A CBF finalmente acertou com a Seleção Feminina

A Confederação fez uma grande aposta ao escolher uma mulher para o comando da Seleção Feminina e finalmente mostrou que está disposta a fazer a modalidade crescer

A CBF finalmente acertou com a Seleção Feminina
(Foto: Kin Saito/CBF)

Para a enorme felicidade e surpresa de muitos, a CBF resolveu, após anos ignorando a modalidade, começar a agir para as melhorias do futebol feminino. Um Campeonato Brasileiro com regras ideais, mais transmissão e a confissão de que não estava bom como era antes. Porém, uma coisa ainda incomodava e ela foi embora quando, na noite da última terça-feira, Vadão foi dispensado. Finalmente. Agora é o início da Era Emily Lima, a primeira mulher no comando da Seleção Feminina na história.

Confesso que, após o fim dos Jogos Olímpicos, acreditei que o futebol feminino podia sustentar um pouco de esperança para o futuro. Entretanto, quando, apenas poucos dias após a decepção do quarto lugar passou, a CBF bancou Oswaldo Alvarez, o Vadão, no cargo de treinador, temi que vivêssemos mais uma desilusão. Seriam mais quatro anos batendo na tecla da falta de investimento, visibilidade, atenção e do preconceito? O esporte não aguentaria mais isso.

Cheguei a comentar aqui mesmo na VAVEL Brasil que a renovação com o treinador indicaria o medo da CBF em tentar algo novo. E isso em momento algum mudou. A Confederação temia, assim como resistiu com os homens, testar algo novo e diferente. Foi por isso que, por anos, a Seleção Feminina pegou apenas os "restos" do futebol masculino sem que a entidade sequer disfarçasse. Com tantos nomes bons e capacitados, era difícil aguentar a mesma falta de ambição para a modalidade todo ano.

Então, surge a notícia de que Vadão estava saindo e quem chegava era simplesmente Emily Lima, a melhor do futebol feminino brasileiro. Custei a acreditar que uma atitude ousada como essa partiria da CBF tão cedo. Afinal, Emily é a primeira mulher a entrar nesse complicado território. É a primeira a receber o voto de confiança que há anos o futebol feminino pedia. O grito por socorro, dado em 2007, finalmente estava sendo ouvido.

Foi uma opção ousada, para dizer o mínimo. De um lado, ainda temos diariamente o preconceito não só com mulheres no futebol, mas com a modalidade feminina. Esse cenário ainda é muito grande, mesmo em 2016. Do outro, a opção de mudar tudo e começar praticamente do zero, já que o projeto que Vadão sustentou nos últimos anos, o da Seleção Permanente, não tem garantias de continuar.

A mulher no esporte ainda sofre muito, principalmente pela falta de oportunidades. Se Emily Lima traçou uma carreira tão impressionante e batalhou forte pelo lugar que está ocupando hoje, muito se deve por uma insistência grande da parte dela. Essa necessidade e ausência feminina está não apenas dentro dos gramados com as dificuldades das jogadoras, mas também fora com o pouco número de mulheres nas comissões técnicas. Estamos falando de futebol para mulheres e ainda assim existe uma enorme barreira.

É o início de um novo ciclo e, se tudo der certo, um bem vitorioso. Serão anos de trabalho com muito comprometimento e vontade de vencer, mas sempre com bastante cautela. A Seleção e o futebol feminino em geral não aguentam mais viver de testes. A modalidade e o time nacional precisam crescer e, abrindo as portas para as mulheres em todas as áreas, isso finalmente pode começar a acontecer.

Vida longa à Emily!