mas não se engane acreditando que o que aconteceu antes mudará com a medalha de ouro olímpica.

A tal "revanche", tão desejada por torcedores brasileiros, só seria realizada caso disputássemos uma semifinal de Copa do Mundo na Alemanha e marcássemos sete gols. Caso contrário, nem pense nisso.

O perigo de um jogo como esse é justamente que essa empolgação e expectativa da torcida afete os próprios jogadores. Se formos parar para pensar na influência dos fatores extra-campo, da mesma forma como no Mundial, entraremos em uma pilha de nervos e poderemos esbarrar na ansiedade. Já vimos o final disso uma vez e não foi nada bom.

Assim como em 2014, estamos diante de uma seleção que ainda é muito individual. Diferente do que aconteceu na Copa, Neymar estará em campo e será a grande referência e foco da partida. Mesmo com Luan, Jesus e Gabigol, a equipe não aposta na coletividade, como é o caso da Alemanha. Vimos esse modelo tático durante o 7 a 1 e os Jogos Olímpicos, o que mostra que os cuidados devem ser os mesmos, mas podem (e precisam) dar certo dessa vez.

Aquela história de "o meio campo não marca muito"? Esqueça. O time sub23, assim como o campeão do mundo, se adapta ao adversário mesmo sem grandes estrelas. Foi assim quando ficamos perdidos em campo e levamos cinco gols. A ausência de nomes como Schweinsteiger, Müller ou Manuel Neuer não significam nada, pois a filosofia alemã não trabalha com apenas um destaque.

Dos jogadores que estarão em campo, apenas Neymar esteve na Copa e ele nem participou do 7 a 1. A torcida não pode fazer o grupo de Rogério Micale carregar um fardo que nem é deles e é pesado demais. Nosso momento no futebol e na política pode até ser o mesmo ainda, mas é outro time, outro contexto. A responsabilidade ali é única e exclusivamente conseguir a inédita medalha de ouro - que já é uma enorme pressão por si só.

Precisamos entender logo que o jogo pede atenção total com todos os jogadores, pois um gol poderá tirar nossa medalha inédita e ele poderá vir de qualquer pé. Em campo, o Brasil não pode buscar heróis do título ou salvadores da pátria. A Seleção precisa de uma equipe que joga para vencer, independente de qualquer coisa.