Tite cobra melhor postura de Neymar, mas elogia craque: "Caráter, índole e grande coração"

Treinador pede mais comportamento e menos reação a faltas sofridas, elogia uso de árbitro de vídeo e aprova estreia de Cássio na meta da Seleção Brasileira

Tite cobra melhor postura de Neymar, mas elogia craque: "Caráter, índole e grande coração"
Foto: Jean Catuffe/Getty Images

Após a vitória da Seleção Brasileira sobre o Japão na manhã desta sexta-feira (10) por 3 a 1, o técnico Tite e o craque Neymar concederam juntos entrevista coletiva e falaram sobre vários pontos. O camisa 10 do Brasil foi indagado primeiro e foi questionado sobre polêmicas no Paris Saint-Germain e sua felicidade na França. Em determinado momento, caiu em prantos e o comandante da Amarelinha entrou em ação para falar sobre o jogador e seu comportamento durante o amistoso disputado em Lille.

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“Todos estamos expostos. Estar na Seleção, ser técnico, ser/estar um atleta. É uma visibilidade gigante. Atleta de alto nível tem essa visibilidade. É um fato que ele tem sofrido muitas faltas. Ele mal sofreu uma falta, na sequência sofreu outra. Deliberadamente se faz falta para que ele trave e pare o jogo. Dá para ver que é para desestabilizar. Erro ele tem de reagir a isso. Deixa na conta do árbitro. Está todo mundo vendo. Quando falamos em jogadores como ele, o Philippe Coutinho, o Gabriel Jesus, são jogadores que são muito velozes, fazem muitas faltas nele. Hoje o Gabriel sofreu uma sequência de faltas com 20 minutos e veio reclamar. Falei para ficar quieto e jogar. Neymar, por outro lado, está errado porque não deve reagir. O árbitro corretamente deu o cartão. Ainda mais com o recurso da tecnologia, melhor ainda. Vai premiar o justo, então faz a coisa certa. Faz o certo”, afirmou.

Foto: Philippe Huguen|AFP|Getty Images

Sobre Neymar, Tite destacou que entende as reações em alguns momentos por ter passado pela experiência de ser jogador e sofrer com algumas atitudes em campo. Ainda assim, destacou que é necessário o atacante manter a tranquilidade dentro das quatro linhas para melhorar o comportamento e elogiou as boas qualidades do atleta.

“Estamos há um ano e meio trabalhando juntos. Nós nos enfrentamos de forma muito forte em equipes e sempre fomos muito leais. Cansei de ouvir que o Tite tinha problema com o Neymar. E posso falar de cadeira do caráter dele, da grandeza dele no vestiário. Somos seres humanos, às vezes sofremos faltas e reagimos da forma errada. Eu já reagi de forma errada na minha carreira. Mas não devemos questionar a índole. Posso falar do caráter, da índole e do grande coração que o Neymar tem”, disse.

Foto: Aurelien Meunier|Getty Images

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Tite foi questionado sobre os convocados para a série de dois amistosos e explicou sobre as experiências realizadas nos últimos jogos do ano, a competição por vaga e elogiou o goleiro Cássio, que fez sua estreia como arqueiro titular do Brasil.

“O cara cabeceou e não teve nada de participação do Cássio. Os atletas, a bola parada às vezes traz um prejuízo, essa sincronia. No clube, faz um treinamento e na seleção é outro. Às vezes, a coordenação é outra. Dá para ver melhor Jemerson, Diego Souza, Douglas Costa, Giuliano, Alexsandro, Taison. Mesmo que se perca algo no conjunto, mas poder fazer observações pontuais, para ser justo em uma convocação final é importante. É todo um trabalho. O que esse trabalho nos dá nesses dias é testá-los, mesmo quebrando a dinâmica da equipe. Os treinamentos nos mostram isso. É aquilo, o futebol não é só no campo, ele é humano, ele é mental, é do dia a dia. Os treinamentos nos proporcionam isso. O convívio que a gente tem consegue mensurar tudo isso. É premiar essa competição leal. Isso é enriquecedor ao longo do trabalho”, declarou.

Foto: Aurelien Meunier|Getty Images

No final da coletiva, o técnico da Seleção Brasileira falou sobre a experiência do Japão, além de exaltar e incentivar o uso e ampliação da arbitragem de vídeo. “Gostei, incentivo o correto. A favor ou contra. Agilizar o processo sim, mas isso é uma etapa. Senão ficamos achando que o erro é bom. Dizem que na padaria da esquina não vai ter mais debate. O que vai dar mais debate é que se o técnico é bom ou não, se o jogador foi bem ou não. O esporte é um reflexo da sociedade. Parar de achar que o errado está certo. O Japão tem um grupo de atletas com média de 27 anos para mais. Grupo mais experiente. O que gera um enfrentamento contra o Brasil com muita naturalidade. Jogam contra o Brasil sem a bola queimar no pé. No primeiro tempo, foi de pressão alta, agressiva. Uma equipe que não foi só retraída. Foi arrojada. De competição leal. Talvez até pela cultura japonesa, de ser melhor de forma leal”, concluiu.