Recordar é viver: a primeira vitória de Neymar frente a Argentina no Superclássico das Américas de 2011

O primeiro grande clássico de Neymar com a camisa da Seleção Brasileira também teve heróis improváveis em Belém

Recordar é viver: a primeira vitória de Neymar frente a Argentina no Superclássico das Américas de 2011
O show de Neymar e Lucas no Mangueirão!

35 anos depois da última edição da extinta Copa Roca, o maior clássico de todos os tempos voltou a valer taça há cinco anos atrás, quando Brasil e Argentina estrearam a primeira edição do Superclássico das Américas. Duas partidas eram disputadas, uma em cada país, com a rivalidade valendo muito mais do que o troféu entregue ao vencedor. Três edições foram realizadas desde então, com duas vitórias para o Brasil e uma para os hermanos.

Antes do duelo decisivo pelas Elminatórias da Copa do Mundo de 2018, que será realizado no Mineirão na próxima quinta-feira (10), você relembra como foi a primeira conquista do maior jogador brasileiro em atividade com o manto canarinho: Neymar Júnior!

O cenário de renovação

A Copa do Mundo de 2010 claramente não traz boas lembranças aos torcedores brasileiros. Tudo bem que a equipe comandada por Dunga não trazia grandes expectativas como a antecessora de Carlos Alberto Parreira, mas aos poucos a equipe foi avançando na competição, e aos "trancos e barrancos" acabou sendo eliminada nas quartas de finais para a Holanda. O comandante gaúcho acabou saindo do cargo. 

Uma das principais críticas em relação ao trabalho de Dunga começou a ser elaborada antes mesmo da viagem à África do Sul. O time da moda no Brasil era o Santos de Neymar e Paulo Henrique Ganso, e 90% dos brasileiros torciam pela convocação de pelo menos um dos dois garotos, que vinham jogando em um nível espetacular. O resultado? Nem Neymar nem Ganso conseguiram uma vaga no elenco que foi para a Copa, causando muita revolta e reclamação dos torcedores. Após a fraca campanha em solo africano e esperada demissão de Dunga, a expectativa para ver os dois com a camisa do Seleção Brasileira foi enorme, e ela aconteceu rapidamente. 

Além de Neymar, Ganso e Alexandre Pato foram titulares diante dos EUA

Um mês havia se passado após a disputa do Mundial, e a "nova Seleção Brasileira" deu show ao vencer os Estados Unidos por 2 a 0 em New Jersey, com direito a gol de cabeça de Neymar. Pronto, os torcedores estavam convencidos que a equipe comandada por Mano Menezes daria muitas alegrias. E pra falar a verdade, a primeira (e única) conquista veio cedo...

A convocação 

Uma das novas regras do Superclássico das Américas implicava que apenas jogadores que atuavam no Brasil e na Argentina poderiam ser convocados. Ou seja, nada de Kaká e Messi em campo. A primeira partida aconteceu no Estádio Mario Alberto Kempes em Córdoba, e Mano abusou das novidades entre os convocados. 

Goleiros: Jefferson e Victor foram os escolhidos. Sem ressalvas, ambos realmente fazia grandes temporadas por Botafogo e Grêmio respectivamente, e seguem até hoje entre os melhores arqueiros do país.

Laterais: Pela direita, Danilo e Mário Fernandes foram convocados. O primeiro também fazia parte do elenco brilhante do Santos, e permanece nas convocações da amarelinha até os dias atuais. O último atuava no Grêmio naquele ano, e ficaria marcado por negar a convocação para o segundo jogo daquele Superclássico. Jorge Machado, empresário do atleta na época, afirmava que por "problemas pessoais" o jogador não se apresentaria à Seleção. Após isso, Mário ficou três anos sem ser convocado; Na lateral esquerda, o experiente Kléber foi chamado, hoje o mesmo está aposentado. Por fim, Cortez foi convocado. O melhor lateral esquerdo do país, e destaque da segunda partida não manteve o bom nível, e joga atualmente pelo Albirex Niigata do Japão.

