Goleiro Magrão quebra recorde regional e completa 600 jogos pelo Sport

Arqueiro rubro-negro supera marca de Givanildo Oliveira, que vestiu a camisa do arquirrival Santa Cruz por 599 vezes, e atinge maior número em todo o Nordeste

Goleiro Magrão quebra recorde regional e completa 600 jogos pelo Sport
Camisa 1 está no Leão desde 2005 e conquistou dez títulos, além de prêmios individuais (Foto: Williams Aguiar/Sport)

Alessandro Beti Rosa. O nome pode soar estranho para alguns, porém para outros é muito conhecido. Casado com Marilu, pai de três filhos e com um currículo invejável, Magrão conquistou dez títulos em 11 anos pelo Sport e, neste sábado (24), vai atingir uma marca histórica não apenas para si, mas também ao futebol nordestino. Ante o Santos pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro 2016, o arqueiro leonino completará 600 partidas, superando Givanildo Oliveira, que defendeu o arquirrival Santa Cruz por 599 vezes.

Bem como todo jogador com longa trajetória em um clube, o camisa 1 viveu muitos altos e baixos, entretanto se sobressaindo com atuações memoráveis. Tudo começou em 2005, quando foi indicado pelo então treinador Zé Teodoro, chegando para disputar a vaga entre os 11 com Maizena, já experiente e que vinha sendo contestado pela torcida dos rubro-negros.

A noite de 27 de maio foi a primeira de muitas que o atleta fez a festa aos torcedores do Leão, já que estreou com vitória contra o Guarani e não foi vazado. A estreia positiva o garantiu um lugar no time, porém uma contusão o afastou dos gramados até o ano seguinte, mesmo que esse tivesse sido um dos piores da história da equipe pernambucana.

Em 2006, teve inconstâncias e iniciando de titular, contudo perdendo a vaga por más atuações. Seu concorrente, Gustavo, brilha na final do Pernambucano e assegura o título, deixando-o amargando o banco de reservas. Durante a Série B, no entanto, recupera a titularidade e fica no gol até o fim da temporada, conquistando o acesso à elite.

Magrão, antes contestado, começa a ganhar espaço no time titular do Sport (Foto: Williams Aguiar/Sport)
Magrão, antes contestado, começa a ganhar espaço no time titular do Sport (Foto: Williams Aguiar/Sport)

Em 2007, ainda era bastante contestado pelos torcedores, muito pelas apresentações irregulares, sem conseguir empolgar. Foi neste mesmo ano que ficou conhecido internacionalmente, pois sofreu o milésimo tento de Romário e, logo em sequência, acabou perdendo espaço para Cléber. O companheiro, por sua vez, também não rende o esperado e o ídolo volta ao trono, sendo elogiado até por Rogério Ceni devido às defesas milagrosas.

Em 2008 e 2009, o ponto máximo de sua carreira e passagem no Leão. Assim como Durval e Romerito, foi ovacionado na conquista da Copa do Brasil ante o Corinthians, marcando o seu único gol na disputa por pênaltis, na semifinal, contra o Vasco. Na temporada seguinte, fez sua primeira participação na Copa Libertadores da América, fazendo boa atuação logo na estreia, marcada por uma brilhante defesa, que girou o mundo. No Estadual, foi essencial ao fazer o sistema defensivo ser o menos vazado.

Já em 2010, 2011 e 2012, sofreu com algumas lesões, que o afastaram dos gramados por um bom tempo. Mesmo sem ter o acesso em 2010, foi eleito o craque da Segundona, através de votação popular. Com os rubro-negros em momento irregular, o goleiro era o mais elogiado do elenco, se sobressaindo pelas suas intervenções.

Em 2013, mesmo disputando a Série B, defende três pênaltis contra o Náutico pela Copa Sul-Americana - primeira participação também do Leão - e classifica a equipe às oitavas. Em 2014, junto a Durval, atinge a marca de títulos em âmbito estadual, nacional e regional, ao vencer a Copa do Nordeste.

Com 22 pênaltis defendidos, Magrão mostra um dos seus pontos fortes para solidez na equipe (Foto: Williams Aguiar/Sport)
Com 22 pênaltis defendidos, Magrão mostra um dos seus pontos fortes para solidez na equipe (Foto: Williams Aguiar/Sport)

Em 2015, ao completar uma década no escrete da Praça da Bandeira, o arqueiro iniciou a temporada de maneira positiva, mas sofreu uma lesão no ombro, que o deixou fora por dois meses. Danilo Fernandes, seu substituto, entrou em excelente fase e o substituiu à altura, sendo assim opção entre os suplentes. Recuperou a vaga, todavia, com a ida de Danilo ao Internacional, se consagrando entre os 11.

Flávio, campeão do Brasileiro em 1987 pelo Sport, falou com a VAVEL Brasil em exclusividade e parabenizou Magrão pelo fato. O ex-goleiro ressaltou que sabe como é ser idolatrado pelos torcedores, desejando mais sucesso e afirmando que Lucas, promessa leonina, foi seu aluno na sua escolinha, criada em 1995.

"Gostaria de parabenizar Magrão por alcançar 600 jogos pelo Sport e, assim como eu, é um grande ídolo dessa torcida. Sei como é passar por essa grande equipe, já que fui campeão do Brasileiro de 1987, enquanto que ele foi campeão da Copa do Brasil de 2008 e volta a fazer história. Torço muito por você, pois tem como sucessor Lucas, que trabalhou na minha escolinha, e espero vê-lo como seu substituto no futuro", disse o ex-arqueiro.