Sem braçadeira, Neymar exerce novo papel de liderança na Seleção

Atacante comunicou ao técnico Tite a decisão de tirar de si o peso de ser o comandante do time em campo

Sem braçadeira, Neymar exerce novo papel de liderança na Seleção
Foto: Hugo Alves/VAVEL

No dia em que a Seleção Brasileira Masculina de Futebol venceu a Alemanha nos pênaltis, conquistando assim a Medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos, único título que faltava ao futebol brasileiro, o dono da braçadeira com os técnicos Dunga e Rogério Micale, Neymar, pediu para deixar o posto de capitão e foi uma decisão que o jogador tomou junto à família. Durante o período  como capitão, que durou cerca de dois anos, o camisa 10 foi muito contestado por suas posturas dentro e fora de campo.

“É uma coisa que já conversei com a minha família. A partir de hoje não quero mais ser capitão da Seleção Brasileira”, disse craque do Barcelona.

Ainda no gramado, o craque declarou que recebeu com carinho a função de capitão da Seleção Brasileira, algo que lhe deu muita honra, mas que a partir de agora abre mão desse posto esperando que o novo técnico da equipe do Brasil possa encontrar outra pessoa para essa função. Tite revelou que teve uma conversa breve e inicial com o jogador e pediu calma ao atacante,  e também destacando que existem várias formas de liderança.

"Estava cumprimentando os jogadores, aí dei um abraço no Neymar, e ele disse que não quer mais ser o capitão. Eu disse: 'Curte com sua família e comemora, deixa isso para pensarmos depois'. A liderança tem aspectos técnicos e ele é um líder técnico. Eu gosto de premiar todos e dividir a responsabilidade, assim como dividimos a alegria. Bato muito que o atleta tem que estar em sua melhor condição técnica e física, que aí vai contribuir para equipe”, afirmou técnico da Seleção.

A braçadeira de capitão da Seleção havia sido dada a Neymar pelo ex-técnico Dunga quando assumiu o comando em 2014, após o fracasso na Copa do Mundo realizada no Brasil.  Decisão  de Neymar em deixar a  braçadeira de capitão da seleção principal repercutiu e Rogério Micale falou em nobreza por parte do camisa 10. Aproveitou para explicar o porquê de tê-lo escolhido como dono do posto na seleção olímpica.

“É um gesto nobre dele. Antes do início dos Jogos, eu já tinha decidido que ele seria o capitão. Vi dentro do elenco que ele tinha a condição de assumir o posto. Agora, gostei do que ele fez de deixar o Tite à vontade para escolher o próximo capitão. Na seleção olímpica ele se mostrou um líder, um jogador muito dedicado", explicou.

O treinador  e sua comissão deram uma função específica a Neymar: ser o líder técnico do time, deixando que jogadores mais experientes e com perfis diferentes, como o zagueiro Miranda e o meia Renato Augusto, conversem com a arbitragem, motivem o time e discutam com os adversários.

A estratégia de distribuição de lideranças de Tite é bem conhecida dos tempos de Corinthians. Na seleção, o Renato Augusto é o lider da comunicação, que organiza e motiva a equipe e Miranda ganhou a faixa de capitão pelo "exemplo". Essa divisão de responsabilidades evita a sobrecarga que vinha acontecendo com Neymar, como o treinador e o próprio jogador concordaram.