Zagueiros: Dedé, Réver, Rhodolfo e Henrique. Nenhum despontou com um "craque". Dedé permanece com problemas de lesão, o que adiou o rótulo de que se tornaria um dos melhores jogadores de sua posição em um âmbito mundial. Réver conquistou dois anos depois a Libertadores pelo Atlético-MG, em seu auge como atleta. Rhodolfo teve passagens sem muito brilho por São Paulo e Grêmio e defende atualemente o Besiktas

Meio-campistas: Ralf, Paulinho, Renato Abreu, Casemiro, Rômulo, Cícero, Ronaldinho, Oscar e Thiago Neves mostravam que a renovação era grande em comparação à Seleção do ano anterior. Os dois primeiros faziam parte da grande equipe do Corinthians comandada por Tite; Renato Abreu e Thiago Neves traziam experiência e a segurança e vinham de boas temporadas atuando no Rio de Janeiro; Cícero havia acertado a pouco tempo com o São Paulo, e também seguia como destaque no cenário nacional, da mesma forma que Rômulo vinha jogando pelo Vasco, campeão da Copa do Brasil daquele ano; Ronaldinho Gaúcho... esse não precisa de apresentações, mas vinha entre altos e baixos pelo Flamengo; Casemiro e Oscar eram garotos promissores e que chegavam pela primeira vez à Seleção Brasileira, ambos da geração de PH Ganso e Neymar. O primeiro inclusive é uma das peças chaves de Tite na Seleção atual.

Atacantes: Neymar, Leandro Damião e Lucas Moura. O ataque perfeito para os brasileiros naquela ocasião. Ambos vinham de uma fase esplendorosa. Damião inclusive ficaria marcado pelo único lance de destaque da partida de ida na Argentina: o chapéu de carretilha em Papa.

O empate em Córdoba

O duelo de ida na Argentina foi tecnicamente fraco. Exercendo sua função como mandante, foram os nossos hermanos quem mais pressionaram durante a partida, mas foram os brasileiros quem criaram as oportunidades mais claras. 

Em boa fase no Brasil, Guiñazu e Montillo não atuaram no jogo de ida em Córdoba

Os "camisas 9", Mauro Boselli e Leandro Damião foram os protagonistas da partida. O argentino obteve no mínimo três boas oportunidades dentro da área para marcar, mas isolou todas elas. Já Damião, parou na trave por duas vezes: primeiro após uma grande jogada de Neymar pela ponta esquerda, onde o santinsta cruzou na área e Damião vindo de trás em velocidade finalizou forte de perna esquerda para carimbar a trave de Orión. Na segunda oportunidade do centroavante brasileiro, em uma jogada considerada morta pela ponta direita, Damião aplicou um chapéu de chaleira (ou carretilha, como queiram) em cima do lateral Papa, tentando levantar a bola na área a mesma tomou outra direção, e acabou morrendo no poste direito do arqueiro argentino. Uma pintura que teria garantindo a vantagem brasileira para o duelo de volta. Mas ela acabou não fazendo falta...

Consagração em Belém

O empate sem gols em Córdoba acabou sendo um bom resultado para o Brasil, que decidiria o título em casa, mais precisamente em Belém do Pará. Dentre os convocados, algumas mudanças: Rafael Cabral do Santos acabou ganhando a vaga de Victor como arqueiro reserva; Emerson Santos ganhou a oportunidade na defesa após a saída de Henrique; no meio-campo Elkeson e Diego Souza foram convocados; e no ataque, Mano Menezes chamou Borges e Fred, deixando Damião de fora da grande decisão.

O ambiente era perfeito. Mais de 43 mil telespectadores lotaram o Estádio Mangueirão para receber a Seleção Brasileira, com a expectativa lá no alto. Mas a equipe demorou a engrenar na partida. Isso só aconteceu na etapa complementar, logo em seu início. Após uma tentativa de ataque dos argentinos, Bruno Cortez interceptou e encontrou Borges no meio de campo, o atacante fez o pivô e encontrou Danilo, que enfiou uma bola espetacular em profundidade para Lucas, o jogador do São Paulo arrancou em velocidade e bateu firme na saída de Orión para inaugurar o marcador em Belém.

20 minutos depois novamente brilhou a estrela de Bruno Cortez, que iniciou a jogada pela esquerda, deu belo passe para Diego Souza que cruzou forte pra dentro da área, Neymar dividiu com Orión e Cellay e a bola terminou no fundo das redes. Era o segundo gol do Brasil, o primeiro de Neymar contra a Argentina, e com direito a dancinha da equipe canarinho o Brasil era campeão do Superclássico das Américas.