Recordar é viver: Confronto entre Bangu e Vasco tem 99 anos de história

Vasco inicia sua temporada nesta quinta-feira (18), às 19h30, diante de um adversário clássico: o Bangu

Recordar é viver: Confronto entre Bangu e Vasco tem 99 anos de história
Foto: Paulo Fernandes/Vasco.com.br

Um dos jogos mais antigos do futebol carioca, de um lado um 'Gigante' como alcunha, do outro, um dos clubes mais tradicionais do Brasil, vice campeão brasileiro, primeiro campeão carioca profissional em 1933. Vasco e Bangu abrem a temporada às 19h30 (Brasília) nesta quinta (18). 

Jogos em confrontos nacionais

Vasco e Bangu já protagonizaram vários jogos históricos pelo estadual e até pelo campeonato brasileiro. O primeiro jogo em âmbito nacional, foi pelo 'Robertão' em Março de 1967 quando o Bangu venceu a partida por 2 a 0. Houve também um jogo pela Taça de Prata do ano seguinte que terminou sem gols. 

Vantagem vascaína 

O Vasco tem ampla vantagem no confronto, principalmente quando se trata de estadual, a maior parte das vitórias do cruzmaltino sobre o time alvirrubro aconteceram pelo Carioca. Inclusive a maior goleada do confronto, em 1929 o Vasco aplicou um 9 a 1 no Bangu, também era estréia do Carioca daquele ano. Ao todo são 213 jogos envolvendo as equipes, 131 vitórias do Vasco, 42 empates e 39 vitórias do Bangu.

Roberto Dinamite é o artilheiro do confronto com 27 gols.



Hegemonia Alvirrubra 

Se engana quem acha que o Bangu sempre foi freguês do Vasco. De 1983 à 1986 o Bangu não perdeu para o Cruzmaltino. Foram três vitórias pelo Campeonato Brasileiro, duas em 1985 - quando o alvirrubro chegou a final perdendo para o Coritiba. Neste período o time de Moça Bonita aplicou um sonoro 4 a 0, no estadual de 1984. É a maior hegemonia do Bangu no confronto geral. 

Ostracismo Banguense 

Antes de se tornar vice-campeão brasileiro em 1985 e ser um dos times mais fortes do Brasil, com investimento de Castor de Andrade, o Bangu já era tradicional dentro do futebol carioca, ganhou dois estaduais, o primeiro, em 1933 quando o futebol do Rio de Janeiro passou a ser profissional. O segundo e último - do clube e de qualquer um que são fosse um dos quatro maiores do estado, em 1966, diante de mais de 143 mil pessoas no Maracanã contra o Flamengo. O Clube também é um dos pioneiros do futebol nacional a contar com negros e operários em seu elenco, o que contribuiu e muito para a democratização do esporte. 

Após o título de 1966 o Bangu viria a passar de pai para filho, Seu Zizinho, um apaixonado pelo Clube deixou de ser o presidente, Castor de Andrade assume e da início aos anos mais importantes da história da agremiação. Nesse período o Bangu não ergueu nenhuma taça, mas até hoje é lembrado pelo time de 1985, além de ter disputado a Copa Libertadores da América em 1986. O Bicheiro era conhecido pelos prêmios gordos aos jogadores e investia pesado em contratações de jogadores de renome, trouxe jogadores como Mauro Galvão, Paulinho Criciúma e Marinho. A prova disso era que em 1986 o técnico contratado para dirigir o time na Libertadores foi Paulo Cesar Carpegiani, campeão do Mundo com o Flamengo cinco anos antes.

Mas nem tudo são flores, em 1988 começou o ostracismo do clube, o cerco começou apertar para o 'bicheiro' que teve de vender os três melhores jogadores do time de uma vez só ao Botafogo, no mesmo ano o Bangu caiu para a segunda divisão nacional - com Zagallo de técnico, e nunca mais voltou a disputa-la. Em 1993 Castor de Andrade foi condenado a deixar o clube, o Bangu também seria condenado, hoje o alvirrubro vê de longe o que já foi um dia, cada vez mais longe da elite futebol brasileiro e no estado é só mais um coadjuvante. Nos anos 2000 chegou a participar da segundona do Rio de Janeiro, o que resta ao Bangu é se orgulhar especialmente de ter participado de uma Libertadores e ser um dos pioneiros a ter negros no futebol brasileiro lá atrás.